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Ah, esse tal acolhimento

Muitas pessoas se sentem e se dizem acolhedoras, boas ouvintes, empáticas e com propriedade para falar sobre alteridade. 

Mas o que é realmente a tal da alteridade? 

O conceito de alteridade, na verdade, é melhor vivenciado do que explicado, mas vamos lá!!! 

A alteridade supera a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. 

A alteridade é você reconhecer que o outro é diferente e, exatamente por isso, criar um ‘espaço’ de encontro, de conversa, no qual a escuta é genuína e a diferença é a poesia desse encontro. 

Do ponto de vista filosófico, é o caminho para uma sociedade mais justa e democrática, pois não se coloca no lugar do outro, permitimos que o outro seja ele mesmo, com suas crenças, cultura, dores e amores. 

E nesse espaço podemos realmente acolher qualquer ser. 

Mas a verdade, infelizmente, é que em nosso mundo contemporâneo, frenético e voltado para uma intensa lógica da produtividade, os encontros evidenciam pessoas que acreditam que o acolhimento é:

  • Ofertar conselhos quando não solicitados.
  • Interromper o outro, pois julga já ter entendido a história. 
  • Contar como ELAS resolvem os problemas delas.
  • Dizer como ELAS fariam se estivessem passando por aquela situação. 

Ah, esse tal de acolhimento…

Esses comportamentos, disfarçados de ‘acolhimento’, muitas vezes esconde muitas dores do interlocutor, isso é verdade, mas isso é tema para outro texto. Aqui, trataremos da pessoa que é ‘acolhida’ dessa forma tão amável (contém ironia).

 A pessoa que recebe os tais conselhos não solicitados, que é exposta à magnitude e perfeição do outro (mais um pouco de ironia), muitas vezes sente um vazio, meio sem explicação, afinal, está sendo ‘tão acolhida’ pelo outro, não é mesmo (ironia parte III)? Mas é preciso dizer, esses comportamentos estão longe do tal do acolhimento.

 Ah, esse tal de acolhimento é diferente!!! 

Sim, o verdadeiro acolhimento é ouvir, uma escuta atenta, como olhar genuíno e que realmente tenha a intenção de compreender a dor do outro. 

Só ouvir? 

Não, sobremaneira!!! 

Você pode perguntar, olha que coisa maravilhosa: 

 – Me fale mais sobre aquela situação em particular, gostaria de entender melhor, ou

 – Mas como você se sentiu em relação a isso, ou

 – Entendo, me fala mais…

E por aí vai!!! 

Aí teremos, pasmem: uma verdadeira conversa e não uma competição em quem sabe mais, quem tem mais experiência, quem tem os melhores conselhos, quem já sabe as respostas. 

Não, isso é tão insignificante perto de uma boa conversa, se tiver um chá, ou um vinho, aí o negócio vai longe e fica melhor ainda.

Ah, esse tal de acolhimento…dá uma saudade de uma boa conversa não dá? 

Ah, e caso a pessoa lhe peça um conselho, mas só se ela pedir mesmo, hein? Aí sim, você pode dizer com calma, depois dela terminar de falar, depois de olhar profundamente nos olhos dela…

– Antes, me fale mais sobre aquele ponto… 

Sou Luiza Castro, uma canceriana em constante evolução, enfermeira apaixonada e incansável estudiosa da complexidade da saúde mental humana. Com um doutorado em ciências da saúde e especialização em saúde mental, meu propósito vai além da simples troca de conhecimento: anseio ser uma força transformadora através da escrita. Minhas palavras são profundamente inspiradas por minha própria experiência e jornada, pois acredito que a verdadeira mágica reside nelas — capazes de curar, inspirar e conectar. Em cada texto, busco catalisar mudanças profundas, guiando aqueles que cruzam meu caminho em uma jornada de autodescoberta e empoderamento. Estou comprometida em criar um espaço acolhedor, onde a saúde mental não é apenas uma discussão, mas uma vivência poderosa que nos une e nos fortalece. Por meio da minha escrita, transformo histórias individuais em trilhas de esperança e renovação, pois sei que juntos podemos construir um futuro mais saudável e consciente.