
Conhecer o trabalho da artista joalheira Cléli Melatto foi reencontrar a arte em seu estado mais puro: aquela que nasce de um território real, de um povo vivo e de uma ancestralidade que continua pulsando no presente.
Cléli não cria apenas joias, ela cultiva narrativas. E cada peça é semente, raiz e travessia.
Em novembro de 2025, sua arte cruzará fronteiras e chegará à New York City Jewelry Week, uma das maiores vitrines mundiais da joalheria contemporânea, onde participará ao lado do Coletivo Farei Joias Adeguimar Arantes.
O tema da mostra, “Transumância”, explora as travessias humanas, culturais e ambientais, e encontra em Cléli uma interpretação profundamente brasileira e necessária.

A transumância de Cléli: quando a arte acompanha o povo que cultiva a resistência
A transumância, movimento sazonal de pessoas e rebanhos em busca de sustento, é transformada pelo coletivo em metáfora das travessias humanas.
Cléli escolhe caminhar junto aos povos quilombolas da Serra do Espinhaço, cuja sobrevivência depende de técnicas ancestrais de cultivo, respeito ao território e resistência diante da aridez do solo.
A artista se debruça sobre a mandioca, raiz que sustenta corpos e culturas há séculos, símbolo de permanência e força.
Das folhas da mandioca, ela extrai linhas, texturas e movimentos para criar joias em prata rústica, que carregam a potência do Cerrado de Minas Gerais, um bioma resistente, resiliente e profundamente ameaçado.
Arte como memória viva: sementes, cuidado e continuidade

Em sua pesquisa, Cléli também destaca os bancos de sementes, prática quilombola que preserva biodiversidade, garante comida no futuro e impede que a monocultura destrua tudo ao redor.
Essas sementes guardadas e cuidadas se transformam, em suas mãos, em joias que celebram:
- a diversidade como força,
- o território como identidade,
- a ancestralidade como tecnologia,
- e o cuidado como ato político e poético.
Cléli cria uma joalheria que não se desgasta com o tempo: ela se enraíza.
Sobre a artista

Cléli, nascida em Penápolis (SP), vive em São José dos Campos desde 2003.
É formada em Moda pela UNIVAP.
Integra o Coletivo Farei Joias Adeguimar Arantes, onde desenvolve pesquisas em joalheria de arte contemporânea.
Exposições recentes:
- IV Bienal Latinoamericana de Joyería Contemporánea — Buenos Aires (2024)
- I Salão Latino-Americano de Joalheria Contemporânea — São Paulo (2025)
Sua participação em Nova York é mais um passo natural para quem entende a joia como linguagem, território e gesto de permanência.
Por que Comudsaber apresenta Cléli?
Porque acreditamos na arte que nasce do Brasil profundo, da terra, das comunidades invisibilizadas e das mãos que insistem em criar mesmo quando o solo é árido.
Cléli Melatto representa exatamente isso:
uma artista que transforma memória em metal, resistência em forma e ancestralidade em beleza.
É esse tipo de arte, viva, necessária, que faz pensar e sentir, que queremos mostrar ao mundo.
Contato para imprensa:
- Cléli Melatto – artista joalheira
- E-mail: clelimel@gmail.
- Instagram: @clelimelatto
- Site: www.clelimelatto.com.br
