
Quando se fala em importação, a reação mais comum das empresas é imediata: “O problema são os impostos.”
Logo em seguida, aparecem outros vilões conhecidos: o frete internacional e a variação do dólar.
Mas aqui vai uma verdade que só quem vive o dia a dia do comércio exterior entende:
Esses não são, na maioria das vezes, os principais responsáveis pelo alto custo de uma importação.
Impostos, frete e câmbio são custos visíveis, previsíveis e, em grande parte, inevitáveis. Eles fazem parte do jogo.
O que realmente encarece uma importação está nos bastidores, nas decisões mal tomadas ao longo do processo.
E é aí que muitas empresas perdem dinheiro sem perceber.
O custo que ninguém enxerga
Importar não é apenas comprar um produto no exterior e trazê-lo para o Brasil.
É uma cadeia de decisões e cada escolha errada gera impacto direto no custo final.
Vamos aos principais pontos que, de fato, encarecem uma importação:
1. Escolha errada de fornecedor
Preço baixo não significa melhor negócio.
Um fornecedor mais barato pode trazer:
- Problemas de qualidade
- Produtos fora de especificação
- Necessidade de retrabalho
- Perda de clientes
No papel, parecia economia. Na prática, virou prejuízo.
O barato na origem quase sempre sai caro no destino.
2. Classificação fiscal incorreta (NCM)
Esse é um erro mais comum do que deveria e um dos mais perigosos.
Uma NCM incorreta pode gerar:
- Pagamento maior (ou menor) de tributos
- Multas e autuações
- Aumento no nível de fiscalização
- Atrasos na liberação
Além do impacto financeiro, existe o risco fiscal, que pode acompanhar a empresa por anos.
3. Falta de planejamento logístico
Muitas empresas ainda tratam a logística como algo operacional, quando na verdade ela é estratégica.
Erros comuns:
- Escolha inadequada do modal
- Falta de consolidação de cargas
- Embarques emergenciais por falta de planejamento
E aqui está um ponto importante:
Urgência custa caro e normalmente é consequência de falta de planejamento.
4. Incoterm mal definido
A escolha do Incoterm impacta diretamente no custo e no controle da operação.
Um exemplo clássico é o uso do EXW (Ex Works) sem o devido entendimento.
Nesse cenário, o importador assume responsabilidades que muitas vezes não consegue gerenciar:
- Coleta no exterior
- Custos locais não previstos
- Falta de controle sobre a operação
Resultado: custos invisíveis começam a aparecer e somam rapidamente.
5. Armazenagem, demurrage e atrasos
Cargas paradas são um dos maiores ralos financeiros da importação. E isso acontece, na maioria das vezes, por falhas evitáveis:
- Documentação incorreta
- Falta de licenças (LI, LPCO, certificações)
- Desalinhamento entre áreas internas
Cada dia parado gera custo. E esses custos não são baixos.
6. Falta de estratégia cambial
O câmbio é um fator importante, mas o problema não é a variação em si.
O problema está na falta de estratégia.
Pagamentos mal programados, ausência de proteção cambial ou decisões tomadas de última hora podem gerar perdas significativas.
7. Processos internos desorganizados
Esse é, talvez, o maior custo invisível da importação.
Quando não há integração entre:
- Compras
- Fiscal
- Logística
- Financeiro
O resultado é:
- Informações inconsistentes
- Retrabalho
- Erros operacionais
- Dependência excessiva de terceiros
A desorganização interna custa caro e poucas empresas mensuram isso
Um exemplo prático

ma empresa decide trocar de fornecedor e consegue reduzir em 8% o custo do produto. Parece uma ótima decisão. Mas ao longo da operação:
- O produto chega fora de especificação
- Parte da carga precisa ser retrabalhada
- Há atraso na entrega ao cliente
- Surge custo adicional com armazenagem
Resultado final: A operação ficou cerca de 25% mais cara do que o planejado.
A mudança de mentalidade
Importar bem não é apenas buscar menor preço. Também não é apenas reduzir impostos.
Importar bem é tomar decisões corretas ao longo de toda a cadeia.
Empresas que enxergam a importação de forma estratégica conseguem:
- Reduzir custos reais
- Ganhar previsibilidade
- Aumentar competitividade

Enquanto isso, quem olha apenas para o preço continua pagando caro, sem entender o porquê.
Na importação, o problema raramente está no custo visível.
Ele está nas decisões invisíveis.
Se a sua empresa já importa ou está pensando em começar, talvez o maior diferencial não esteja em negociar preço, mas em estruturar melhor todo o processo.
Com mais de 30 anos de experiência em comércio exterior, posso te ajudar a identificar riscos, corrigir falhas e construir uma operação mais segura, eficiente e previsível.
Vamos conversar.
Marcia Hashimoto
