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O sentimento de Abandono na Psicanálise

Vamos buscar conhecimento e auto-conhecimento, mude o que não lhes serve mais, façam o seu melhor para viver de bem com a vida!

Vou iniciar esse texto com a parábola de Deepak Chopra: 

“Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos…”

Quando eu era representante comercial, percebia o quanto os clientes que eu visitava confiavam em me contar os problemas pessoais deles! 

Eu ficava assustada…pois às vezes era a minha primeira visita que eu estava fazendo, e eles já desabafavam seus conflitos pessoais comigo. E realmente eu guardava tudo comigo, nunca contava para ninguém sobre o que eu ouvia deles. 

Acreditava que o que eles me contavam, era o que os estava sufocando, e eu ouvia com toda a atenção e guardava segredo de tudo.

Isso me fez pensar que, se eu buscasse conhecimentos sobre o ser humano, eu poderia ajudar mais, uma vez que eu demonstrava confiança…uma ótima referência para me tornar uma terapeuta. 

E foi o que eu fiz. 

Eu estava cansada da correria do trânsito, da competição da profissão de vendas e tudo mais…vendi o meu carro e investi o dinheiro no curso de Psicanálise.

Hoje eu vejo que foi uma das coisas mais importantes na minha vida! 

Eu já estudava Física Quântica que é a realidade última e a Psicanálise me trouxe o autoconhecimento. 

O porquê dos meus comportamentos e sentimentos.

Nós, seres humanos, temos no nosso inconsciente um depósito de imagens e emoções. Temos 95% de inconsciente e apenas 5% de consciente.

Na Psicanálise dizemos que as emoções estão ligadas aos fatos.

Então para facilitar o entendimento sobre o tema “ Abandono”, vou contar duas histórias que aconteceram comigo:

Quando eu tinha 7 anos, eu morava com a minha família no interior e a minha tia, irmã da minha mãe, morava em São Caetano do Sul. 

Ela ia se casar e eu, minha mãe e meu irmão caçula viemos para o casamento. 

Após a cerimônia, minha mãe e meu irmão entraram em um carro de parentes e foram para a festa de casamento. 

A imagem que tenho é de que todos que estavam na cerimônia, saíram com seus carros para a festa e eu fiquei lá no pátio da igreja sozinha…sem lenço, sem documento…olhando todos saírem. 

Talvez a minha mãe tivesse me dado alguma orientação, não sei, eu não me lembro…só me lembro que fiquei ali completamente abandonada.

Criança nessa idade é como uma esponja, pois absorve tudo o que é vivenciado… tanto boas como ruins. Até 6 ou 7 anos não temos condições de julgamento e avaliação e o que passamos com os nossos pais, avós, escola, familiares, amigos próximos ficam registrados e depositados no nosso inconsciente.

Portanto, o sentimento de abandono e rejeição foi depositado naquele momento para mim.

A segunda história foi um pouco mais trágica…o que me marcou demais!

Eu vim morar em São Caetano do Sul com 17 anos.

Quando morava com meus pais, o convívio com o meu pai não era muito harmonioso. Ele não tinha muito diálogo com os filhos. Ele nos educou de forma rude, áspera e tóxica…ele batia mesmo na gente. Era o que ele sabia fazer…não o culpo, pois ele fez o melhor que podia…e isso também aprendi na Psicanálise. Que é um outro assunto que podemos abordar num outro momento.

Bem, eu morava com a minha irmã em São Caetano e quis, no meu aniversário de 21 anos, passar com os meus pais. Foi o que eu fiz, fui para o interior curtir meus 21 anos…meu novo ciclo. E a imagem que eu tenho até hoje daquele dia é:  eu e o meu pai conversando, rindo, descontraídos numa tarde de domingo. Que saudades!

Pois é, passaram-se 15 dias e eu fui obrigada a voltar para o interior…e desta vez, meu pai estava num caixão. Sério! 

