Skip to content

Otimista de mais ou pessimista de menos?

Vamos falar sobre otimismo? pessimismo? dos dois? que tal falar sobre mudanças que acontecem em nossas vidas? Vem comigo...

Escrever sobre otimismo me pareceu interessante e necessário uma vez que constantemente muitas e rápidas mudanças acontecem em nossas vidas e, por vezes, nos colocam frente a um turbilhão de incertezas e de possibilidades também.

Diante destas circunstâncias, uma das coisas que relembramos, é que não temos o controle de tudo e, somos humanos.

Outra questão, tem a ver com o apego à esperança e aos pensamentos positivos – assim tudo caminhará bem! Legal, isso eleva nossa prática do otimismo. Mas, só isso nem sempre, basta.  Há muito por fazer.

Este texto então, tem por objetivo ressaltar a importância e entendimento a respeito do otimismo e maneira de fortalecer sua prática no nosso dia a dia como pessoas e profissionais.

Bem como promover reflexão sobre como equilibrar/dosar as ações para que possamos obter respostas inovadoras, ousadas, mas, também com cautela e análise de riscos quando necessário.

Já ouviram certamente o refrão:

É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe…!” (Samba da benção – Vinicius de Moraes)

Para os profissionais como eu, oriundos da Psicologia e atuantes em áreas de Desenvolvimento Humano, refrões como este, de Vinicius de Moraes, são como um mantra.

Faz parte de nossas crenças profissionais, a busca por ambientes organizacionais positivos e, com profissionais engajados.

Conforme artigo do site da “Great Place to Work”: empresas onde a positividade é presente, são destaque, atraem talentos, são mais produtivas, têm maior lucratividade.

Contudo, palavras não bastam.

É preciso aprender novos conceitos ou formas de enxergar para fortalecer; é preciso desaprender antigos hábitos e para tal, identificá-los e então reaprender e exercitar esta condição tão importante – o otimismo.

O teste

Fui então responder ao teste proposto por Martin Seligman em seu livro Aprenda a ser otimista (edição revista e ampliada, 2019).

 Surpresa! O resultado é que eu sou uma pessoa moderadamente pessimista.

E agora José?” – parafraseando Carlos Drumond de Andrade.

Cientificamente, existe em cada um de nós esta característica instintiva e protetiva de reagir “lutando ou fugindo” e, confesso fui tomada pelo desejo de fugir, de evitar. Afinal, “rótulos são para máquinas, não pessoas” (lembrei de uma propaganda da Coca-Cola). Mas, me senti mal.

Como nosso cérebro registra:

Nosso cérebro tem esta tendência a fixar emoções negativas, como num velcro e deixar deslizar as emoções positivas, como se fosse um teflon (Richard Davidson).

Em geral somos mais atraídos pelo que é negativo – viés da negatividade, um comportamento herdado de nossos antepassados, baseado nas experiências e registros de situações negativas como forma de proteção e sobrevivência, buscando evitar ameaças futuras. Estes registros são mais fortes e mais rapidamente acessados.

Já os registros positivos não ocorrem com a mesma facilidade. Necessitam manter-se em nosso consciente e serem exercitados.

E este é um dos fatores pelos quais nos deparamos muito mais facilmente com comportamentos e/ou respostas pessimistas. Opa! Não posso seguir assim, pensei eu.

Eu poderia seguir evitando, porém não responderia nenhuma questão. Portanto, é necessário ressignificar. Substituir emoções/crenças negativas e este, um processo, mais lento contudo, factível.

As pessoas nunca são as mesmas; elas não voltam à sua forma anterior. O ser humano aprende, adquire experiências, torna-se resiliente, mas, isto, é um processo.

