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Sombras de junho

Sou o primeiro de uma sequência de textos livres...

Muitas experiências intensas e profundas me visitaram em junho de 2024.

Yule realmente havia chegado!

O Sabbat da introspecção e das profundezas, combinado com o nível de consciência que alcancei até o presente momento, trouxe à tona sombras internas difíceis de enfrentar.

Sinto que esses períodos sempre estiveram presentes ao longo da minha existência, mas só agora os vivencio com tamanha presença e percepção.

Tenho passado por vivências que me proporcionam um encontro comigo mesma e, ao mesmo tempo, um distanciamento da minha persona, construída com tantos traumas e tanto esforço por afeto.

Afetos vindos de qualquer lugar, de outras personas, conectando-se com questões profundas enraizadas no meu ser. Além da necessidade de carinho, surge também a carência de aceitação.

Pois é, não basta essas pessoas quaisquer apenas amar; é preciso me aceitar (tudo isso de forma neurótica e hoje, mais consciente).

Minha persona ferida conhece bem a diferença entre essas duas sombras, que agora não residem apenas no plano inconsciente. Talvez seja até inadequado chamar-lhes sombras, pois algum estudioso junguiano poderia questionar a precisão conceitual. No entanto, me afeiçoei à palavra e a entendo como algo que já foi revelado, mas que se esconde novamente diante de qualquer deslize instintivo.

E assim tenho passado meu Outono/Inverno deste ano, muitas vezes de maneira dolorosa e desajeitada.  

A influência das estações é inegável para mim, agora que abracei completamente minha persona de feiticeira e bruxa; é impossível “desver”, um neologismo que tenho usado frequentemente nesta última semana.

Cada situação carrega consigo um simbolismo digno de reflexão.

Não vou negar que às vezes isso me cansa, e acredito que também posso cansar as pessoas, mas é algo que foge do meu controle consciente.

Tudo é passível de análise, tudo é simbólico, e há as sincronicidades.

Assim, vivo as sombras de junho.

Sou Luiza Castro, uma canceriana em constante evolução, enfermeira apaixonada e incansável estudiosa da complexidade da saúde mental humana. Com um doutorado em ciências da saúde e especialização em saúde mental, meu propósito vai além da simples troca de conhecimento: anseio ser uma força transformadora através da escrita. Minhas palavras são profundamente inspiradas por minha própria experiência e jornada, pois acredito que a verdadeira mágica reside nelas — capazes de curar, inspirar e conectar. Em cada texto, busco catalisar mudanças profundas, guiando aqueles que cruzam meu caminho em uma jornada de autodescoberta e empoderamento. Estou comprometida em criar um espaço acolhedor, onde a saúde mental não é apenas uma discussão, mas uma vivência poderosa que nos une e nos fortalece. Por meio da minha escrita, transformo histórias individuais em trilhas de esperança e renovação, pois sei que juntos podemos construir um futuro mais saudável e consciente.