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Entendendo a dor crônica

Um olhar além do corpo físico

Hoje a ciência nos mostra, claramente, que o ser humano não é somente a parte física. 

Compreender a dor nos faz ter a certeza disso. 

Convido você, caro leitor, a compartilhar um pouco desse conhecimento, no intuito de ajudar pessoas, podendo ser útil a você ou alguém que conheça.

A dor

A dor funciona em nosso corpo como se fosse um sistema de alarme, que é acionado quando existe algum perigo. E o cérebro é a central desse sistema, onde tudo acontece. É ele que recebe e interpreta as “informações”, podendo causar a sensação de pouca, muita ou nenhuma dor. 

Quando se trata de dor, as pessoas evitam falar sobre o cérebro, pois geralmente associam à queixa, a algo que foi inventado. Acham essa ideia estranha e realmente parece, porque isso foi descoberto recentemente, com a invenção de máquinas de escaneamento cerebral.

Através desses aparelhos, pôde-se observar que é o cérebro que define quando, onde e como vai ser a dor. É ele que observa a ameaça, que pode ser real ou potencial. 

A dor é multifatorial

Dentro desse conceito, precisamos entender que a dor é multifatorial, ou seja, é resultado de fatores biológicos ou físicos, com preocupações, emoções, comportamentos, relação familiar, trabalho, situação econômica, qualidade do sono, entre outros…

Todos esses fatores fazem parte desse “sistema de alarme” chamado dor, por isso interferem em sua regulagem. Isso ocorre na dor crônica, em que esse sistema não está funcionando bem. 

É como, por exemplo, o alarme de uma casa que disparou quando um ladrão invadiu. O ladrão foi embora, mas mesmo assim, o alarme dispara a todo momento: se um amigo bate na porta ou se um ratinho entra na casa. O alarme ficou sensível e necessita de ajustes. 

É o que acontece com o ser humano. Conhecer isso se torna importante, visando um tratamento mais completo e assertivo para cada condição. 

O tratamento da dor começa com a orientação correta, com a quebra de mitos e crenças, que colaboram para a manutenção e cronificação das dores.  Por que a forma como a gente entende a dor, pode ser responsável pela quantidade de dor que a gente sente.

Por exemplo: quando temos uma dor nas costas, nunca pensamos ser o que quase sempre é: uma dor mecânica, um mal jeito, que vai melhorar logo se buscarmos orientação e um tratamento adequado.

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Problemas graves e específicos na coluna existem? 

É claro que sim e, felizmente, é uma porcentagem mínima que se apresenta com sinais evidentes em uma avaliação, encaminhando com urgência para o médico especialista.

Um ponto importante nesse processo é que as pessoas não foram educadas sobre o conceito da dor mecânica, que é responsável pela maior porcentagem dos casos. Nesse tipo de dor, a história natural é muito favorável. Como um resfriado, por exemplo, em que o corpo vai melhorando no decorrer dos dias de maneira espontânea. 

Dor é doença?

As pessoas acreditam que dor é sinônimo de doença, inflamação, disco ou coluna fora do lugar. Essa ideia pode colaborar para uma mudança no comportamento da pessoa diante da experiência de dor, facilitando o desenvolvimento de crenças de medo, evitação, foco excessivo na dor, ansiedade, gerando uma cascata de pensamentos automáticos, como por exemplo:

“Tenho algo muito grave em minhas costas”

Logo, um exame de imagem é sugerido e constata-se alterações degenerativas comuns para a idade, que fazem parte do processo natural de envelhecimento do nosso corpo, assim como o aparecimento de rugas na pele e cabelos brancos. 

Porém, os pensamentos catastróficos, que insistem em aparecer, alimentam as crenças:

“Tenho uma coluna de uma pessoa de 100 anos”

“Minha coluna é frágil, por isso, não posso me movimentar muito”

Estudos mostram que pessoas que associam sua dor aos achados de imagens sem importância clínica, ou seja, sem relação com a dor, podem dificultar a sua recuperação, porque contribuem com comportamentos associados ao desenvolvimento de dores persistentes. 

Essa ideia não se limita à coluna, mas ao corpo todo.

Movimentando

A ciência vem mostrando que o nosso corpo não é frágil e que movimentar não machuca. 

Ao contrário, parece ser o caminho para se livrar não só das dores físicas. Pois, além dos benefícios de melhorar força, flexibilidade e equilíbrio, o exercício também demonstra ter eficiência sobre o nosso cérebro, que age, quando bem estimulado, como se fosse uma “farmácia interna”. 

O cérebro produz “substâncias químicas boas” que tem um efeito calmante sobre o sistema de alarme, desligando as mensagens nervosas na área dolorosa e causando melhora, além da dor, no estresse, sono, ansiedade, memória, concentração, imunidade e muitos outros benefícios.

Boas notícias, não é mesmo?

Hoje existe um apelo para que as pessoas aprendam a educação em dor. 

O entendimento da dor, baseada na ciência, parece ser um caminho interessante no tratamento das dores persistente, ao quebrar mitos e crenças, transformam o medo e a insegurança em coragem e enfretamento. 

Isso é fundamental para ocorrer a confrontação do problema e diante da experiência de dor, a pessoa ficar mais ativa precocemente, entendendo que isso vai passar, aumentando as chances de recuperação e, principalmente, melhorar a qualidade de vida.

Fisioterapeuta (Crefito 3/57844-F), dedicado a ajudar pessoas, focado no entendimento do ser humano, do movimento e da dor. Atuação na Clínica de Fisioterapia Ceortem, em Pirassununga-SP, graduado pela Universidade Metodista de Piracicaba em 2004, pós graduação lato sensu: Terapia Manual e Postural (2006/08) Centro Universitário de Maringá) e Acupuntura – (2010/12) Centro Universitário Hermínio Ometto). Formação em Osteopatia pela Escuela de Osteopatia de Madrid (2013/2017) e com título de profissional especialista em Osteopatia pelo Conselho Federal de Osteopatia, membro da Associação Brasileira de Osteopatia e Fisioterapeuta com formação em Posturologia, avaliação e confecções de palmilhas personalizadas. Exame de Baropodometreia (Teste da Pisada)