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Que benefício você tem para estar doente?

Existe benefício para estar doente?

Que benefício você tem para estar doente?

Espera, esse título deve estar escrito errado! 

Nas empresas há benefícios como planos de saúde para que os funcionários tenham um suporte quando estão doentes; nunca vi benefício para estar doente! 

Certo? 

Não. 

Você leu corretamente. 

Há situações em que há benefícios em estar doente. 

E é sobre isso que vamos falar.

A dúvida

Mas Ana, que benefício alguém teria em estar doente? 

Do que você está falando?

Vamos raciocinar com o seguinte exemplo… imagine um profissional excelente e que há 15 anos trabalha 12 horas por dia; o nome dele é João. 

Um profissional de excelência e muito requisitado. 

João sai de sua casa às 6h30 da manhã quando seus filhos ainda estão dormindo e só consegue retornar para a sua casa às 22h, quando os seus filhos já estão dormindo novamente. 

Durante os fins de semana, João não consegue se desligar e está sempre respondendo emergências pelo celular, o que o deixa irritado e sem paciência, e faz com que quase nunca consiga dar atenção plena e de qualidade a sua esposa e filhos.

Um dia, João sente uma dor intensa em seu estômago, mas continua sua jornada diária, pois não tem tempo de se cuidar. 

Então João compra um comprimido para dor na farmácia e segue sua jornada diária de trabalho intenso. 

Na semana seguinte, João sente essa dor de forma mais intensa e durante dias consecutivos. 

Até que, por não conseguir trabalhar em razão da dor, João vai ao médico e recebe o diagnóstico de gastrite severa, uma úlcera que precisa ser tratada com repouso de 10 dias, além do tratamento medicamentoso, terapêutico e dieta adequados.

Bom, como é uma questão de saúde, João, é orientado na empresa a ir para casa e fazer o tratamento indicado pelo médico. 

E assim o faz. 

Depois de 10 dias, João retorna ao médico para uma reavaliação. 

Seu estômago teve melhoras, mas João relata que está se sentindo mais cansado do que quando estava trabalhando direto e sem descanso. 

Ao final da consulta de retorno, o médico que cuidou de sua gastrite, além de prescrever mais 5 dias de repouso, o encaminha para um psicólogo, por achar que João está apresentado sinais de depressão. 

João vai ao psicólogo e começa a fazer terapia.

Depois dos últimos cinco dias de repouso, João volta ao trabalho, porém não era mais o mesmo. 

Não tinha mais disposição, não produzia mais como antes, seu estômago sempre voltava a doer durante sua jornada de trabalho e quanto mais o tempo passava, mesmo continuando a terapia, João parecia cada vez mais depressivo. 

Em razão disso, João foi encaminhado para um médico 

Psiquiatra e foi diagnosticado com depressão severa tendo novamente que ser afastado do trabalho e agora por tempo indeterminado.

O que aconteceu com João, afinal de contas? 

E você pode responder dizendo… aconteceu que ele ficou doente, como fora narrado acima. 

Ok, mas agora eu lhe convido a olhar o problema do João sob outra perspectiva.

Outra perspectiva

Quando João estava trabalhando num ritmo acelerado, ele não tinha tempo sequer para ver os filhos acordados, nem nos finais de semana conseguia estar com sua esposa sem estar se aborrecendo com os problemas do trabalho. 

Eram tantas preocupações e aborrecimentos que o estômago de João precisou aumentar a concentração de enzimas digestivas na tentativa de ajudar João a digerir todas as preocupações. 

A desregulação do seu organismo, no entanto o levou a desenvolver uma úlcera já que começou a corroer a própria parede do seu estômago. 

A partir de então, João foi obrigado a parar.

Quando João desacelerou, ficando em casa, finalmente pode conviver um pouco com seus filhos e dar mais atenção para a sua esposa. 

João começou a ficar triste ao perceber o quanto estava perdendo por não ver o crescimento dos seus filhos… por não desfrutar do convívio mais amoroso e tranquilo com sua esposa. 

Ao mesmo tempo ficou preocupado em não estar trabalhando para dar-lhes o melhor. Mais dor e confusão mental.

Aqui é importante salientar que somos seres biológicos e que há uma inteligência orgânica que norteia o funcionamento do nosso corpo, através de complexos sistemas neurobiológicos, químicos, emocionais. 

Para essa inteligência, que não passa pela nossa razão cognitiva, valia a pena manter o “organismo João” com dores e depressivo, pois dessa forma ele não voltaria a trabalhar no ritmo alucinante e, que o tirava do convívio amoroso de seus filhos e esposa. Inconscientemente, a mente entendeu que era mais vantajoso manter aquele organismo funcionando de forma desregulada, “num modo de doença”, já que só assim havia compensações emocionais interessantes.

Então, nessa breve história do João, o benefício de estar doente era, inconscientemente, a possibilidade de ficar mais com seus filhos e sua esposa, sem ser cobrado por isso, afinal “era por questões de saúde”. 

Assim, ele mesmo aceitava não trabalhar tanto e talvez não se sentisse culpado.

Você pode achar um absurdo. 

Mas histórias como essa se repetem todos os dias com milhares de pessoas, de diversas formas diferentes. 

Já pensou no que você pode estar ganhando para estar na situação que você diz que não gostaria de estar?