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A Maldição das Bruxas de Pedra

Dizem que, muito antes das velas dos navegadores rasgarem o horizonte de Florianópolis, quando a ilha ainda respirava em silêncio entre o céu e o mar, havia ali um círculo de poder antigo… mas confesso: ouvi uma versão um pouco diferente dessa história.

Foi minha prima Karla, que está em visita, quem trouxe esse novo sopro de mistério sobre as bruxas de Itaguaçu.

Movido por essa inquietação, mergulhei em pesquisas, dialoguei com a inteligência artificial e, entre o que se conta e o que se revela, decidimos registrar aquilo que descobrimos juntos, porque certas histórias não nascem para ficar guardadas, mas para atravessar o tempo.

Essas mulheres não eram chamadas de sábias.

Nem de curandeiras.

Eram chamadas… de bruxas.

Nos fragmentos de pergaminhos esquecidos, aqueles que não foram queimados pelo medo dos homens. conta-se que, na região hoje conhecida como Praia de Itaguaçu, existia um coven poderoso, reunido sob a lua cheia, onde as águas batiam nas pedras como se recitassem encantamentos ancestrais.

Ali, entre o sal e o silêncio, elas dançavam.

Seus rituais não eram feitos de maldade, mas de conexão.

Elas falavam com o mar… e o mar respondia.

Mas como toda história antiga, esta também carrega a sombra do desequilíbrio.

Conta-se que uma noite, diferente de todas, o vento não trouxe apenas o sussurro das ondas, trouxe também a inquietação dos homens.

Navegadores e invasores, temerosos do que não compreendiam, aproximaram-se com tochas, rezas e julgamentos.

O ritual

.

As bruxas sentiram

E naquele instante, o ritual mudou.

Logo, a dança se tornou invocação.

A invocação se tornou defesa.

E a defesa… se tornou destino.

A mais velha entre elas, aquela que carregava nos olhos a memória da própria ilha, ergueu os braços ao céu e pronunciou palavras que jamais deveriam ser ditas em voz alta.

Palavras que pediam à Terra aquilo que nenhum ser deveria pedir: permanência eterna.

O céu escureceu.

O mar se agitou.

E o tempo… parou.

Quando a luz voltou a tocar a areia, já não havia mulheres.

Não havia vozes.

Não havia dança.

Havia apenas pedra.

As pedras de Itaguaçu

Pedras espalhadas ao longo da costa, com formas que ainda hoje confundem o olhar mais atento.

Algumas parecem corpos curvados, outras lembram rostos voltados ao horizonte, como se ainda aguardassem algo… ou alguém.

Dizem os antigos pescadores que, em noites de lua cheia, quando o mar está inquieto e o vento sopra diferente, é possível ouvir sussurros entre as rochas.

Não são ecos.

São elas.

As bruxas de Itaguaçu.

Presas entre o mundo dos vivos e o mundo do invisível, eternizadas não como punição, mas como escolha, guardiãs de um segredo que jamais poderia cair nas mãos erradas.

E há quem diga mais,

Que cada pedra ali não é apenas memória.

É vigilância.

Pois o mesmo poder que foi invocado naquela noite,

ainda habita o lugar.

E talvez, apenas talvez, ele ainda esteja esperando

para ser despertado novamente.

Assinado nos ventos da ilha, por mãos que já não são de carne,

mas que ainda escrevem, na alma de quem ousa ouvir.