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A primeira gota se faz por meio da consciência

Começo meu texto com a frase de Madre Teresa de Calcutá… 

O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”

A importância do seu trabalho (Madre Teresa de Calcutá), em favor dos necessitados é conhecida mundialmente e esta frase que ela deixou, nos faz refletir sobre o que fazemos, em que podemos ajudar em relação ao próximo e em relação ao planeta, mesmo que através de pequenas ações.

Reconhecermos que fazemos parte de um todo, que estamos conectados com o planeta e com todos os seres vivos, é uma questão, que a princípio parece difícil de entender em termos práticos, pois temos uma visão de que o que nos atinge e o quanto atingimos, tem que estar próximo de nós. 

Avaliar os nossos atos diante das nossas ações e o quanto poderá atingir as pessoas, é um ato que precisamos levar em consideração sobre todos os aspectos. Sejam eles nas nossas relações com pessoas próximas ou, na vida de uma outra pessoa, que está do outro lado do planeta.

Mas como posso desenvolver esse olhar mais cuidadoso sobre algumas dessas questões relacionadas a minha vida, no meu dia a dia?

Trago algumas reflexões sobre a questão do consumismo, o que compramos e que, muito do que consumimos, geram lixo e o quanto isso pode estar comprometendo a qualidade da nossa vida, das outras pessoas e mesmo do planeta.

Consumir muito…

A nossa referência de vida foi sempre, a de obter coisas, independente de qual sua finalidade, e temos na nossa cultura, o descaso com o que isso irá gerar em termos de descarte, ou seja, do que será jogado fora como lixo. 

Neste momento, me veio a lembrança de uma entrevista que assisti do líder indígena Ailton Krenak. Ele comentou sobre em visita a uma aldeia indígena no Brasil, que ainda não tinha tido contato com os homens brancos e o líder dessa aldeia, muito curioso para saber o que acontecia além de suas fronteiras, perguntou ao Ailton como era o povo branco. Ele comparou como formigas, são muitos, muitos, assim como formigas, como estrelas no céu, espalhados por vários lugares. 

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O líder assustado novamente perguntou: 

E como fazem para se alimentar? 

Ailton, explicou que o homem branco utilizava vários recursos para se alimentar. 

Neste momento, o líder ficou pensativo assimilando toda informação e ao mesmo tempo querendo dar dimensão àquela realidade que acabara de receber. 

A última pergunta foi decisiva… 

E onde esse povo coloca todo o lixo dele? 

Para Ailton, essas duas últimas perguntas, foram as perguntas mais importantes que já ouviu e que todo ser humano deveria pensar sobre isso.

Quando assisti essa entrevista, fez todo sentido quanto ao que precisamos aprender sobre o que é viver de forma sustentável, em respeito ao ambiente em que vivemos. 

Não temos dimensão do lixo que produzimos e do que é feito a partir do momento que o caminhão do lixo passa em frente as nossas casas.

O Lixo

Segundo dados da Abrelpe – Associação Brasileira das empresas de limpeza pública e resíduos especiais, cada habitante produz em média 379 kg de lixo por ano e apenas 60% desse lixo tem destino adequado. 

Muito desse lixo produzido pode ser reaproveitado, evitando descarte indevido e contaminação. Para isso é preciso entender a diferença entre lixo e resíduo sólido. 

O lixo é realmente aquilo que não podemos reaproveitar como guardanapos de papel, papel higiênico, mas já os resíduos sólidos como garrafas, embalagens de produtos de limpeza, potes de cremes, xampus, tubos e canos, brinquedos, sacos, sacolas e saquinhos de leite, isopor, latas de ervilha, latinhas de alumínio, embalagens de papel, papelão, podem ser reutilizados ou mesmo reciclados. 

Reutilizável x Reciclado

Mas qual a diferença de reutilizável e reciclado? 

O material reutilizado é quando pegamos, por exemplo, uma embalagem de amaciante e dela fazemos uma pá para recolher a sujeira quando varemos nossa casa.

Já a reciclagem é quando uma latinha de refrigerante vazia chega na empresa de reciclagem e desfaz aquele material para fazer uma nova latinha de refrigerante.  

Infelizmente, não nos foi ensinado desde pequeno a ter noção dessa realidade, apesar de muitas crianças aprenderem na escola. 

Lixo, Recipiente, Reciclando

A questão é, como posso realizar na prática essa mudança de comportamento em relação ao lixo que produzo e fazer parte dessa “gota” que Madre Teresa nos deixa como exemplo de vida?

Acredito que o primeiro passo é saber se o que estamos comprando é realmente necessário e, se a quantidade desse produto é a que estamos precisando ou é exagero. Uma reeducação em relação ao nosso comportamento diante do que é essencial em nossa vida.

Uma vez que adquirimos uma série de produtos, podemos dar um destino certo em relação aos resíduos, dentro da nossa própria casa. 

Existem os resíduos úmidos e secos. 

As cascas de alimentos são consideradas resíduos úmidos e podemos usá-las misturando com terra, e no processo de decomposição, virar adubo para enriquecer de nutrientes a terra dos vasos que temos em casa. 

Em relação às embalagens, reserve uma sacola ou uma caixa para guardar esses materiais, de preferência limpos, e saiba se na sua cidade há pontos de coleta de materiais recicláveis ou  se tem dia específico no qual o caminhão de lixo coleta, só recicláveis. 

Muitas são as utilidades para esses materiais quando são destinados de forma correta, e devemos perceber que, de alguma forma nós podemos colaborar na diminuição da produção de lixo, e sermos uma ótima contribuição para a natureza, em uma série de fatores que nem podemos imaginar. 

São pequenas ações que, a princípio, dependem de hábitos, mas que logo fazem parte da rotina do nosso dia a dia. 

A consciência de dever cumprido nos torna livres, e quando se diz em relação a sua saúde, a do outro e a da natureza, estas ações vão se transformando em pequenas gotas de Amor. 

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Dados da Abrelpe: 

https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2021/06/aumento-da-producao-de-lixo-no-brasil-requer-acao-coordenada-entre-governos-e-cooperativas-de-catadores

A Natureza é minha inspiração! Nesta vida por este belo planeta, sou Marisa Salvador. Arteterapeuta, Bióloga, especialista em Manejo e Gestão Ambiental pela UFLA, especialista em Design Instrucional pela UNIFEI e especialista em Educação Ambiental pela UFLA. O contato com as plantas e com os animais são uma realidade em minha vida desde criança. Todo cuidado e carinho pelos seres da natureza... vendo-os crescer, fazendo parte de suas vidas. Hoje a natureza está mais viva do que nunca... tudo faz parte do meu ser! Respiro, respeito, ouço, silencio, medito, contemplo. Nossa interação é o sentido da minha vida. As práticas de Tai Chi como instrutora ao longo de vinte e oito anos, só confirmam um caminho de grandes descobertas e realizações.