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Surfando do Ceará a Santa Catarina

Praias, ondas e surfe

O surfe é um esporte muito lindo, sou muito grato por praticá-lo. 

– Obrigado Deus.  

– Tudo começou com o amor dos meus pais pela Natureza.

Desde muito cedo, me levavam à praia: Era um programa de família, eu, meus pais e meus irmãos.  

– Tenho belas lembranças desse tempo!

– Haja banho de mar! 

– Nas minhas memórias da infância, o mar sempre está presente, que bênção! 

Íamos para a Praia do Futuro, Taíba, Caponga, Paracuru, Lagoinha, Pecém, pedacinhos de céu na terra, mas a mais especial dessas sempre foi a nossa querida Taíba. Ficávamos na casinha da Preta e nela vivemos momentos memoráveis, fizemos amizades para a vida toda, vimos pores do sol inesquecíveis das dunas, brincamos de skibunda, de esconde-esconde, de correr em cima dos muros e surfamos ondas inesquecíveis.

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Pico secreto. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

Taíba

Taíba é um dos melhores picos do Ceará para o surfe. É super tradicional! Os melhores lugares para surfar lá são o Morro do Chapéu, Taibinha, Pesqueira e Brilho da Lua. 

Foi lá que dei meus primeiros passos nesse esporte maravilhoso, pois meu pai pegava onda de peito, o famoso jacaré, fui observando e achando legal, e fui pegando o jeito.

Lembro de duas baterias inesquecíveis que fizemos juntos, eu, ele e meu irmão, uma foi na Taíba e outra na Lagoinha. Tinham altas ondas!

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 Na paradisíaca e amada Taíba. Foto: Rafaela Carvalho Santiago

Luquinhas

Enquanto isso, meu primo Luquinhas já estava surfando e era um alucinado pelo esporte (ainda é). 

Lembro muito das suas estórias sobre o surfe, suas aventuras, as baterias, os picos, a busca pelo mar perfeito, os swells. Eram estórias teatrais e muito engraçadas. Ele incorporava o surfista e atuava falando alto, usava um monte de gírias fazendo os sons das ondas com a boca, dando batidas nas paredes e nas portas. Era hilário! 

– A gente fala que ele tem a doença do surfe, é uma doença pra poucos, mas quem é da área sabe identificar quem tem essa doença rara. 

– Ele é uma cara que eu sempre admirei, provavelmente como um irmão mais velho. Eu gostava do jeito dele falar, de se vestir, das músicas que ele escutava, as revistas de surfe que ele colecionava com muita paixão e me mostrava com um brilho no olhar, 

– Aquele negócio de surfe foi me chamando mais atenção.

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Com meu querido primo Luquinhas, meu primeiro herói do surfe. Floripa, SC. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

A prancha

Naquele tempo, meu amigo Gabriel comprou uma prancha por influência do seu irmão mais velho que surfava. 

Devido à amizade das nossas mães e nossas idas à praia juntos, o surfe aconteceu. Seu irmão comprou uma prancha nova e me deu a velha para começar e, a partir daí, nossa vida mudou. Era o começo de uma grande amizade e uma bela estória de amor com esse esporte. 

Só podíamos surfar nos fins de semana por causa do colégio e ficávamos a semana inteira nos ligando para falar de surfe, muito ansiosos para a chegada do sonhado sábado.

Quando chegava o dia, era só alegria. De manhã cedinho, a tia Ana, mãe dele, passava lá em casa com seu Celtinha vermelho e nos levava para surfar na Praia do Futuro. 

Fomos aprendendo e evoluindo a cada fim de semana, crescendo e nossos pais começaram a nos liberar para irmos por conta própria. Pegávamos o ônibus e íamos felizes da vida. Foi lá que aprendemos a surfar e vivenciamos nossos primeiros anos no esporte. Os primeiros anos são sempre especiais. 

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Voando na minha querida Praia do Futuro. Fortaleza/CE. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

Os amigos e o surf

E foi chegando mais gente: o meu amigo, David, Léo, meu irmão Artur, meu primo André, nosso amigo Vitinho. Formamos uma turma muito boa para compartilhar ondas e sonhos.

É sempre melhor surfar com os amigos do que sozinho, sonhamos muito da Praia do Futuro, com viagens para picos incríveis de surfe e aos poucos isso começou a acontecer.

Alguns dos amigos foram tirando a carteira de motorista e começamos a ir a praias diferentes, mesmo que fosse uma praia vizinha à nossa, ir surfar no Icaraí ou no Pico das Almas, praias bem próximas à Fortaleza, era como viajar para a Austrália.

Lembro muito da sensação boa que era acordar de madrugada para ir surfar, o Léo passava lá em casa com sua Santana Quantum, a gente nem dormia direito, adrenalizados e ansiosos. O caminho era sempre de muita risada, som na caixa e de muita fissura para pegar boas ondas. 

