Skip to content

Homenagem a Lô Borges

O menino do tênis azul que ensinou o Brasil a caminhar com o coração

Há artistas que passam pela vida como quem risca um fósforo, iluminam um instante.

E há artistas como Lô Borges, que acendem fogueiras inteiras dentro da gente.

Fogueiras que atravessam décadas e continuam queimando, suaves, mesmo depois que o artista se vai.

Lô partiu esta semana.

Mas é mentira dizer que ele “se foi”.

Quem atravessou o Brasil com um Tênis Azul marcado na sola da história não desaparece.

Quem escreveu canções que cheiram a rua, a quintal, a janela aberta, a amor que não se explica, esse tipo de artista permanece.

“O vento sopra onde quer” — e Lô sempre soube ouvir esse vento

A música dele é feita de brisas: brisa da infância correndo sem pressa, das manhãs em que a gente tenta crescer depressa demais, brisa do amor que chega sem pedir licença.

Quem nunca viveu um amor que parecia ter sido escrito em “Paisagem da Janela”?

Quem nunca sentiu o peito apertar como em “O Trem Azul”, tentando entender o movimento da vida?

Quem nunca sonhou mais alto do que devia, repetindo por dentro:

“Se você quiser eu sou aquele sonho seu…”?

Lô traduzia a alma de um jeito que poucos conseguem.

Cantava a simplicidade como quem revela um segredo.

E nos lembrava, sem esforço, que a beleza está sempre ali, deitada no sofá da sala, esperando ser notada.

As músicas de Lô são fotografias afetivas

Todo mundo guarda uma cena que poderia ter sido trilha sonora dele:

  • A primeira vez que alguém foi embora.
  • O primeiro beijo de verdade.
  • A viagem com amigos em que o mundo parecia caber no porta-malas.
  • A coragem de recomeçar depois de uma fase difícil.
  • O instante em que você entendeu finalmente que a vida não volta — mas segue.

É como ele cantava:

“Nada será como antes, amanhã.”

E é verdade.

Amanhã já não será igual.

Mas a música dele continua, e nos ajuda a atravessar.

Lô Borges nos ensinou a ser humanos com delicadeza

A morte dele dói.

Mas não é uma dor desesperada, é uma dor bonita, dessas que brilham.

Assista essa entrevista e conheça um pouco mais de Lô Borges:

Porque ela vem acompanhada da certeza de que ele fez o que veio fazer:

trouxe beleza, trouxe sensibilidade, trouxe Brasil.

Seu legado segue caminhando com a gente.

Nas playlists, nas rodas de violão, no ouvido de quem cresceu ouvindo o Clube da Esquina, e no coração de quem entendeu o que ele queria dizer quando escreveu:

“Eu sou do mundo, sou Minas Gerais.”

Obrigada, Lô.

Pela poesia que virou som.

Pelo som que virou memória.

Pela memória que virou parte da nossa história.

E que a gente siga caminhando, passo a passo, sonho a sonho, no mesmo compasso do seu tênis azul, que agora corre leve, livre, infinito.