
Ela não se mostrava apenas como matéria,
mas como sopro divino,
como se o coração do próprio Universo pulsasse em seus ramos.
E quando sua luz me tocou,
senti-me tomado de espanto e reverência,
era a força dos heróis antigos e, ao mesmo tempo,
a doçura frágil de um animalzinho que descansa no colo do seu dono.
Ali não havia dualidade.
As cores eram chamas sagradas que oscilavam entre o fogo e o gelo,
entre o belo e o disforme,
entre o bem e o mal,
mas sem disputas,
sem fronteiras,
como se tudo fosse reconciliado em um único canto de eternidade.
E os raios não feriam.
Eles transpassavam o meu ser como sacramento: o calor do sol não queimava, o frio das geleiras não cortava.
Ambos se tornaram carícia, bênção, unção.
Naquele instante, compreendi que não havia fora nem dentro, mas apenas plenitude.
Toda a energia sagrada me preenchia.
E era como se uma única voz — antiga como o princípio, doce como a aurora — me dissesse:
“Filho, não temas.
Aqui não há cobrança,
não existem culpa, erro, medo.
Aqui só há Amor.”
Foi quando compreendi o mistério:
o encontro entre Criador e criatura não é tribunal, não é fardo, não é condenação.
É retorno.
Como uma centelha voltando à Chama.
É o rio que enfim se entrega ao mar.
Naquele instante, eu não era só eu.
Eu era parte do Todo.
Eu era amado de uma forma tão inteira que nenhuma palavra ousa explicar.
E, diante da Árvore da Vida, entendi:
Sou criatura que volta ao Criador,
não para ser julgado,
mas para ser amado em plenitude.
