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A Inteligência Artificial não faz milagres. Mas uma boa pergunta pode fazer maravilhas!

Quando uma resposta impressionante não resolve nada

Imagine que você tenha uma pequena empresa e esteja preocupado com a queda nas vendas.

Você abre uma ferramenta de Inteligência Artificial e escreve: “Preciso vender mais. O que devo fazer?”

Em poucos segundos, recebe uma lista de sugestões.

Criar promoções. Investir nas redes sociais. Melhorar o atendimento. Oferecer descontos. Fazer parcerias.

Tudo parece razoável.

Mas será que alguma dessas respostas resolve seu problema?

Talvez.

O que a IA ainda não sabe é por que suas vendas caíram, quem são seus clientes, quais recursos você possui e quais dificuldades enfrenta.

Ela não sabe se o problema está no preço, na qualidade, na concorrência, na localização ou no atendimento.

E, sem essas informações, suas sugestões podem ser genéricas.

Uma resposta rápida não é necessariamente uma boa solução.

O que é um prompt?

Prompt é a instrução que fornecemos a um sistema de Inteligência Artificial.

Pode ser uma pergunta, uma solicitação, um conjunto de orientações ou uma combinação de textos, imagens e outros materiais.

Em linguagem simples, é a maneira como explicamos à máquina aquilo de que precisamos.

Mas existe algo que considero ainda mais importante do que aprender a escrever prompts.

Precisamos aprender a compreender o problema antes de formular o pedido.

Essa é uma lição que trago de décadas trabalhando com planejamento, gestão, tecnologia e análise de informações.

Primeiro: quem precisa da solução?

Uma das perguntas mais importantes que aprendi a fazer é:

Quem

é o demandante?

está solicitando o trabalho?

utilizará o resultado?

será afetado pela decisão?

Uma explicação sobre fluxo de caixa para um especialista em finanças não deve ser igual àquela preparada para alguém que começou a vender salgados em casa.

O conceito pode ser o mesmo.

Mas a linguagem, os exemplos e a profundidade precisam considerar quem receberá a informação.

Isso vale para um relatório, um aplicativo, uma campanha publicitária e também para uma resposta de IA.

Segundo: compreenda o cenário

Nenhum problema existe isoladamente.

Antes de propor soluções, precisamos conhecer o ambiente em que estamos trabalhando.

Gosto de observar três elementos:

Problemas: o que está impedindo o resultado desejado?

Oportunidades: quais possibilidades podem ser aproveitadas?

Ameaças: quais fatores podem comprometer o negócio ou a decisão?

Imagine duas empresas com queda de 15% nas vendas.

A primeira perdeu clientes porque um concorrente abriu na mesma rua.

A segunda está enfrentando reclamações relacionadas à qualidade dos produtos.

O indicador é semelhante.

Mas as causas e as soluções podem ser completamente diferentes.

É por isso que o contexto importa tanto.

Terceiro: não tenha medo das ideias aparentemente absurdas

Sempre gostei de trabalhar com brainstorming, uma técnica que estimula a criação de ideias sem julgamentos prematuros.

Em uma primeira etapa, buscamos possibilidades.

Somente depois avaliamos custos, riscos e viabilidade.

A Inteligência Artificial pode ser uma excelente parceira nesse processo.

Em vez de solicitar apenas a solução mais comum, podemos pedir alternativas tradicionais, criativas e até pouco convencionais.

Talvez uma ideia aparentemente absurda contenha o elemento que faltava para construir uma solução inovadora.

Naturalmente, isso não significa aceitar qualquer sugestão.

Significa permitir que a criatividade aconteça antes de selecionar o caminho.

Quarto: simplifique!

Tenho uma convicção que procuro aplicar em praticamente tudo:

Complicar não demonstra conhecimento. Muitas vezes, demonstra que ainda não compreendemos o suficiente.

