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Chico, Jorge e uma legião falam de trabalho

Música defendendo posições

Quando falamos de música, logo vem a imagem do romance, da beleza, das festas, mas a música tem uma função muito importante, ela pode ecoar problemas sociais, discriminação, dificuldades vividas, dia após dia, pelo ser humano.

A música pode colocar um grito na garganta das pessoas e gerar debates.

Quando palavras tomam forma de música, chegam mais rápido ao coração e à razão humana.

Alguns autores souberam escrever lindas músicas românticas, mas foram muito eficientes em protestar contra as dificuldades vividas pelo povo.

Décadas de 60/70

Na década de 60, Chico Buarque se destacou por suas obras, era capaz de fazer pensar, era libertador.

Não estamos falando de ideologias, nesse caso estamos falando do trabalho humano.

O fator trabalho está ligado a formas de exploração diferentes, mas presente em todos os sistemas que já existiram. Todos os modelos propostos de relação de trabalho com capital não conseguiram efetividade. Uma obra do Chico se destacou, pois fala sobre a triste rotina diária, do trabalhador.

Como é triste trabalhar tanto e ter tão pouco! 

Nessa obra, Chico usa de figuras de linguagem para transmitir o sofrimento do trabalhador, para isso usou o operário da construção, mas todos os profissionais se identificavam com aquele personagem.

Fonte Revista Isto é ” A palavra de Chico”

Construção de Chico Buarque

“Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se…”

Década de 80

Nos anos 80, o Legião Urbana, numa composição de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo voltam ao tema trabalho e mais uma vez tratam das dificuldades do trabalhador. E mesmo tendo se passado 20 anos, o problema nitidamente persiste.

Fonte Site Cidade das Artes

Sem trabalho eu não sou nada

Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor
Não tenho identidade
Mas o que eu tenho
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício
Que me cansa de verdade
Tem gente que não tem nada
E outros que tem mais do que precisam
Tem gente que não quer saber de trabalhar
Mas quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar pra casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar

Sei que existe injustiça
Eu sei o que acontece
Tenho medo da polícia
Eu sei o que acontece
Se você não segue as ordens
Se você não obedece
E não suporta o sofrimento
Está destinado a miséria
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar pra casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
Do pouco que não temos
Quem sabe esquecer um pouco
De tudo que não sabemos

Novo século

No começo desse novo século, surge um novo autor muito eficiente, nesse formato da música como defesa da sociedade.

As relações de trabalho são novamente expostas, mas dessa vez vemos que Seu Jorge deixa claro que todos os trabalhadores estão sufocados por um modelo ineficiente de relação trabalho-capital. 

Fonte: Site Folha de Pernambuco

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar
Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã
Patrão reclama e manda embora quem atrasar

Trabalhador…
Trabalhador brasileiro
Dentista, frentista, polícia, bombeiro
Trabalhador brasileiro
Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador…

E sem dinheiro vai dar um jeito
Vai pro serviço
É compromisso, vai ter problema se ele faltar
Salário é pouco não dá pra nada
Desempregado também não dá
E desse jeito a vida segue sem melhorar

Trabalhador…
Trabalhador brasileiro
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalhador brasileiro
Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador..

Nesse texto, vemos Seu Jorge colocar no mesmo patamar o jurista, o garçom, o dentista e o bombeiro, todos são operários dentro de uma engrenagem. 

Nada mudou!

Nos últimos 20 anos os MC´s puderam expor algo muito duro e presente na sociedade. O trabalho infantil! Independente de legislação…O trabalho infantil esteve presente em várias vozes e pensamentos. Os meninos e meninas pedindo ajuda, vendendo nos cruzamentos, passando o dia nos trens trabalhando. ESTA É A REALIDADE!

O rap tem, na sua raiz, a função de conscientização e questionamento. É muito triste ver a discriminação a um estilo musical ou a uma música específica porque ela é forte e verdadeira.

A verdade cantada incomoda!

Choca! Provoca!

Quando ela está em filmes questionadores ou possui um clip com imagens fortes incomoda ainda mais!

Mas essa é a função social da música.

Emicida

“Aos olhos de uma criança” – Filme “O menino e o mundo”

Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundo, menino
Menino, mundo, mundoSelva de pedra, menino microscópico
O peito gela onde o bem é utópico
É o novo tópico, meu bem
A vida nos trópicos
Não tá fácil pra ninguém

É o mundo nas costas e a dor nas custas
Trilhas opostas, la plata ofusca
Fumaça, buzinas e a busca
Faíscas na fogueira bem de rua, chamusca
Sono tipo slow and blow, onde vou, vou
Leio vou, vôo e até esqueço quem sou, sou
Calçada, barracos e o bonde
A voz ecoa a sós, mas ninguém responde
Miséria soa como pilhéria
Pra quem tem a barriga cheia, piada séria
Fadiga pra nóis, pra eles férias
Morre a esperança E…

Fonte Site Cultura Amazônica

Rappa – “Miséria S/A” 

Senhoras e senhores estamos aqui
Pedindo uma ajuda por necessidade
Pois temo irmão doente em casa
Qualquer trocadinho é bem recebido
Vou agradecendo antes de mais nada
Aqueles que não puderem contribuir
Deixamos também o nosso muito obrigado
Pela boa vontade e atenção dispensada
Vamo agradecendo antes de mais nada

Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A
Que acabou de chegar

Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A
Que acabou de falarLhes deseja
Lhes deseja
É o que lhes deseja
É o que lhes deseja

Criolo – “Subirusdoistiozin”

Tem uns menino bom novo hoje aí na rua, pra lá e pra cá, que corre pelo certo
Mas já tem uns também que eu vou te falar, viu
Só por Deus, viu!
Ave Maria!Mandei falar pra não arrastar
Não botaram fé, subirusdoistiozin
O baguio é louco, o sol ‘tá de rachar
Vários de campana aqui na do campin
Mas quem quer preta, mas quem quer branca
Todo azulê requer seu rejunte

Pleno domingão, flango ou macalão
Se o negócio é bão, ‘cê fica é chinesin
‘Cença aqui, patrão, aqui é a lei do cão
Quem sorri pra ti quer ver tu cair
É, é, justo é Deus, o homem não
Ouse me julgar, tente a sorte, fiPara pa pa, para pa pa
Para pa pa, papara papa

Esse artigo em momento algum falou em Ideologias, falou sobre problemas na relação trabalho, na exploração, no abuso, na legislação, na infração, na dificuldade e na miséria humana!

Que novas músicas surjam questionando, cobrando, contestando

conceitos, medos, dificuldades e posicionamentos!

Pois é assim que o mundo dos homens GIRA, 

é assim que o mundo CRESCE, 

é assim que o mundo MUDA!

Esse artigo mostrou muitos artistas incríveis, seguem alguns itens fantásticos de alguns deles: