
O que os pais precisam saber para buscar soluções
As alergias alimentares podem se manifestar de diversas maneiras nas crianças, e nem sempre os sintomas são apenas digestivos ou cutâneos, como muita gente acredita.
Embora os sinais mais comuns incluam vômitos, diarreia, cólicas abdominais, inchaço, urticária e eczema, alguns alimentos também podem desencadear sintomas respiratórios, o que muitas vezes surpreende os pais.
Entre os sintomas respiratórios associados às alergias alimentares, destacam-se:
- Chiado no peito
- Dificuldade para respirar
- Tosse persistente
- Coriza
- Congestão nasal
- E, em casos mais graves, anafilaxia, que é uma reação alérgica sistêmica potencialmente fatal.
Por que isso acontece?
A explicação está no funcionamento do sistema imunológico.
Quando ele interpreta uma proteína alimentar como uma ameaça, desencadeia uma reação de defesa exagerada.
Nessa resposta, há liberação de substâncias inflamatórias como a histamina, que não afetam apenas o trato gastrointestinal ou a pele, mas também podem atingir as vias respiratórias, provocando broncoespasmo, aumento da produção de muco e obstrução nasal.
Esse processo pode agravar ou desencadear condições respiratórias já existentes, como a asma e a rinite.
Crianças com histórico familiar de alergias ou doenças atópicas (como dermatite atópica e rinite) estão mais suscetíveis a esse tipo de reação cruzada.
Dados que merecem atenção
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a American Academy of Allergy, Asthma & Immunology (AAAAI):
A alergia alimentar afeta entre 6% a 8% das crianças menores de 3 anos.
Em crianças com asma moderada ou grave, até 40% podem ter alergia alimentar como fator agravante das crises respiratórias.
Como investigar e tratar?
Se houver suspeita de que alimentos estão causando sintomas respiratórios, o primeiro passo é procurar um médico especialista, como um pediatra alergista ou imunologista.
O profissional pode solicitar:
- Testes cutâneos (prick test)
- Dosagem de IgE específica no sangue
- Testes de provocação controlada, quando necessário
O tratamento envolve a evicção alimentar (remoção do alimento causador), além do controle clínico das manifestações respiratórias.
Em casos mais complexos, o acompanhamento multidisciplinar com nutricionista e pneumologista pediátrico pode ser fundamental.
A importância da atenção precoce
Quanto mais cedo a alergia for identificada e manejada corretamente, maiores as chances de evitar crises, melhorar a qualidade de vida e até permitir a reintrodução gradual de certos alimentos com segurança.
Dica:
Alergia alimentar não é apenas sobre o que a criança come, mas também sobre como o corpo dela responde.
Se algo parece estranho no comportamento respiratório após uma refeição, isso pode ser um sinal importante.
Fique atento, observe, converse com seu pediatra e cuide da saúde respiratória do seu filho com carinho e conhecimento
