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Viajar de Verdade

Viajar, para mim, nunca foi apenas conhecer monumentos ou tirar fotos dos cartões-postais que todos conhecem.

Claro, isso também faz parte da experiência.
Ir aos lugares famosos, caminhar pelas ruas históricas, visitar os pontos turísticos… tudo isso é bonito, necessário e muitas vezes emocionante.

Mas, para mim, viajar de verdade começa quando a gente atravessa essa primeira camada.

Viajar é quando você começa a perguntar:

  • Onde as pessoas que moram aqui gostam de ir?
  • O que elas comem no dia a dia?
  • Que música elas escutam?
  • Onde elas riem, conversam e celebram a vida?

É nesse momento que o destino deixa de ser um cenário e passa a ser uma experiência viva.

E algumas das minhas viagens me ensinaram exatamente isso.

Já viu como pode ser bonito o teto do avião que está viajando se olhar sobre outro prisma?

Pipa: o prazer simples de ver o sol cair

Em Pipa, no Rio Grande do Norte, uma das coisas mais bonitas que descobri não está em nenhum roteiro turístico sofisticado.

É algo muito simples.

Sentar no final da tarde na praia com amigos, pedir um drink e assistir ao sol desaparecer no horizonte.

É uma cena comum para quem mora ali.
Mas quando a música ao vivo começa a tocar e as pessoas começam a conversar, rir e brindar o final do dia… a experiência ganha outra dimensão.

Pipa tem muitas opções assim.
Pequenos lugares, cheios de gente feliz, música boa e aquela sensação de que a vida pode ser leve quando a gente aprende a desacelerar.

Porto Seguro: quando a surpresa vira memória

Porto Seguro é conhecido pelo turismo intenso.

Mas basta caminhar um pouco fora das rotas mais óbvias para descobrir lugares deliciosos e inesperados.

Uma vez entrei em um pequeno bar e, para minha surpresa, quem estava tocando piano era Cida Moreira.

Em outra noite, vi Luiz Caldas tocando e as pessoas dançando com uma alegria contagiante.

No Arraial d’Ajuda, também não é difícil encontrar uma roda de capoeira, uma cantoria ou um pequeno encontro musical sem grandes multidões, mas com uma qualidade artística impressionante.

São momentos que não estavam no roteiro.

E talvez exatamente por isso se tornaram inesquecíveis.

Aracaju e João Pessoa: quando a felicidade aparece em coisas simples

Essas cidades não são badaladas no tursimo, mas suas águas transparentes, suas piscinas naturais são lindas.

Mas uma das imagens mais marcantes que guardo dali não tem nada de turístico.

Foi numa tarde de meio de semana.

A praia estava tranquila, sem multidões, sem pressa, sem barulho excessivo.
E de repente o céu começou a se encher de cores.

Eram crianças empinando e vendendo pipas.

Dezenas delas correndo pela areia, rindo, disputando qual pipa subiria mais alto, enquanto o vento do mar fazia seu trabalho silencioso.

Era simplesmente a vida acontecendo.

E naquele momento percebi algo muito bonito:
quem consegue ficar um pouco mais no destino, quem desacelera o ritmo da viagem, quem observa com calma…

acaba descobrindo pequenas cenas que são verdadeiros festivais de beleza.

Não a beleza construída para fotografias.

Mas a beleza espontânea de quem pertence àquele lugar.

O verdadeiro sentido de viajar

Viajar, no fundo, é isso. Não é apenas mudar de cidade ou de país.

É mudar de olhar.

Voc~e já fez fotos simples, lindas e que podem encantar?

É perceber que cada lugar tem sua música, seu ritmo, ah! cada um dos seus sabores e suas histórias.

E que o verdadeiro privilégio de viajar não está em mostrar que estivemos em um lugar…

Mas em sentir como é viver ali, mesmo que por algumas horas.

Talvez por isso eu goste tanto de viajar.

Porque cada viagem me lembra que o mundo é imenso, diverso e cheio de pessoas incríveis.

E que, no final das contas, conhecer um lugar é também conhecer melhor a nós mesmos.

Finalizo dizendo, olhe mais para o céu: