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Meditação da atenção plena: como ela pode ajudar o nosso bem-estar mental?

Nós, seres humanos, somos bastante complexos e por isso precisamos estar atentos ao nosso corpo físico, aos aspectos psíquicos (mental) e espirituais, bem como olhar para as nossas relações sociais, pois quando estamos em equilíbrio a chance de adoecermos é menor. Neste texto, a ideia central é abordar questões de bem-estar mental e possibilidades para que possamos cuidar dessa importante parte do nosso ser: os aspectos psíquicos. 

Os sintomas de sofrimento psíquico estão aumentando a cada dia em nossa população, pessoas cada vez mais jovens estão experimentando sentimentos ligados à:

  • depressão
  • ansiedade
  • compulsões
  • ideações suicidas (Chesnut, et al, 2017).

Esses sintomas podem causar intenso sofrimento às pessoas, além de prejudicar o funcionamento de vida e processos de tomada de decisão.   

Atualmente existe diversas estratégias para que possamos olhar e cuidar da nossa saúde mental, esse cuidado, quando consciente e sistematizado, pode promover bem-estar mental; prevenir o aparecimento dos sintomas de sofrimento psíquico e ainda minimizar os desconfortos de quem já apresenta alguns sentimentos que causam esse tipo de sofrimento. 

Uma dessas estratégias é conhecida como mindfulness, que tem como tradução livre ‘meditação da atenção plena’, a origem deste conceito está nas práticas orientais de meditação (Hanh, 1976).  Mas o que é a meditação da atenção plena?

Para responder a essa pergunta, iremos recorrer ao conceito de Kabat-Zinn, de 1990 que define mindfulness como concentração no momento atual, de forma intencional e sem julgamento. A concentração no momento atual ocorre quando estamos em contato com o momento presente, ou seja, não estamos envolvidos com lembranças do passado ou mesmo preocupações com o futuro. 

Atualmente, por causa das consequências da vida moderna, é comum as pessoas estarem vivendo em um ‘modo automático’, ou seja, fazendo as atividades do cotidiano com poucas ou nenhuma reflexão das motivações que estão presentes em nossas vidas. Um dia após o outro, apenas cumprindo tarefas e buscando chegar em algum lugar que nem sabemos onde é, vivemos correndo, fazendo, fazendo e fazendo….

  • É preciso parar para pensar: Para onde queremos ir?
  • Quais são meus valores inegociáveis?
  • O que me move?
  • Qual o sentido da minha vida?

Essas respostas poderão oferecer melhor capacidade para decidir entre as tarefas e escolhas do cotidiano. Sendo assim, a Mindfulness torna-se uma ferramenta potente que pode permitir às pessoas esse ‘parar para pensar’. A pessoa que faz a prática de meditação da atenção plena regularmente, também faz a escolha de estar plenamente atenta para alcançar mais rapidamente as respostas das perguntas acima.  

E como é que se pratica essa tal de Mindfulness?

Apesar de ser etapas simples, é importante dizer que é preciso comprometimento e insistência para que ela alcance os resultados desejados. Inicialmente é comum, relatos de dificuldade e por isso as pessoas desistem da prática, isso ocorre, porque nossa mente não está acostumada com essas ‘paradas’ e tentará de todas as formas evitar esse processo. É comum nas primeiras semanas de prática, aparecer pensamentos diversos durante a prática; sentimento de ansiedade durante a meditação e até mesmo ‘vontades’ misteriosas de comer, beber água entre outras. É preciso insistir!!! 

Recomenda-se iniciar com poucos minutos, até que se consiga atingir 10 a 20 minutos de prática ao dia, podendo avançar para duas vezes por dia, e/ou por tempos maiores e assim por diante. Um erro comum é achar que a meditação é deixar de pensar algo, isso é impossível para a mente humana, que foi programada para pensar.

Tenha consciência que os pensamentos entram e saem, e você não precisa ficar com eles, ou seja, deixe os pensamentos irem embora.

Sendo assim, vamos aprender a praticar em 5 passos:

  1. Escolha o local adequado: esse passo é fundamental, principalmente para os principiantes da técnica. Um local tranquilo, com o mínimo de ruídos possível e que não tenha interrupções da prática pode fazer a experiência muito melhor.
  2. Organize o momento da prática na agenda: é preciso que você mentalize essa ação, coloque ela como uma de suas atividades do dia para que você consiga executar. Fazendo dessa forma, fica mais fácil de não colocar outras atividades no lugar da sua meditação diária. 
  3. Estude, ouça e assista informações sobre a prática: antes de fazer, é importante conhecer, se aproximar dos conceitos para conseguir fazer a prática corretamente. Como estamos na era da informação, isso é simples e rápido. A leitura desse texto, faz parte desse passo, mas você pode acessar vídeos e outras informações disponíveis sobre Mindfulness.  
  4. Sente-se em uma posição confortável, de preferência com a coluna ereta e inicialmente faça 5 ciclos de inspiração e expiração profunda: esse passo, é importante para que nossa mente comece a se aquietar para que possa se beneficiar da prática. 
  5. Continue com a respiração normalmente e amplie o tempo: nesse passo, você continuará com a sua respiração normalmente, lidando naturalmente com os pensamentos que irão aparecer e desaparecer durante a prática. Inicialmente, recomenda-se meditações guiadas para auxiliar nesse processo. Tente dia após dia aumentar um minuto, ou a cada dois dias, o que for mais fácil. O importante é a prática. Não existe um consenso sobre o tempo ideal, porém estudos colocam que a partir de 10 minutos os resultados são melhores (Hilbink et al, 2016).   

Simples ou não? Os passos são bem simples, mas não se engane, na prática é preciso muita consciência, perseverança e paciência. Os efeitos positivos da Mindfulness são comprovados por diversos estudos pelo mundo afora, ou seja, os benefícios da prática são reais. É preciso parar a correria do dia a dia para implementar essa ação simples, sem custo financeiro e com resultados excelentes no que diz respeito ao cuidado da nossa saúde mental. E aí? Vamos praticar? 

Referências: 

Chesnut R, Atcha I, Do D, et al. Report of the 2016–2017 student affairs standing committee. Am J Pharm Educ. 2017;81(8) https://doi.org/10.5688/ajpeS12 

Hanh, N. T. (1976). The miracle of mindfulness: A manual for meditation. Boston: Beacon

Kabat-Zinn, J. (1990). Full Catastrophe Living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness. New York: Delta.Hilbink M, Lacroix J, Bremer-van der Heiden L, Halteren A, Teichert M, Lieshout J. Effectiveness of a medication-adherence tool: study protocol for a randomized controlled trial. Trials. 2016;17(1) https://doi.org/10.1186/s13063-016-1393-2