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Surfe com o meu irmão Artur. Pipa, RN. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

O surfe virou um hábito, uma necessidade biológica. Passamos a surfar em todos os picos de Fortaleza e nos vizinhos também, continuamos a surfar na nossa querida Praia do Futuro e na Diários, um pico, onde o surfe acontecia ao lado de um pequeno navio encalhado. Hoje essa onda não existe mais devido às obras gananciosas do mercado imobiliário.

Surfamos na Praia do Náutico, Jaqueline, onda de calibre internacional, onde o grande surfista Messias Félix dava show, porém também não existe mais devido à expansão das obras na Beira Mar. 

Mas o surf no Titãzinho, pico altamente tradicional e um berço de muitos campeões, como a TIta Tavares, Pablo Paulino, Fábio Rodrigues, entre outros. Surfamos no Portão, uma esquerda super forte e divertida, no Vizinho, pico ao lado do Titã e uma marola super legal.

A incrível Praia Mansa, a onda proibida, por ser uma área da marinha, porém onda super tentadora, por formar o tubo mais perfeito do Ceará. Foi lá onde peguei meus primeiros tubos perfeitos, de nível internacional, tubos de verdade, longos, rápidos e profundos, foi onde aprendi a pegar tubos, levamos muita carreira de polícia por surfar nessa onda, fomos expulsos, apanhamos, entramos escondidos, nadamos quilômetros pra conseguir pegar essa onda sem ter que passar pelos guardas do porto, pegamos dias com muita gente surfando e dias com ninguém no pico, um sonho.

Tudo valia a pena para surfar lá, hoje está mais tranquilo, a galera já libera mais para os surfistas, é um lugar mágico com um pôr do sol maravilhoso!

Primeira surf trip

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Minha melhor imagem já registrada. Poço da Draga, Fortaleza/CE. Foto: Rafaela Carvalho Santiago. 

Em 2009, fizemos nossa primeira e tão sonhada surf trip, viajamos com o grupo Surfistas de Cristo, grupo muito bacana da Igreja IBC, que meu amigo Gabriel frequentava, foi ele que me convidou para começar a participar também.

Todos os anos o grupo fazia essa viagem maravilhosa no mês de julho, o Gabriel já tinha ido uma vez, me falou que era imperdível. 

Fechamos o trio: eu, Léo e Gabriel. Fomos realizar esse sonho. 

Viajamos durante oito dias e os picos foram: Praia da Pipa, no RN, Praia do Francês, em Alagoas e Praia de Maracaípe e Porto de Galinhas, em Pernambuco. A viagem foi simplesmente incrível, altas ondas, galera muito gente boa, ônibus super divertido, pousadas gostosas, visuais incríveis, temporada de onda no ápice e as maiores ondas que tínhamos surfado e visto até então. 

A sensação de surfar dois dias num lugar incrível e acordar em outro lugar incrível para surfar de novo era fantástica, foi algo memorável. 

Até hoje lembramos com muito carinho dessa trip. 

Pipa

Foi a partir daí, que meu amor por Pipa começou. Lembro que eu ficava desconcentrado no surfe, apreciando tamanha beleza num lugar só, eu pirei naquela Praia do Amor, quanta grandeza! 

Viva a Mãe Natureza!

Depois dessa viagem, tive a certeza de que queria surfar pro resto da vida. 

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Dia de altas ondas na Pipa, Rio Grande do Norte. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

Santa Catarina

O surfe continuou fluindo, no final de 2013 fiz uma viagem de carro com minha namorada Rafa e meu irmão Artur para Santa Catarina, foi memorável! 

Cruzamos o país, parando em cada estado do caminho e, buscando as cidades com boas ondas, surfamos na praia de Maracaípe, Pernambuco, na praia do Francês, Alagoas, em Salvador, Bahia, na Barra do Jucu, Espírito Santo, em Saquarema e Búzios, Rio de Janeiro, na praia do Guarujá e Maresias, São Paulo, e em várias praias de Santa Catarina: praias de Floripa e Praia do Rosa. 

Tudo isso foi acompanhado de muita música, conversas na estrada, visuais maravilhosos desse Brasil, pousadinhas legais, encontros com familiares pelo país, despedidas, novas amizades, novas culturas, aprendizados e mais abertura para a mente. Viva o surfe! 

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Um dia clássico na Praia Brava, Itajaí. Santa Catarina. Foto: Rafaela Carvalho Santiago.

Venha surfar em Fortaleza

Para quem quer surfar em Fortaleza e nos picos vizinhos, sejam bem-vindos, mas cheguem com respeito.

Pesquise um pouco sobre o lugar antes de ir, quando chegar ao pico busque informações com um surfista que tenha experiência no local. 

Fique atento para todas as dicas de segurança, principalmente se você é um surfista aprendiz. 

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Aos que já surfam, continuem praticando esse esporte lindo com muita paz e respeito aos seus limites e à Natureza, sempre lembrando que ela é maior e mais forte do que nós.

Aos que estão aprendendo, não desistam, principalmente no primeiro ano que é o mais difícil.

Vocês verão que é um esporte que vale muito a pena e é capaz de fazer vocês muito felizes e saudáveis fisicamente e mentalmente.


Aloha.

Conheça algumas das mais belas praias!