Foi submetido a uma simples cirurgia, mas não aguentou e veio a falecer.

Mais uma vez, o sentimento de abandono escancarado em mim! Pensava comigo: “Como assim, não pode ser? 

Ele foi embora e nem se despediu de mim!!!”

Quinze dias atrás ele estava comigo, rindo, se divertindo…e agora vê-lo num caixão…ainda um detalhe, era um domingo Dia dos Pais. Muita injustiça eu pensava comigo. Mas é, a morte não escolhe o dia, não é mesmo?

A única certeza que temos é que ela um dia se apresenta.

E aqui, eu relato esses acontecimentos, para dizer que o conhecimento na Psicanálise sobre o abandono que ficou depositado no meu inconsciente é a resposta de muitos conflitos que passei na minha vida.

Problemas com chefes, problemas nos relacionamentos.

Um dos meus problemas,  foi o meu divórcio.

Eu fui casada por 11 anos, e depois de 7 anos de casada, comecei a vivenciar uma grande desarmonia no relacionamento. Não havia mais reciprocidade, não havia diálogo…apenas o distanciamento entre ele e  eu.

Sentia-me sozinha…abandonada, rejeitada.

Foi um período muito desafiador para mim, para ele, para as minhas filhas e para todos das duas famílias.

Hoje, com os meus conhecimentos de psicanalista, eu entendo o que aconteceu. Eu estava vivendo naqueles momentos caóticos da relação, o abandono novamente, 

aquilo que estava depositado no meu inconsciente…aquele sentimento do passado, aquelas emoções negativas.

Eu me fazia de vítima, tinha muito medo, queria ser vista, ter atenção, carinho, acolhimento.

Aquela criança interior fragilizada, vulnerável.

E mais ainda, o comportamento do meu marido, era igual ao do meu pai…outro assunto muito interessante que a Psicanálise nos ensina. Buscamos parceiros parecidos com o nosso clã, nossos familiares. Nesse caso, busquei o meu parceiro, o meu pai. Ele tinha atitudes parecidas, era estúpido, me ignorava…coisas que o meu pai fazia comigo.

Por isso, a importância de termos autoconhecimento.

Saber o que tem por trás de nossos comportamentos, sentimentos e pensamentos, e que precedem as  nossas escolhas por parceiro ou parceira.

Quando olhamos para dentro de nós e conhecemos o que nós fazemos conosco, conseguimos fazer melhores escolhas, errar menos e até rir de nós mesmos!

E é isso que a Psicanálise faz. Ela ensina a lidar com essas emoções do passado, com aquelas imagens que foram gravadas no nosso sistema nervoso.

Quando entendemos como o nosso corpo biológico funciona, podemos nos transformar, ressignificar e viver bem!

É possível mudar nosso comportamento, é possível levar uma vida mais leve. Viver o presente, o aqui e agora. 

Aliás aqui cabe uma boa dica: o livro de Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”. Li e recomendo.

Quando vivemos o hoje, e na física quântica, falamos que só existe o hoje, o agora, quando temos consciência disso, tudo se transforma, tudo muda. E quando mudamos, tudo ao nosso redor também muda.

Conhecimento é tudo! 

O professor Hélio Couto sempre repetia isso nas palestras dele, pelo qual tenho uma enorme admiração e devo muito a ele, por tudo o que me ensinou e me ajudou. Gratidão enorme!

Agradeço a todos os meus mestres e professores, pelos ensinamentos que me fizeram crescer como pessoa, e ter a oportunidade de agregar valores na vida das pessoas.

Meu último recado é: 

Busquem conhecimento, busquem se autoconhecer, mude o que não lhes serve mais, arrisque, ouse, façam o seu melhor para viver de bem com a vida!

“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses. Rubem Alves

Portanto, transforme-se para uma vida que faça valer a pena, pois ela é “bonita, é bonita e é bonita..”, como diz a música 

O Que É, o Que É? –  de Gonzaguinha