Então, vamos por etapa

Em 0,41 segundos o buscador do Google me informa que existem aproximadamente 16.700.000 resultados correlacionados à palavra Otimismo. Muita coisa, escolhi a do significados.com:

  • Otimista – significa aquela pessoa que se revela confiante, esperançosa e positiva.
  • O otimista acredita que tudo vai dar certo e considera os problemas como passíveis de uma solução positiva.
  • O contrário é o pessimista.
  • Pessimista é aquela pessoa que prefere enxergar o lado negativo das coisas, esperando sempre o pior de todas as situações.
  • Uma pessoa pessimista que prefere acreditar que tudo vai dar errado, ou seja, vê dificuldades nas oportunidades e na maioria das situações.
  • O pessimista não acredita que coisas boas possam acontecer.

A questão aqui é, devemos ser como Pollyana (livro infantojuvenil de Eleanor H. Porter) e fazer o seu “jogo do contente”, procurando ver o lado bom em todos os acontecimentos; ou, Hardy (personagem do desenho animado Lippy & Hardy) com seu mantra “ó vida, ó céus, ó destino, ó azar!” e, frente a toda e qualquer situação lamentar, desacreditar e nada fazer?

Tanto o otimismo de Pollyana, quanto o pessimismo de Hardy, deixam uma impressão de algo fora da realidade.

“A vida infringe os mesmos contratempos e tragédias aos otimistas e aos pessimistas, mas os primeiros resistem melhor”. Martin Seligman

Com estudos e pesquisas sobre o tema por mais de 25 anos, Martin Seligman (Aprenda a ser otimista, edição revista e ampliada, 2019) diz que:

“A principal característica dos pessimistas é que eles tendem a acreditar que situações ruins vão se prolongar por muito tempo, atrapalhando tudo o que fizerem e que a culpa é deles.

Já os otimistas, costumam crer que derrota – quando ocorre é apenas um contratempo passageiro… não se abalam com fracassos. Confrontados por uma situação ruim, consideram-na um desafio e se empenham mais”.

Estes dois modos de pensar têm consequências – prossegue M. Seligman (Aprenda a ser otimista, edição revista e ampliada, 2019), “centenas de pesquisas mostram que pessimistas desistem mais rápido e são mais propensos à depressão… otimistas se saem bem melhor na escola…, no trabalho e nos esportes…A saúde deles é extraordinária. Envelhecem bem…talvez até vivam mais”.

De que lado estamos então? Em qual posição vamos nos manter?

É uma questão de escolha. E, não precisa ser uma posição rígida ou estática diante dos fatos da vida.

Para conseguir tomar a melhor decisão precisamos acessar a nossa experiência de vida” – Antonio Damasio

Aprender a ser otimista é importantíssimo, pois nos confere qualidade de vida, nos protege da depressão e estresse exacerbado. Nos faz mais ousados e criativos na busca por soluções e concretização de desafios.

Ok, mas não é assim, vira a chave e pronto, mudei! Demanda reflexão, reconhecimento, prática constante.

É necessário aprender a falar consigo mesmo a respeito das situações difíceis de modo mais animador. É ter por “objetivo aumentar seu domínio sobre a forma de pensar as adversidades” (M. Seligman, Aprenda a ser otimista, edição revista e ampliada, 2019)

É desenvolver “Agilidade emocional” – conceito criado por Susan David (profa. Universidade de Harvard) – sobre a importância de gerir seus sentimentos e suas emoções de forma a não ficar ‘travado”.

Significa também, desenvolver e praticar as habilidades relacionadas à Inteligência Emocional – Daniel Goleman, entendendo e gerenciando a nós mesmos e nossos relacionamentos.

Como?

M. Seligman em seu livro Aprenda a ser otimista (edição revista e ampliada, 2019), apresenta  “inicialmente a técnica dos 3 C’s”:

Diante de “contrariedades” como você reage?

Quais “crenças” te levam às suas interpretações diante da adversidade?

Quais são as “consequências” destas interpretações (incluindo sentimentos)?

Este exercício amplia nosso olhar sobre nossas crenças e posturas diante de cada contrariedade. Registrar, ler, correlacionar nos faz ampliar, fortalecer nosso diálogo interno, nos colocando em posição de argumentação conosco mesmo. Podendo assim contestar e decidir mudar de postura. Proporciona focar na solução e não apenas no problema.

