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Palavras que escondo

Escrever é despir a alma — e liderar, muitas vezes, é permitir que essa vulnerabilidade se transforme em força.

Faz tempo que não escrevo.

Na verdade, não sei — ou talvez não reconheça — por que faço essas grandes pausas entre um texto e outro. Na minha cabeça, sempre há uma ideia, uma emoção, e eu penso: isso daria um texto, isso daria um poema.

O tempo todo é assim. Pensamentos que poderiam virar palavras, devaneios tão cotidianos que renderiam textos lindos… ou medíocres… ou ruins… mas, ainda assim, textos.

Mas a verdade é que não os escrevo.

Vou deixando passar. As ideias, os pensamentos, os textos que existiram na minha mente, mas nunca se concretizaram.

E então, hoje decidi escrever sobre porque não escrevo — ou, pelo menos, não tanto quanto gostaria.

Claro, eu conto estórias para mim mesma: esse texto precisa amadurecer, ainda não está bom; esse tema não é interessante — como se muitas pessoas fossem ler —; isso vai me expor, isso não é bom… e tantas outras infinitas possibilidades de narrativas, internas e externas, que me desafiam e me paralisam.

Interessante escrever sobre isso — penso agora, enquanto esse pensamento atravessa minha mente atormentada.

O que me parece, em um primeiro plano, é que há algo que muitas vezes me impede de colocar minhas ideias no mundo.

Algo inconsciente, talvez. Não sei. Mas, como a escrita sempre foi uma das minhas alternativas terapêuticas mais potentes, decidi escrever sobre isso — já sabendo que, a essa altura, estou ficando repetitiva. Esse texto vai ficar medíocre — outro pensamento que me atravessa.

Escrever é, de alguma maneira, eternizar as palavras.

Não fui eu quem escreveu isso, mas essa ideia faz um sentido absoluto na minha mente. E ao eternizar as palavras, as histórias, elas deixam de habitar apenas o mundo simbólico dos meus devaneios e passam a existir no concreto, no real. E isso, de alguma forma, me parece assustador.

Tenho uma quantidade de cadernos digna de uma papelaria de fundo de quintal. Então, penso agora: eu escrevo, sim. E muito.

São relatos que mais parecem diários de uma adolescente, são poemas disruptivos da realidade, são pensamentos, estudos, ideias… uma infinidade de escritos.

Ora, ora, Luiza… então você escreve, sim, mas esconde seus escritos. Danada!

Ao escrever essa parte do texto, me pego rindo de mim mesma, das minhas descobertas e da felicidade que a escrita me traz.

Escrever, para mim, é vida. É produção de vida. Sem escrever, a vida perde a cor.

Mas é justamente aí que mora a dificuldade: publicar meus escritos.

Esse é o impasse nesta linda manhã de sexta-feira de Carnaval — um dia quente, sem nuvens no céu, carregado da energia vibrante da festa pagã mais simbólica, pelo menos na minha perspectiva.

Adoro e me afundo na profundidade desses simbolismos sutis, espiritualistas.

Penso agora nas máscaras do Carnaval, que nos permitem ser quem quisermos sem nos mostrar em demasia. Talvez isso tenha conexão com este texto. Talvez seja por isso que escolhi um pseudônimo. E talvez seja por isso que fico contando estórias sobre isso.

A escrita nos deixa nuas, sem nenhum tipo de proteção. Leitores atentos podem enxergar coisas que nem nós mesmas vimos ainda. É por isso que gosto tanto de ler—o autor se expõe por inteiro, e consigo ver tanto deles em seus textos. Talvez seja justamente isso que me assuste.

Preciso, enfim, assumir minha essência—essa pessoa de verdade, cheia de falhas e potências.

Tão clichê isso, mulher… mas é a verdade. Tirar as máscaras, como se fosse simples nesse mundo de ilusão.

Talvez seja isso.

Preciso publicar mais.

Me expor mais.

Com todos os custos que isso tenha.

Preciso parar de esconder minhas palavras.