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Homenagem a Léa Lucas Garcia de Aguiar

Lea Garcia, uma mulher, uma atriz uma dama do teatro e da TV, Premiada, respeitada, você sabia que antes de representar ela sonhava escrever?

Léa Garcia, nascida em 1933 no Rio de Janeiro, é uma das atrizes negras precursoras no Teatro, Cinema e na TV nacional, abrindo caminhos para que meninas negras se vissem nesse lugar.

Honrar a importância de figuras como a atriz é importante para reconhecer o lugar e o papel que as mulheres negras ocuparam e ocupam em nossa sociedade.

Um dia uma garota negra se sonhou em um palco, na TV ou no Cinema, mas isso  não parecia possível a ela, pois houve a época em que não existia um espelhamento, até que nomes como, Ruth de Souza, Léa García e Zezé Mota mostraram que era possível.

Rosa em A Escrava Isaura

Poderia escrever páginas e mais páginas sobre os diferentes papéis interpretados pela atriz em sua brilhante carreira, como a personagem Rosa de “A escrava Isaura”, um marco em sua carreira. Léa disse em entrevista que Rosa “jogava com as armas que tinha” e foi muito bonito para mim perceber o olhar sincero e empático da atriz para com uma personagem que foi tão criticada por sua “maldade”.

Dona Jerusa

Hoje, vou tecer um pouco das emoções que tive com uma de suas últimas personagens, Dona Jerusa em “Um dia com Jerusa”.

Esse filme estrelado na Netflix em 2020 tem como cenário a casa de uma senhora já na melhor idade que recebe uma moça que bate em sua porta para realizar uma pesquisa de sabão em pó. O curioso é que não é um dia qualquer, mas o dia do aniversário de Dona Jerusa.

Em uma casa impecavelmente limpa e preparando doces de festa, Dona. Jerusa convida a moça para se sentar enquanto conta histórias de seu passado e de seus familiares com muito saudosismo. Silvia, a pesquisadora e estudante de história não imaginava que esse dia iria lhe render uma riqueza de conhecimento ancestral e de si mesma, eram décadas de histórias que livro algum retrataria com tanta verdade e emoção.

Duas gerações de mulheres negras, uma na flor da juventude e Dona. Jerusa perto de fazer a passagem, uma mulher que havia cuidado e enterrado muita gente, essa dor latente da saudade se mostrava presente em seus diálogos e memórias.

Silvia, suja a roupa de sangue e Dona. Jerusa a ajuda colocando sua roupa para lavar e emprestando uma saia branca de modelo antigo, a partir daí é como se voltássemos no tempo revisitando a ancestralidade.

Em um determinado ponto da narrativa, Dona. Jerusa trança os cabelos da moça, entrelaçando histórias e ativando a ancestralidade de ambas.

Em contrapartida no final da narrativa, Silvia pode colocar Dona. Jerusa adormecida em seu colo devolvendo o carinho recebido e simbolizando o amor e o respeito pela anciã.

Era para ter sido apenas alguns minutos que duraram um dia inteiro em que Dona Jerusa comemora mais um aniversário com um desconhecido devido a ausência de seus familiares. Ora nos parece que morreram, ora nos parece abandono, mas essa matriarca cheia de legado não deixou de celebrar a sua vida.

Este é apenas um dos papéis interpretados por Léa García, atriz negra brasileira, um tesouro nacional que coleciona sucessos. Honrarmos seu legado é lembrarmos de quem é e celebrarmos sua existência.

Grandes Indicações

Vamos indicar abaixo muitos filmes que todos devíamos assistir:

https://youtu.be/QU4GYXBjxWo

Entrevistas Maravilhosas

Gratidão Léa Garcia.