

Muitas experiências intensas e profundas me visitaram em junho de 2024.
Yule realmente havia chegado!
O Sabbat da introspecção e das profundezas, combinado com o nível de consciência que alcancei até o presente momento, trouxe à tona sombras internas difíceis de enfrentar.
Sinto que esses períodos sempre estiveram presentes ao longo da minha existência, mas só agora os vivencio com tamanha presença e percepção.
Tenho passado por vivências que me proporcionam um encontro comigo mesma e, ao mesmo tempo, um distanciamento da minha persona, construída com tantos traumas e tanto esforço por afeto.
Afetos vindos de qualquer lugar, de outras personas, conectando-se com questões profundas enraizadas no meu ser. Além da necessidade de carinho, surge também a carência de aceitação.
Pois é, não basta essas pessoas quaisquer apenas amar; é preciso me aceitar (tudo isso de forma neurótica e hoje, mais consciente).
Minha persona ferida conhece bem a diferença entre essas duas sombras, que agora não residem apenas no plano inconsciente. Talvez seja até inadequado chamar-lhes sombras, pois algum estudioso junguiano poderia questionar a precisão conceitual. No entanto, me afeiçoei à palavra e a entendo como algo que já foi revelado, mas que se esconde novamente diante de qualquer deslize instintivo.
E assim tenho passado meu Outono/Inverno deste ano, muitas vezes de maneira dolorosa e desajeitada.
A influência das estações é inegável para mim, agora que abracei completamente minha persona de feiticeira e bruxa; é impossível “desver”, um neologismo que tenho usado frequentemente nesta última semana.
Cada situação carrega consigo um simbolismo digno de reflexão.
Não vou negar que às vezes isso me cansa, e acredito que também posso cansar as pessoas, mas é algo que foge do meu controle consciente.
Tudo é passível de análise, tudo é simbólico, e há as sincronicidades.
Assim, vivo as sombras de junho.
