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Palhaços, Palhaçadas, Palhaçaria

O sorriso do circo

Hoje vou me dedicar a um texto que me comove muito.

Passei a infânica não gostando do “Palhaço” e de Circos, eles me incomodavam, não me chamavam atenção. 

Descobri depois que não era só eu! 

Muitos amigos tinham essa relação estranha com o “Palhaço”.

Entendi que muitas pessoas temem o palhaço e que a explicação pode ser que se trata de alguém escondido atrás da maquiagem, como se fosse um mascarado!

Quando adulto, comecei a buscar respostas para esse sentimento ruim que eu nutria por um personagem que só queria fazer rir!

Descobri muitas explicações teóricas para isso. 

E resolvi mudar meus conceitos!!!

Minha experiência e a vivência de pessoas próximas

Um dia resolvi ir ao Circo e encarar o palhaço!

Fui sem medo, sem lembrar das minhas reações do passado, sem travas e comecei a rir muito com aquele personagem.

Me encantei pelo circo e pelos palhaços!

Uma das coisas que me chamava a atenção era de como a minha opinião era diferente da opinião dos meus pais, tios.

Minha mãe ama o circo, conta sempre que, quando criança, queria ir embora com o circo, fazer parte do espetáculo!

Ela conta lindas histórias sobre o circo! 

Mas o circo do seu tempo era mais teatral!

Estudando um pouco, descobri que os palhaços faziam de tudo na realidade, podiam fazer malabaris, trapézio e até mágica. 

Senti meu sorriso largo com aquelas histórias divertidas que aqueles personagens coloridos contavam.

Antes eu os considerava chatos ou terríveis, agora me faziam rir sem vergonha.

Percebi que o riso livre e solto é um problema para muitas pessoas. 

As gargalhadas são tolhidas. 

Quantas vezes ouvimos quando criança que rir alto é falta de educação! 

Descobri que a sociedade impôs algumas regras estranhas a nosso convívio social e um deles é você não deve gargalhar ou rir alto em público.

Hoje me sinto pronto para homenagear os grandes palhaços brasileiros, muitos já não estão conosco. 

Eu quero mais é gargalhar muito!

Mas sinto muita tristeza por ter perdido tantas oportunidades de rir, sorrir, gargalhar. Riso frouxo é ótimo!

Os palhaços saíram do circo e foram para a TV

Vários textos trazem homenagens a palhaços famosos no circo e alguns da TV. Quero reverenciar esse personagem maravilhoso, o “Palhaço”. Para isso, vou escolher alguns deles e usei como base textos da Veja São Paulo, cujo link está abaixo.

Relembre palhaços históricos brasileiros | VEJA SÃO PAULO (abril.com.br)

Arrelia

Arrelia era de família de circo.

Waldemar Seyssel atuou nos palcos e picadeiros desde criança.

Foi precursor em deixar o circo para ir para a TV, onde atuou na Record por 11 anos, com o Cirquinho do Arrelia, na Record.

Pimentinha

Sobrinho de Arrelia, que é uma das referências de palhaçaria brasileira.


Também foi dos picadeiros para a TV e atuou junto com o tio no Cirquinho do Arrelia. 


Esteve com os Trapalhões em filme de 1975. 

Torresmo

José Carlos Queirolo, o Torresmo, esteve na TV desde o começo da TV no Brasil. Veio de família de circo e após uma apresentação no programa de Luiz Gonzaga, foi convidado a ter um programa na recém inaugurada TV Tupi de São Paulo, em 1950. 


Esteve em todas as emissoras, teve um amigo e companheiro perfeito, o Palhaço Fuzarca. Terminou a carreira atuando com o filho o palhaço Pururuca. 

Piolin

Foi revereciado na Semana de Arte Moderna em São Paulo, em 1922.Muitos intelectuais o consideravam o típico artista brasileiro, Abelardo Pinto era filho do dono do Circo Americano.


Foi aclamado o melhor palhaço do mundo pela revista Veja. Possuía grande habilidade em ginástica, permitindo muita desenvoltura física e acrobacias nas apresentações. 