Não precisamos utilizar uma linguagem sofisticada para conversar com a IA.

Precisamos ser claros.

Compare estas duas solicitações.

Pedido 1:

“Crie um plano para aumentar minhas vendas.”

Pedido 2:

“Tenho uma pequena empresa de alimentação que atende trabalhadores de escritórios próximos. Minhas vendas caíram 15% nos últimos três meses. Tenho poucos recursos para investir e preciso recuperar clientes. Antes de sugerir ações, identifique quais informações faltam. Depois apresente cinco alternativas de baixo custo, com vantagens, riscos e indicadores para acompanhar os resultados.”

Percebe a diferença?

O segundo pedido não utiliza palavras difíceis.

Ele apresenta o negócio, o problema, o cenário, os recursos disponíveis e o resultado esperado.

Isso aumenta a possibilidade de receber sugestões realmente úteis.

Cinco elementos que melhoram qualquer conversa com IA

Quando estou trabalhando com uma ferramenta, procuro esclarecer:

1. Quem precisa da resposta? O demandante e o público.

2. Qual é o cenário? As condições, dificuldades e oportunidades.

3. O que desejamos alcançar? O objetivo.

4. Quais limites devemos respeitar? Tempo, recursos, regras e informações disponíveis.

5. Como saberemos se funcionou? Os critérios de avaliação.

E acrescento um cuidado fundamental: sempre revisar as respostas.

A IA pode errar cálculos, interpretar informações inadequadamente e até apresentar fatos inexistentes.

Por isso, precisamos conferir aquilo que será utilizado em decisões importantes.

Também devemos proteger informações pessoais, dados confidenciais e conteúdos que não temos autorização para compartilhar.

Aprenda a conversar, não apenas a comandar

Uma das características mais interessantes da IA generativa é a possibilidade de desenvolver uma conversa.

Podemos pedir uma primeira proposta, avaliar, corrigir, acrescentar informações e solicitar novas versões.

Não precisamos aceitar a primeira resposta.

Podemos perguntar:

  • “Por que você sugeriu essa alternativa?”
  • “Quais são os riscos?”
  • “Que informações ainda faltam?”
  • “Existe uma solução mais simples?”
  • “Como posso verificar se esses dados estão corretos?”

Essas perguntas ajudam a transformar uma interação superficial em um processo de aprendizagem.

Mas é importante lembrar: mesmo quando a IA explica sua resposta, suas justificativas também precisam ser avaliadas.

A tecnologia começa com uma boa pergunta

Durante muitos anos, aprendemos a operar máquinas por meio de comandos, programas e linguagens específicas.

Hoje, podemos utilizar nossa própria linguagem para interagir com sistemas cada vez mais sofisticados.

Isso é extraordinário.

Mas a facilidade de conversar com a máquina não elimina a necessidade de pensar.

Pelo contrário.

Quanto mais acessível a tecnologia se torna, mais importante é nossa capacidade de compreender necessidades, formular perguntas e avaliar resultados.

O segredo não é aprender a impressionar a Inteligência Artificial. É aprender a explicar com clareza aquilo que realmente precisamos.

Quer experimentar na prática?

No dia 20 de outubro de 2026, às 20h, estarei com a RNB Cursos no workshop online “A Inteligência Artificial não é o futuro, é o agora”.

Vamos conversar sobre nossa relação com a tecnologia, compartilhar experiências e demonstrar como a IA pode apoiar atividades pessoais e profissionais.

Todos os inscritos receberão meu novo e-book “A tecnologia evolui. E nós? — IA, Vivências e Experiências”, que inclui conceitos fundamentais, orientações para elaborar prompts e sugestões de aplicações práticas.

O encontro será realizado pelo Google Meet, com certificado e gravação de acesso vitalício para os inscritos.

Inscrições: https://pag.ae/82ezyg64n

Informações: (21) 97199-8709

Será um prazer compartilhar essa experiência com vocês!