
Antes de ensinar, quero me apresentar.
Durante muitos anos escrevi sobre empreendedorismo, liderança, administração, tecnologia, comportamento, cultura, espiritualidade, artes e cidadania. Quem acompanha meus textos talvez imagine que eu apenas estudei esses assuntos.
Na verdade, eu vivi grande parte deles.
Resolvi contar um pouco da minha história porque acredito que as pessoas também precisam conhecer quem escreve. Cada artigo nasce daquilo que aprendi, dos erros que cometi, das pessoas que encontrei e da forma como escolhi enxergar a vida.
Não escrevo apenas como administrador. Escrevo como alguém que nunca deixou de aprender.
Nunca aceitei aprender apenas uma coisa.
Sou formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e tenho pós-graduação pela USP. Esses cursos abriram muitas portas, mas jamais limitaram minha curiosidade.
Aprendi piano, violão, artes cênicas, artesanato, manipulação de flores e passei pelo universo da moda como aprendiz de designer porque diziam que minha criatividade fazia diferença.
Sempre que pude frequentei teatros, cinemas, shows, museus e exposições. Descobri cedo que conhecimento não mora apenas dentro das salas de aula.
Aprender se tornou um estilo de vida.
Criatividade sempre falou mais alto.
Nunca gostei de repetir fórmulas.
Primeiro procuro entender profundamente como algo funciona. Depois começo a imaginar maneiras mais simples, eficientes e criativas de fazer a mesma coisa.
Essa característica me acompanhou durante toda a carreira.
Desde o meu primeiro emprego trabalhei com tecnologia. Tenho orgulho de ter participado dos primeiros projetos que utilizavam planilhas eletrônicas, automações e programação dentro das empresas.
Mesmo assim, meu diferencial nunca foi a tecnologia. Meu verdadeiro trabalho sempre foi analisar, conectar ideias, inovar e encontrar soluções diferentes para problemas que pareciam não ter saída.
Foi exatamente essa forma de pensar que me levou a construir uma carreira de mais de trinta anos baseada em transformação, melhoria contínua e inovação.
Minha história também foi construída pelos desafios.
Nasci em uma família de classe média baixa e cresci no Brás, em São Paulo.
Enquanto estudava na FGV, convivia diariamente com colegas que tinham uma realidade financeira muito diferente da minha.
Também enfrentei outro desafio.
Sou bissexual e cresci em uma época em que quase ninguém falava sobre isso. Existíamos, mas permanecíamos escondidos pelo preconceito e pelo medo.
Passei por momentos muito difíceis, inclusive por um período de assédio que marcou profundamente minha vida.
Essas experiências poderiam ter me endurecido.
Escolhi outro caminho.
Escolhi viver a minha verdade.
Decidi ser feliz do meu jeito. Minha espiritualidade também encontrou um caminho muito simples.
Se Deus criou o ser humano, então Deus também me criou exatamente como sou.
Não preciso viver tentando agradar padrões que nasceram das pessoas quando eles deixam de refletir o amor, a dignidade e o respeito que acredito fazerem parte da essência divina.
Presto contas apenas a Deus.
Todos os dias procuro avaliar minhas atitudes.
Pergunto apenas se fui justo, respeitoso, bondoso e digno com as outras pessoas e comigo mesmo.
Essa simplicidade transformou minha maneira de viver.
Compartilhar conhecimento virou um propósito.
Percebi que aprender era maravilhoso. Ensinar era ainda melhor.
Foi assim que nasceu a ComudSaber.
Junto com grandes amigos, construí um espaço onde qualquer pessoa pode compartilhar conhecimento e aprender com outras pessoas.
Nunca acreditei que o saber pertence apenas às universidades ou aos especialistas.
Conhecimento pertence à humanidade.
Quanto mais pessoas compartilham aquilo que sabem, maiores são as oportunidades de transformação.
Cada projeto nasceu de um sonho.
A ComudSaber foi apenas o começo.
Também criei a Comunidade Vive, um espaço dedicado a conectar pessoas e valorizar profissionais que conheci ao longo da minha caminhada. Sempre acreditei que talento merece ser reconhecido e que boas pessoas precisam encontrar outras boas pessoas.
Outro projeto muito especial é o MetaZ.

Criei esse universo para falar sobre diversidade, respeito, amor-próprio e amor ao próximo. Quero mostrar que viver em uma sociedade verdadeiramente humana significa respeitar todas as pessoas.
Todos. Todas. Todis. Sem exceção.

Também nasceu desse propósito o Projeto Rudá.
Escolhi falar sobre os povos originários porque acredito que ainda conhecemos muito pouco sobre aqueles que estavam aqui muito antes de nós.
Para dar coerência a essa proposta, tomei outra decisão importante.
Resolvi publicar no projeto apenas textos escritos por mulheres.
Elas sempre tiveram muito menos espaço do que mereciam na produção do conhecimento. Quero que esse projeto também seja uma forma de ampliar essas vozes e reconhecer o valor que sempre tiveram.
Ainda sonho muito mais alto.
Tenho muitos outros projetos na cabeça.
Alguns já estão desenhados. Outros ainda aguardam o momento certo.
Hoje o maior desafio não é a falta de ideias. São os recursos.
Mesmo assim, nunca deixei que a falta de dinheiro fosse maior do que meus sonhos.
Aprendi que grandes projetos quase sempre começam pequenos.
Continuarei construindo cada um deles, um passo de cada vez.
Tenho certeza de que vou conseguir.
Quero mudar um pouco o destino dos meus textos.
Daqui para frente quero conversar ainda mais com quem possui menos oportunidades.
Quero falar de empreendedorismo, dinheiro, comportamento, tecnologia, cidadania, cultura, criatividade, espiritualidade, educação e de tudo aquilo que possa melhorar a vida das pessoas.
Não pretendo oferecer fórmulas mágicas. Quero compartilhar soluções simples que realmente funcionam.
Conheci pessoas extremamente inteligentes que nunca tiveram oportunidade de mostrar seu potencial.
Muitas vezes faltava apenas acesso ao conhecimento.
Acredito profundamente que uma ideia pode mudar uma família.
Uma família pode transformar uma comunidade.
Uma comunidade pode transformar uma cidade.
E tudo isso começa quando alguém decide compartilhar aquilo que sabe.
Um convite para caminhar comigo.
A ComudSaber nunca foi um projeto sobre mim.
Ela sempre foi sobre nós.
Se você sabe cozinhar, consertar, ensinar, cuidar, vender, criar, plantar, empreender, acolher ou simplesmente viveu experiências que podem ajudar outras pessoas, você já possui um conhecimento valioso.
Não guarde isso apenas para você. Compartilhe.
Doe um pouco do que aprendeu.
O conhecimento é um dos poucos bens que cresce quando dividimos.
Eu estou fazendo a minha parte. Espero encontrar muitas pessoas dispostas a fazer a delas.
Porque continuo acreditando na mesma ideia que deu origem a todos os meus projetos.
O saber pode mudar uma vida.
Quando é compartilhado, pode mudar o mundo.