A comemoração do Dia Nacional do Circo faz alusão à data de seu nascimento, 27 de março.

Carequinha

Esse palhaço era de família de circo, como muitos outros artistas de circo, mantinham a tradição. George Savalla Gomes se tornou uma das grandes atrações da TV nos anos 60. Participava mais de programas regionais que eram transmitidos pela TV Tupi, depois na Manchete e terminou fazendo parte do Clube da Criança, onde atuava Xuxa.

Atchim & Espirro, Patati Patatá e Bozo

Foram grandes palhaços já criados para Televisão, assim como Bozo e o Patati Patatá.
Eduardo dos Reis e Carlos Alberto de Oliveira atuaram no programa “Turma da Pipoca” e  “Brincando na Paulista”, na TV Gazeta, “Circo da Alegria” da TV Bandeirantes” e também se apresentaram no “Xou da Xuxa”, da TV Globo. 

O Patati & Patatá, surgiu nos anos 90. Na realidade, era uma franquia para se apresentar em circos e na TV. Lançaram discos e DVDs, com diversos produtos licenciados. 
Bozo é um palhaço dos Estados Unidos, era uma franquia de contar histórias, com foco em prgramas de TV e discos. Nos anos 80, tornou-se um ícone do SBT. 

Um destaque para um novo estilo: “Os trapalhões”

os trapalhões (agnaldotrajano.com.br)

Gosto muito do trabalho biográfico de Agnaldo Trajano sobre quatro personagens humorísticos que, sem dúvida, possuem sua base no circo e nos antigos palhaços.

Grupo humorístico brasileiro, composto por:

Começaram num programa de TV, criado por Wilton Franco, o qual entrou para o Livro Guinness de Recordes Mundiais – programa humorístico de maior duração da TV, tendo trinta anos de exibição.

Estréia em 1966 – TV Excelsior  – Os Adoráveis Trapalhões. Quatro personagens: o galã Wanderley Cardoso, o diplomata Ivon Cury, o estourado Ted Boy Marino e o palhaço Renato Aragão, além de  “Dedé Santana” como convidado constante. 

Com algumas saídas de participantes, o grupo recebe o sambista que fazia parte dos “Originais do Samba”, “Mussum”, e se completa com “Zacarias” e sua eterna risada. 

  • TV Record – “Os Insociáveis”.
  • TV Tupi -“Os Trapalhões” (no horário nobre, disputando atenção com o Fantástico da Rede Globo).
  • Rede Globo em 1977 – aos domingos, às 19h, imediatamente antes do Fantástico (que começava às 20h).

O programa também tinha outros atores fixos que não faziam parte do quarteto principal: 

  • Tião Macalé (que imortalizou o bordão “Ih! Nojento!”), 
  • Jorge Lafond (que satirizava os homossexuais), 
  • Emil Rached (o gigante atrapalhado de 2,23m), 
  • Carlos Kurt (o alemão de olhos esbugalhados e sempre mau-humorado), 
  • Felipe Levy, Roberto Guilherme (o “Sargento Pincel”),
  • Dino Santanna (irmão de Dedé Santanna), 
  • o anão Quinzinho, entre outros.

Teve direção de Adriano Stuart, Osvaldo Loureiro, Gracindo Júnior, Paulo Araújo, Carlos Manga, Maurício Tavares, Wilton Franco, José Lavigne

Passou a integrar e promover muitas campanhas sociais, foi a base do Criança Esperança da Globo.

Mas perdeu Zacarias (1990) e Mussum(1994). 

Passou por diversos formatos e em 1992 integrou a órfã Tininha (Alessandra Aguiar), fugida de um orfanato.

Os remanescentes se separaram e formaram novos quadros na TV. 

