
Ontem tive o privilégio de participar do lançamento de um livro muito especial: Histórias e Curiosidades do Folclore Brasileiro, de Regina Drumond, com ilustrações sensíveis e encantadoras de Luci Sacoleira.
Mais do que um evento literário, o que vivi ali foi um reencontro com aquilo que nos forma como povo.
Falar de folclore é falar de memória viva.
É tocar nas histórias que atravessaram gerações pela oralidade, pelo afeto, pelo medo, pela curiosidade e pelo encantamento.
Eu considero que é reconhecer a sabedoria dos povos originários, das comunidades tradicionais e das lendas que nos ensinaram, e ainda ensinam, a respeitar a natureza, o outro e o invisível.
Em um tempo em que tudo parece urgente, tecnológico e descartável, projetos como esse cumprem um papel essencial: ancorar o futuro nas raízes.
Um livro que conversa com as próximas gerações
Este livro não fala apenas com quem já ama o folclore brasileiro. Ele dialoga, sobretudo, com crianças, jovens e adultos que talvez nunca tenham parado para ouvir, com atenção, essas histórias. E isso é poderoso.
Quando uma nova geração conhece o Saci, o Curupira, a Iara ou o Boitatá, ela não está apenas aprendendo personagens, está entrando em contato com valores, símbolos, arquétipos e alertas que continuam extremamente atuais: cuidado com a floresta, respeito aos ciclos da vida, equilíbrio entre desejo e consequência, convivência com o diferente.
Preservar essas narrativas é preservar identidade.
Sem dúvida é dizer:
“viemos de algum lugar, carregamos histórias, e elas importam”.
E se eles se encontrassem hoje?
Enquanto folheava o livro, me peguei imaginando…
E se, numa noite qualquer, Anhangá observasse em silêncio o avanço desordenado sobre a mata, enquanto o Curupira, de pés virados, tentasse confundir os caminhos de quem insiste em destruir?
E se o Boitatá riscasse o céu como um aviso luminoso, enquanto o Saci, travesso, soprasse dúvidas nos ouvidos de quem acha que sabe tudo?
Talvez o canto do Uirapuru ecoasse como um chamado raro, pedindo escuta e sensibilidade.
Às margens do rio, a Iara cantaria não para seduzir, mas para alertar.
O Boto, entre um salto e outro, lembraria que nem tudo é o que parece.
A Vitória-Régia abriria suas pétalas à noite, silenciosa e firme, ensinando sobre espera e transformação.
O Tucumã, fruto da floresta, lembraria que alimento também é cultura.
E, à distância, o Lobisomem talvez simbolizasse nossos próprios conflitos internos, aquilo que escondemos, mas precisamos encarar.
Esses personagens não pertencem ao passado.
Eles continuam falando conosco. Só precisamos reaprender a ouvir.
Sobre a autora – Regina Drumond
Regina Drumond é uma guardiã de histórias.
Escritora sensível e atenta às raízes culturais do Brasil, transforma o folclore em ponte entre gerações, preservando a memória dos povos originários e das tradições populares com respeito, profundidade e encantamento.
Sua escrita convida à escuta, ao pertencimento e ao reconhecimento da nossa identidade cultural.
Regina construiu uma trajetória marcada pela consistência e pelo reconhecimento de sua produção literária, com obras que dialogam com educação, cultura e identidade brasileira, alcançando leitores de diferentes gerações e consolidando seu nome como referência na valorização do folclore e das narrativas que preservam nossas raízes.

https://www.reginadrummond.com/index.php
Sobre a ilustradora – Luci Sacoleira
Luci Sacoleira dá forma ao invisível.
Suas ilustrações não apenas acompanham o texto, elas narram, emocionam e ampliam a experiência da leitura, traduzindo o imaginário do folclore brasileiro em imagens vivas, delicadas e cheias de alma, capazes de dialogar com leitores de todas as idades.
Um convite à leitura (e ao encantamento)
Por tudo isso, faço aqui um convite sincero: leia este livro.
Apresente-o às crianças.
Compartilhe com jovens.
Releia como adulto.
Ele é ponte entre gerações, entre o visível e o simbólico, entre a cultura popular e a formação de identidade.
Histórias e Curiosidades do Folclore Brasileiro, de Regina Drumond, com ilustrações de Luci Sacoleira, é mais do que uma obra literária — é um gesto de cuidado com a nossa memória coletiva.
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Que nossas lendas continuem caminhando conosco.
E que o futuro nunca se esqueça de onde viemos.
