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Solidariedade para sair melhor da crise

Solidariedade é amor

A situação global que estamos vivendo, com a pandemia, põe em evidência a nossa interdependência: estamos todos interligados, tanto no mal como no bem. 

Portanto, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, não sozinhos.

Devemos despertar, ainda mais, o valor e a prática da SOLIDARIEDADE, uma qualidade relacionada à empatia, à bondade, ao amor ao próximo, aplicável não somente na vida de todos os dias, nos pequenos gestos e na inclusão de quem está perto, mas fundamentalmente ‘pensar em comunidade’ para a sociedade inteira. 

A Solidariedade não se limita a atos esporádicos de generosidade e caridade, nem a ‘um sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes’ mas exige uma nova mentalidade (João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 38), uma determinação de empenho pelo bem comum de todos.

De fato, na Constituição Federal, de 1988, (art. 3º,6º, 7º), esse principio aparece como um dos objetivos fundamentais da sociedade brasileira e, até tem sido invocado, principalmente no atual período de crise sanitária que estamos vivendo no país. 

Uma imagem contendo pessoa, cortando, bolo, mulher

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Solidariedade é um Valor

Valor que não pode desaparecer do coração e da ação dos brasileiros para melhorar as condições das pessoas que estão vivendo na pobreza, passando fome, desabrigadas, sem recursos para a saúde, sem oportunidade de bem-estar comum. 

A solidariedade pode ser expressa com pequenos ou grandes gestos de ajuda: não só com dinheiro, mas também com a cooperação e a partilha, com uma determinação firme e perseverante de comprometimento com o bem comum, no cultivo de sentimentos de fraternidade, de apoio moral e material entre as pessoas de uma determinada comunidade ou grupo. 
Sem a Solidariedade concreta, aplicável, não se pode falar de democracia, muito menos de cristianismo. 
Para a Igreja Católica (Doutrina Social da Igreja Católica), a solidariedade é essencial, deve permear os corações e as mentes dos fiéis e se refletir em cada aspecto da vida humana. 

A Fé sem solidariedade é morta

Nos evangelhos, do início ao fim, a solidariedade para com os pobres ocupa lugar central. 

Se diz que a fé sem solidariedade para com os irmãos é uma fé sem Cristo, sem Deus.,

Não tem sentido ir à Igreja, se o fiel não for solidário com o próximo. 

A fé sem solidariedade ou é doente ou é morta (Tiago 2,14-19.26)

De fato, a comunidade cristã nasce e cresce graças ao fermento de solidariedade e partilha entre os irmãos em Cristo. 

Esta foi a experiência da primeira comunidade cristã: a de por em comum, partilhar, comunicar, tudo em comunidade e não isolar-se

Era uma espécie de comunhão com os irmãos e irmãs, em Jesus, que se traduz em união fraterna, também com o que é mais difícil para nós: a partilha dos bens. 

A chave para saber-se bom cristão, além de orar e frequentar os sacramentos da igreja, é converter-se de coração, e também converter-se nos bolsos, sendo generosos com os outros, especialmente com os mais pobres e não permanecer apenas nas palavras, mas partindo para a prática de ajuda e caridade fraterna. 

A canção…

Há uma antiga canção que os católicos cantavam durante a comunhão eucarística, que dizia: só tem lugar nesta mesa, pra quem ama e pede perdão. Só comunga nesta ceia, quem comunga na vida do irmão”, lembrando o famoso discurso de Jesus na montanha (Mateus 5, 1- 12)

No livro dos Atos dos Apóstolos narra-se a história de solidariedade nas primeiras comunidades cristãs nascentes, como experiência da Comunhão dos cristãos que tinham ‘um só coração e uma só alma (e ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum (At 4,32). 

Por isso, “entre eles ninguém passava necessidade”, pois “aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. 

Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4,34-35). Isso fazia crescer a cada dia a multidão de fiéis (At 2,42), e até hoje, constitui um forte modelo de vida, que nos ajuda a sermos generosos e não avarentos.

A Igreja sempre considerou este gesto de se despojar das coisas materiais que não são necessárias, para dar aos necessitados e não apenas dinheiro, mas também o tempo e o amor. 

Desenho de um homem

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Os Cristãos experimentaram um Novo Modo de estar entre si e de se comportarem, a ponto de os pagãos, ao olharem para eles, dizerem: “vejam como eles se amam(Tertuliano, apolog. 39)

O amor era o caminho. 

Mas não amor de palavras, falso e sim amor de ações práticas, amor de concretude, de ajuda mútua. Para os cristãos, a amizade com Cristo estabelece um vínculo entre irmãos que converge e se expressa também na comunhão dos bens materiais. 

É exatamente uma forma de estar junto, de amor, que vai até aos bolsos, que chega a despojar-se do dinheiro para o dar aos irmãos, indo contra o próprio interesse. 

Pois, acreditar em Jesus Cristo, nos torna responsáveis uns pelos outros e além de rezar, nós cristãos não podemos ficar indiferentes à necessidade dos irmãos. 

Como diz São Paulo: nós os fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não buscar só o que nos agrada (Rom 15,1), para que ninguém experimente a pobreza que humilha e desfigura a dignidade humana. 

Falhar na sinceridade da partilha de fato, ou falhar na sinceridade do amor concreto, levar uma vida baseada unicamente em tirar proveito e vantagem de situações em detrimento de outros, provoca inevitavelmente a morte interior. 

Nós precisamos cultivar os valores de Jesus, que ajudam a superar qualquer hipocrisia e põem em circulação aquela verdade que alimenta a solidariedade cristã, a qual, longe de ser uma atividade de assistência social, é a expressão indispensável da natureza do cristianismo, é o caminho para um mundo pós-pandêmico, para a cura de nossas doenças interpessoais e sociais. 

Pessoa com as mãos

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Portanto a solidariedade é realmente uma forma de sair melhor da crise, não com mudanças superficiais, de aparência e de chá de camomila para entorpecer a consciência, mas como forma de traduzir o amor de Deus em nossa cultura globalizada, não construindo muros – que dividem e separam, mas apoiando processos de crescimento verdadeiramente humanos e sólidos.

Pessoa cortando carne na mesa

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Padre religioso, trabalha na paróquia São João Batista do Brás.