Um estudo que merece atenção

A leitura do texto de Mario Fernando Bolognesi, “Circos e palhaços brasileiros”, me permitiu fazer uma homenagem muito especial a palhaços de vários circos brasileiros:

Circo di RomaChevrolet e Parafuso
Circo AstleyFaísca
Circo RealBochechinha e Piquito
Circo BrothersPintinho e Chupetinha
Super Circo BiraBirinha
Circo VostokGori Gori
Circo Real ArgentinoVareta e Salgadinho
Circo SandriaraJurubeba
Circo Beto CarreroCremoso, Charlequito e Nenê
Circo Brasil 2000Bonitinho
Circo RogerReco reco
Circo SpacialPaçoca e Pingolé
Circo di NapoliPaçoquinha
Circo WeberCaquito
Circo Miami 2000Caquito e Chuvisquinho
Circo GarciaKuxixo
Circo XangaiTiririca
Circo di MonzaBiriba
Circo MaravilhaPuxa puxa
Teatro Biriba AdrianoBiribinha e Aparício
Teatro SerelepeSerelepe
Teatro BebéBebé
Teatro Popular de CuritibaPiska Piska
Circo di MônacoSoneca e Pirulito
Circo Balão MágicoBatatinha
Garden CircoMotoca e Babalu
Circo GitanoTutuka, Bombinha e Biliscada
Pop CircoEspigão, Faísca e Perlotinha
Circo RanieriXuxu  Pirulito
Circo Alakazan II
Circo WhasingtonSalsicha
Circo Las vegasCheirosinho, Gostosinho e Linguiça
Circo Pallesty ItaliaBirrinha
Circo Real BandeirantesChocolate e Caçolão
Circo EstrelaFutrica
Parque Circo Las VegasCacareco
Circo ShalomPipo e Bimbolinho
Circo RostokParafuso

O texto me chamou atenção por ser um documento vivo, mostrando a vida circense brasileira, com entrevistas e a realidade dessa instituição centenária. 

Vale a pena ser lido por todos que tem alma de artista!

Circos_(1.Prova)_v2.pmd (seed.pr.gov.br)

Um local que merece ser visitado

A Prefeitura de São Paulo mantém um espaço no Largo do Passandu que guarda o Centro da Memória do Circo. Vale a pena visitar!

memoria_do_circo | Secretaria Municipal de Cultura | Prefeitura da Cidade de São Paulo

Nesse espaço eu vi uma exposição do escultor João Batista Goutinho, que reproduziu alguns dos palhaços mais famosos do circo.

Esse trabalho é maravilhoso.

PALHAÇO PIRI : EXPOSIÇÃO PALHAÇOS BRASILEIROS (palhacopiri.blogspot.com)

Os grandes Circos da atualidade

Não posso acabar esse texto sem falar na beleza dos enigmáticos e transformadores circos modernos.

Maravilhosos, estruturados, tecnológicos, versáteis!

Os espetáulos tomaram um tom adequado ao mundo moderno! Acho incrível, pois o espírito está vivo.

Adoro ver a poesia do romance envolvendo o palhaço, pois ele te faz rir e chorar pelo amor impossível.

Casuo: dos palcos do Cirque Du Soleil para Porto Velho | Mais RO
Casuo: dos palcos do Cirque Du Soleil para Porto Velho | Mais RO

Concluindo

Quando me descobri fã do Circo, me senti mais ligado a arte e a arte brasileira, pois o Circo brasileiro é muito forte! 

Sei que a internet nos distancia dos momentos da arte real, da criatividade e espontaneidade do artista circense, que é um rei do improviso, da exploração do momento real, da inteligência emocional desenvolvida no momento das apresentações. 

Mas nada impede de levar a todos o espetáculo!

Tudo se transforma, conheci um “Palhaço” muito atualizado, Carlos Maldonado, ele já participou de debates e escreveu um artigo para a COMUD. 

Ele me mostrou que a arte da palhaçaria pode vencer barreiras, ela foi para televisão e agora estará na Internet.

Mas eu confesso que se um Circo for a minha cidade ou um “Palhaço” estiver nas ruas ou praças se apresentando, eu vou parar para assistir e aprender com sua sutileza, leveza e com sua visão do “SORRISO”.

Os palhaços podem entrar em extinção! 

Só depende de nós! 

Eles podem mudar de roupa, mudar o local de atuar, mas não podem acabar!

Não deixem a “Palhaçaria” morrer!

O sorriso precisa se expandir!

Um viva ao riso solto e ao gargalhar!

Assista e respeite esses profissionais!