
Todos os anos acontece a mesma pergunta: “O que vai estar na moda na próxima estação?”
Eu prefiro fazer outra: Por que isso estará na moda?
A roupa nunca nasce apenas da criatividade dos estilistas.
Ela nasce da economia, das mudanças culturais, da tecnologia, das transformações sociais e, principalmente, do comportamento humano.
As coleções Primavera/Verão 2026 mostram exatamente isso.
Depois de alguns anos marcados por excessos, maximalismo, contrastes intensos e uma necessidade quase constante de chamar atenção, a moda parece respirar profundamente.
O luxo continua presente.
Mas agora ele é silencioso.
A elegância deixa de gritar para simplesmente existir.
É uma estação muito mais emocional do que visual.
As cores: leveza como linguagem
A influência da Pantone continua sendo enorme para toda a cadeia da moda.
Depois dos tons terrosos que dominaram as últimas temporadas, vemos uma preferência por cores luminosas e delicadas.
Brancos leitosos, off-whites, manteigas, beges suaves, azuis claros, verdes delicados e rosas quase transparentes ganham espaço.
Não representam fragilidade.

(imagem de IA a partir de nossas pesquisas)
Representam equilíbrio.
A própria Pantone reforça esse movimento ao apresentar uma estética voltada à leveza, simplicidade e bem-estar.
O romantismo está de volta
Se existe uma palavra para definir esta temporada, ela talvez seja:
- Delicadeza.
- Babados aparecem com mais movimento.
- Laços deixam de ser infantis para ganhar sofisticação.
- Mangas volumosas retornam.
- Vestidos fluidos.
- Tecidos esvoaçantes.
- Transparências discretas.
Tudo conversa com uma feminilidade contemporânea, longe dos exageros do passado.

(imagem de IA a partir de nossas pesquisas)
Poás: um clássico que nunca desaparece
Os poás voltam renovados.
Menores.
Mais espaçados.
Misturados com tecidos modernos.
Em alguns momentos aparecem quase como uma textura.
Em outros, tornam-se protagonistas em vestidos, camisas e saias.
Mais uma prova de que a moda adora revisitar sua própria história.

(imagem de IA a partir de nossas pesquisas)
Geometria inteligente
As estampas geométricas também retornam.
Mas abandonam os grandes contrastes.
Entram em versões orgânicas.
Linhas suaves.
Desenhos assimétricos.
Geometrias inspiradas na arquitetura contemporânea.
A influência do design escandinavo aparece claramente nessa construção.

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O que chega das passarelas europeias
Milão continua apostando na alfaiataria leve.
Paris reforça o romantismo sofisticado.
Londres mantém sua ousadia criativa.
Enquanto isso, Copenhague segue influenciando o mundo com uma moda mais sustentável, funcional e confortável.
Existe uma palavra muito presente em praticamente todas elas:
Naturalidade.
A influência americana
Nos Estados Unidos, o chamado quiet luxury continua forte.
Peças de excelente acabamento.
Poucas estampas. Modelagens impecáveis. Muito linho. Muito algodão premium.
Muito minimalismo.A roupa passa a transmitir qualidade antes mesmo da marca aparecer.
O olhar dos estilistas brasileiros
Os criadores brasileiros continuam traduzindo essas tendências internacionais através da nossa identidade.
Ronaldo Fraga permanece valorizando narrativas culturais brasileiras em suas coleções.
Lino Villaventura segue explorando volumes, texturas e um trabalho artesanal extremamente sofisticado.
Patricia Bonaldi mantém o protagonismo das rendas, bordados e da feminilidade contemporânea.
Alexandre Herchcovitch continua reinterpretando clássicos com construções modernas e ousadas.
Enquanto isso, uma nova geração de estilistas brasileiros aposta em sustentabilidade, produção consciente e valorização do trabalho artesanal.
O Brasil nunca copiou a moda internacional. Sempre a reinterpretou.
Os tecidos da temporada
Alguns materiais aparecem com enorme força:
- Algodão premium
- Viscose de alta qualidade
- Linho lavado
- Organza
- Musseline
- Crepes leves
- Tricolines sofisticadas
- Malhas tecnológicas
Os tecidos passam a valorizar movimento.
Conforto e Caimento.
Mais do que nunca, vestir bem também significa sentir-se bem.
Rendas
As rendas ganham novo protagonismo, a renda deixa de aparecer apenas em vestidos de festa.
Agora surge em
- camisas.
- Saias.
- Conjuntos.
- Detalhes.
- Sobreposições.
- Misturada ao jeans.
- À alfaiataria.
- Ao linho.
Ela volta mais moderna e extremamente versátil.
Os acessórios diminuem o volume
Depois de temporadas dominadas pelos maxi acessórios, observamos uma mudança.
- Joias delicadas.
- Brincos menores.
- Colares em camadas.
- Bolsas estruturadas.
- Sandálias minimalistas.
- Cintos finos.
Tudo parece conversar com uma elegância menos ostensiva.
A maior tendência continua sendo você
Toda estação traz novidades.
Mas nenhuma tendência faz sentido quando ela apaga quem você é.
Eu costumo dizer que vestir-se bem não significa vestir tudo o que está na moda.
Significa compreender o que conversa com a sua personalidade, com sua rotina, com seus objetivos e com a mensagem que deseja transmitir.
A moda muda.
O estilo evolui.
Mas autenticidade nunca sai de moda.
Vista-se das tendências quando elas fizerem sentido.
Mas, acima de tudo, continue vestindo você.
Por Luciana Ferraz e Cosmo Fuzaro

(imagem de IA a partir de nossas pesquisas)