Mas, e o pessimismo?

De forma branda, tem a função de nos fazer enxergar a realidade com precisão. Podemos dizer que nos faz ter atenção e, faz com que “os pés permaneçam no chão”, buscando agir com mais cautela.

Olhar para o futuro próximo, imaginar-se nele, acreditando que coisas melhores vão acontecer, planejar, se esforçar, driblar circunstâncias, não “entregar os pontos”, prosseguir, nos enche de ânimo – isto é otimismo.

E este deve ser o modelo de uma vida perfeita, de pessoas perfeitas e, por consequência de uma organização perfeita.

Contudo, somos seres em constante desenvolvimento, aprendemos, reaprendemos e temos também, que desaprender para evoluir.

Somos indivíduos únicos e diferentes uns dos outros. Esta diversidade traz conflitos, que se bem gerenciados, nos levam a gama gigantesca de boas ideias, aprendizado desenvolvimento.

Logo, “uma vida bem-sucedida, assim como uma empresa bem-sucedida, necessita tanto do otimismo como de um pessimismo mínimo ocasional…Podemos aprender a escolher o otimismo no dia a dia, mas também a escutar o pessimismo quando justificado.” – Martin Seligman, Aprenda a ser otimista.

A gente passa a vida resolvendo problemas.

A dica então é olhar as situações como oportunidades!

Este é o olhar e a ação que as organizações buscam em seus profissionais. Parece obvio, então só deveriam ser selecionados profissionais otimistas, certo?

Não, pois apesar de ser uma forma de ter pessoas otimistas em seu quadro de empregados, se a organização só seguir este caminho, ela estará em desequilíbrio, e não estará atuando em prol do desenvolvimento de seu capital humano.

Vivemos um mundo de mudanças constantes; somos parte integrante deste mundo V.U.C.A. volátil, incerto, complexo e ambíguo. (VUCA é um termo que surgiu na década de 90, pós-guerra fria e, passou a ser utilizado pelas empresas em 2008, é uma sigla em inglês, formada pela primeira letra das palavras: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade)

Que expõe a nós e a nossas organizações a questões como:

  • . ter que lidar com múltiplas demandas;
  • . buscar adaptar-se;
  • . propor soluções inusitadas, inovar;
  • . lidar com surpresas e incertezas.

Logo, para que haja incentivo e desenvolvimento otimista, positivo é fundamental que possamos não ter medo de ser quem somos – frágeis, imperfeitos, suscetíveis ao erro – vulneráveis (Brené Brown).

Um ambiente assim, estimula a nossa mentalidade de crescimento (Carol Dueck), forma em que se busca o constante aprendizado e desenvolvimento de habilidades para superar limitações, abraçando desafios e encarando falhas como aprendizado.

Uma empresa otimista, tem, cria, proporciona um ambiente onde:

  • . os empregados são ouvidos;
  • . os empregados são convidados a gerarem alternativas para solucionar problemas detectados
  • . o protagonismo é estimulado (você não é parte do problema, mas sim da solução);
  • . o erro e a experimentação são acolhidos;
  • . existe a promoção da diversidade;
  • . estimula-se a curiosidade e a imaginação.

E, diante de tudo isto, nos sentimos confiantes para atuar e decidir de maneira otimista, esperançosa e positiva.

Para finalizar, após todos estes pontos aqui apresentados, gostaria de fixar como relevante o pensar, reconhecer-se e decidir por posições otimistas parafraseando Vicktor Frankl:

“ A vida é a vida, independente das circunstâncias.

Portanto somos nós que devemos encontrar o sentido.

Pois a vida segue acontecendo apesar das adversidades.”

E, deixando uma frase, um mantra do professor Alexandre Kalache:

“Quanto mais cedo melhor, nunca é tarde demais!”.