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Ruth de Souza

Ruth de Souza

Abrindo caminho

Ruth de Souza

Ruth de Souza, filha de lavrador e lavadeira, sonhava, desde pequena, em ser atriz. Ainda jovem ia ao cinema, e quando voltava, contava detalhadamente para sua mãe, ali ela começava o caminho de se tornar atriz.

“Eu era apaixonada por cinema. 

Queria ser atriz, mas, naquela época, não tinha atores negros, e muita gente ria de mim: “Imagina, ela quer ser artista!” 

Não tem artista preto’. 

Eu ficava meio chateada, mas sabia que ia fazer; como, não sabia”.

Teatro

No Teatro Experimental do Negro, fincou sua base atuando em Todos os Filhos de Deus Têm Asas, O Moleque Sonhador, Anjo Negro, O Filho Pródigo. 

Em 1948, ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Rockfeller e foi estudar na Howard University, uma universidade exclusiva para negros, em Washington. Nos Estados Unidos, também frequentou a escola de teatro Karamu House, em Cleveland, Ohio.

TV

Uma das pioneiras da TV brasileira, Participou de programas de variedades e musicais no início das transmissões da Tupi. Um dia com Haroldo Costa, trouxe a peça, O Filho Pródigo, para a TV

A primeira novela de Ruth de Souza foi A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, na Excelsior, depois Passo dos Ventos, de Janete Clair na Globo, onde acabou fazendo mais de 30 novelas. 

Em A Cabana do Pai Tomás, de 69, foi um destaque fazendo uma das líderes do movimento que levou à abolição da escravidão nos Estados Unidos. Em seguida vieram Pigmalião 70, Os Ossos do Barão, O Rebu, Helena e Duas Vidas, Sinha Flô (novamente uma novela com cunho de luta abolicionista e  pela emancipação feminina), em Sinal de Alerta (viveu uma operária que, junto com Isabel Ribeiro, defendia seus direitos), depois veio Sétimo Sentido

Ruth de Souza e Isabel Ribeiro em Sinal de Alerta, 1978. Acervo/Globo — Foto: Globo

Ruth foi grande parceira de Grande Otelo, fez uma dupla inesquecível em Sinhá Moça, uniu seu conhecimento do texto, pois já tinha feito o papel no cinema, um sucesso incrível.

“Do meio para o fim, eu e o Otelo tomamos conta da novela, porque os personagens eram muito divertidos. Eram dois maluquinhos”.

Ruth de Souza | Ruth de Souza | memoriaglobo

Depois ainda viriam Mandala, O Bem-Amado (encontro com o grande Milton Gonçalves), o Clone, Memorial de Maria Moura, Quem é Você?, Amazônia e o seriado Na Forma da Lei.

Cinema

No cinema estreou pelas mãos de Jorge Amado em Terra Violenta, adaptação do romance Terras do Sem Fim, no mesmo ano, ao lado de Oscarito fez Falta Alguém no Manicômio.

Podemos dizer que esteve muito atuante na sétima arte, mais de 30 filmes, incluindo Sinhá Moça, onde concorreu ao prêmio de Melhor Atriz do Festival de Veneza de 1954.

Esteve em clássicos como O Assalto ao Trem Pagador; As Filhas do Vento pelo qual foi premiada no Festival de Gramado de 2004.

Ruth sempre teve que lidar com o preconceito, mas no cinema, no teatro e na TV conseguiu espaço, lutou, ganhou prêmios, foi pioneira e abriu portas para muitos outros.

“O cinema sempre deu mais oportunidade para o negro, desde o Grande Otelo. Eu tive sorte na continuidade de trabalho, tanto no teatro quanto na televisão: nunca parei nesses 50 anos. Sempre tive trabalho, mas são poucos os negros que têm. Isso foi benção de Deus”. 

Por favor, eu peço, assistam esse filme.Ele reúne a interpretação de Ruth e a história de Carolina Maria de Jesus, uma lição de vida eu garanto.

Fiquei muito impactado com sua última participação numa minissérie da Globo, Se Eu Fechar os Olhos Agora, aquela mulher, com 98 anos, estava atuando com perfeição e trazendo verdade a uma cena muito triste e difícel. Uma deusa da interpretação.

Persona in foco

Um Persona em Foco de Ruth de Souza, precisa ser assistido:

Espelho com Lázaro Ramos

Pessoal assista esse programa, é uma aula completa! 

Nesse programa, trouxe a descrição que Arthur da Távora deu para Dona Ruth:

Agradeço:

  • Acervo globo
  • Wikipedia
  • Persona in foco
  • Espelho com Lázaro Ramos