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Make-up e Filtros

Essa sou Eu?

Maquiagem – Make-up

Durante muito tempo, eu só me sentia bonita quando estava maquiada. 

Lembro de quando morava no Brasil e ia para praia com minhas amigas… se a gente fosse pra uma barraca mais “derrubada” (onde dificilmente encontraríamos conhecidos) eu não fazia questão de passar maquiagem, mas se fosse pra uma barraca mais badalada, aonde todo mundo ia, aí tinha que passar pelo menos um corretivo, pó, blush e rímel. Aquela make bem “natural” (que de natural não tem nada).

Já recusei saídas porque não estava maquiada e não tinha as minhas maquiagens comigo, já usei cílio postiço na praia, já tive inúmeras alergias por causa da minha pele sensível, mas continuei me maquiando do mesmo jeito, mesmo com a pele super irritada.

Vejam, eu não vou mentir, me sinto mais bonita maquiada!

A pele fica mais uniforme, a gente fica mais coradinha, mais dentro do padrão estético. 

Porém, durante o meu processo de autoaceitação, eu comecei a perceber o quanto é problemático depender disso para me sentir confortável com a minha imagem.

Claro, como boa problematizadora que sou, também percebo o quanto é machista essa percepção de que uma mulher sem maquiagem é desleixada, não se cuida, enquanto o alecrim dourado do homem pode ostentar a sua pele natural sem medo de ser taxado de descuidado.

Essas dicas não são uma tentativa de cancelar o uso de make-up e muito menos de julgar quem usa – até porque eu mesma continuarei usando de vez em quando – mas um convite para que a gente reflita sobre todas essas imposições e crenças limitantes que a sociedade incute nas mulheres.

Maquiagem pode ser uma ferramenta incrível, só temos que tomar cuidado para não ser mais uma forma de opressão.

Filtros

O que os filtros estão fazendo com a gente? 

Segunda-feira é o dia internacional do cansaço. 

Olheiras marcadas, o bigode chinês parece mais vincado que o normal, cérebro sem funcionar direito, mas lá fui eu gravar uns stories

Abri a câmera e tomei um susto com a minha cara de “acordei assim” da vida real; sem maquiagem, sem filtro, só eu e as minhas “imperfeições”. ⠀

O meu primeiro impulso foi procurar logo um filtro pra dar uma amenizada no estrago, pois trabalho com imagem e não posso parecer “desleixada”. 

Procurei um daqueles que dão um aspecto meio vintage, mas – de quebra – deixam o rosto coradinho. 

Fico um pouco sem expressão e com um rosto de boneca? 

Talvez… mas, afinal, as pessoas não pagam rios de dinheiro em procedimentos estéticos pra ficar exatamente assim? 

E eu com a possibilidade de fazer o mesmo em apenas um clique!

Parece inofensivo, né? 

Quê que tem? 

Descansa militante, é só um filtro. 

O problema é quando a gente aperta o “X” sem querer e volta pra câmera normal. 

Meu Deus, eu tenho tanta olheira assim? 

Essa ruga não estava tão vincada! 

E essas manchinhas, surgiram de onde? 

Tô acabada, preciso de uma maquiagem ou de uma dermatologista pra começar a fazer um skincare urgente! ⠀

Quem nunca entrou nesse looping aí acima, que atire o primeiro sérum! 

Não acontece só com você, acontece com muita gente. 

Não é à toa que nessa era de filtros e maquiagem digital, o número de pessoas fazendo, cada vez mais, procedimentos estéticos venha aumentando assustadoramente. 

A gente se acostuma tanto a ver essa versão “melhorada” de todo mundo – e de nós mesmas – que o nosso rosto real já não é mais suficiente. ⠀

Por isso, lanço um desafio hoje nesse texto!

A minha intenção não é demonizar o uso dos filtros – inclusive continuarei usando – mas de mostrar que o nosso rosto real não precisa ser o tempo todo escondido, camuflado e muito menos “melhorado” por procedimentos estéticos que só deixam a gente mais pobre e igual a todo mundo. ⠀

BORA SE AMAR COM E SEM FILTRO?

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