
Contemplo aos poucos,
Entre poços e fossas,
Meu templo em mofos.
Remorsos em poças.
Um exemplo que endossa
Meus ossos sem cascas.
Um amplo que esboça
Um dorso sem asas.
Eu grito e não vejo.
Eu escuto e não sinto.
Um atrito que almejo,
Um instinto extinto.
Só restrito o desejo
De um morto faminto,
Em estrito arejo
De um requinto recinto.
Me despeço e me laço
Numa corda em voltas
De um pescoço sem torso
Que transborda revoltas.
Me apago e me apego
Nas trocas de egos,
Num trago que lego
Para ocas de cegos.
Luan Bolito

