
Esse meu texto não pretende contar datas e espetáculos de José Celso Martinez, para isso sugiro o link abaixo, do Wikipedia, minha ideia é falar do que ele provoca, em quem pôde conhecer seu trabalho.
José Celso Martinez Corrêa – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

São Paulo 04/03/2016 – Ato da Cultura pela democracia no Teatro Oficina. Foto: Paulo Pinto/Agência PT
Se você quer seguir a carreira artística, deve ler sobre esse mestre e revolucionário gênio do teatro brasileiro.
Se quer ler meu texto abaixo, limpe sua mente dos preconceitos e dos conceitos que já tem sobre arte, depois esqueça seus medos, agora falta só um toque de talento e estará pronto para ler sobre uma memória afetiva.
Minha experiência
Alguns meses atrás, vi reportagens sobre o casamento de Zé Celso, depois entrevistei Beth Amin que se apresentaria ontem dia 04 no Oficina e quando vi a reportagem do incêndio um turbilhão de emoções tomou conta de minha mente e resolvi escrever esse texto.
Quando vi José Celso no palco foi na década de 90, eu tinha quase 30 anos, o espetáculo era mais que empolgante, era disruptivo, a peça era Mistérios Gozosos, a base da apresentação era o poema “O Santeiro do Mangue”, de Oswald de Andrade.
Decidi que queria fazer teatro, queria fazer parte daquilo, mas infelizmente me deixei levar pelo sistema e desisti da minha vocação.
Cheguei a ir aos bastidores, e pude conhecer o mestre e até fui a várias festas com aquele pessoal maravilhoso. Lembrar disso me fez muito bem.
Minha paixão pelo tablado estava instalada, passei a assistir as peças do Oficina, do TBC, das salas de teatros menores e das grandes casas de espetáculo, virei um apaixonado pela arte, mas o que me encantava era o palco.
Desenvolvi uma técnica para me satisfazer, eu escolhia um ator ou atriz e me transportava junto com ele ao palco, me sentia encenando aquele personagem naquela peça, era maravilhoso, pois eu me permitia pertencer ao mundo que eu queria para mim!
Fiz carreira em uma área de cálculos, extremamente técnica, mas que me pagava os estudos de arte na Escola Panamericana, depois Escola de Teatro e me permitia ser um consumidor de teatro e das telas. Mas nunca tive coragem de romper com os princípios sociais tradicionais.
Mas agora com mais de 55 me libertei e me dedico a escrever textos, poemas, poesias, romances e muitos artigos que levam conhecimento de forma simples a todos.
Me dei a chance de mudar! Esse texto é para te agradecer Zé Celso! Demorou, mas rompi com os medos. A dor de não ser eu mesmo, passou.
Ainda vou voltar a estudar teatro um dia e mesmo que fazendo um personagem mais velho, vou subir ao palco e me realizar completamente…
Você já ouviu falar de José Celso Martinez?
Ele é um dos maiores nomes do teatro brasileiro, conhecido por suas obras ousadas, irreverentes e contestadoras.
José Celso Martinez rompe padrões em todos os sentidos: na forma, no conteúdo, na linguagem e na atitude.
Nunca se conformou com convenções e limitações impostas pela sociedade, pela política e pela arte.
Um lutador da liberdade, da criatividade e da expressão autêntica.
Nasceu em 1937, em Araraquara, São Paulo. Desde cedo, ele demonstrou interesse pelo teatro e pela literatura. Aos 17 anos, ele se mudou para São Paulo, onde estudou direito e filosofia na USP.
Mas, no teatro que ele se encontrou, lá estava sua vocação.
Eu tive a oportunidade de vê-lo atuando e dirigindo e garanto que era uma experiência forte que mexia com seus pensamentos, rompia barreiras estéticas e sociais.
Em 1958, ele fundou o Teatro Oficina, um dos grupos mais importantes e influentes da cena cultural brasileira.
O Teatro Oficina se destacou por suas montagens inovadoras de clássicos como Hamlet, Macbeth, Antígona e Os Sertões.
José Celso Martinez se destacou criando peças originais, como O Rei da Vela, Roda Viva, Galileu Galilei e As Bacantes.
Movimentos políticos e sociais
Sempre esteve envolvido com os movimentos sociais e políticos do seu tempo e manteve-se ativo e inteligente, não perdia uma chance de cutucar conservadores.
Ele foi um dos líderes da resistência à ditadura militar, que censurou e perseguiu o seu trabalho.
Ficou exilado por muitos anos.
Ele também apoiou as causas dos trabalhadores, dos estudantes, dos negros, dos indígenas e dos LGBTQIA+.
Defendeu a democracia, a diversidade e os direitos humanos.
Foi um dos pioneiros do tropicalismo, da contracultura e do teatro de rua.
Seus espetáculos, até hoje, desafiam o público e provocam o debate.
Ele segue lutando pela preservação do Teatro Oficina, que está ameaçado por brigas judiciais, com especuladores imobiliários.
Segue inspirado e inspirando novas gerações de artistas e ativistas que querem transformar o mundo.
José Celso Martinez é um exemplo de alguém que rompe padrões, ele faz história, não passa por ela.
Um artista que não se acomoda nem se rende.
E acima de tudo um cidadão que não se cala nem se omite.
Além, é claro, de um ser humano sem limites e inconformado.
Sem dúvida, um dos gênios dos palcos e da vida brasileira. Merece nosso respeito e admiração.
Algumas frases ditas por José Celso trazem muito de sua essência:
“O teatro não pode ser um instrumento de educação popular, de transformação de mentalidades na base do bom-mocismo. A única possibilidade é exatamente pela deseducação, provocar o espectador, provocar sua inteligência recalcada, seu sentido de beleza atrofiado, seu sentido de ação protegido por mil e um esquemas teóricos e que somente levam à ineficácia.”
“A cultura, e não a macroeconomia, é a infraestrutura da vida, a energia propulsora. A macroeconomia está fazendo mal à humanidade. Quando o indivíduo, por meio da cultura, desperta para a autopercepção de que é livre, na hora, ele sai da miséria.”
O texto abaixo traz muito do Zé Celso, vale a pena ler:
185049-Texto do artigo-485054-1-10-20210429 (3).pdf
Teatro Oficina Uzyna Uzona
Sede da companhia de teatro com mesmo nome, uma das companhias que mais resistiu ao passar do tempo e continua em atividade.
Foi fundada em 1958, como a Companhia Teatro Oficina, base da atual Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, criada por Zé Celso e outros estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, podemos citar Amir Haddad e Carlos Queiroz Telles.
No oficina, tivemos grandes nomes como Renato Borghi, Etty Fraser, Fauzi Arap e Ronaldo Daniel atuando.
A profissionalização da companhia data de1961, sua sede fica no bairro do Bixiga, São Paulo.
Dezenas de obras, de grande importância na dramaturgia ocidental e do Brasil, foram encenadas pelo Teatro Oficina, por centenas de artistas que trabalharam na história da companhia.
Porém, sua trajetória também foi marcada por dois episódios trágicos: os incêndios que destruíram o Teatro Oficina, em São Paulo, em 1966 e 1984.
O primeiro incêndio ocorreu em 17 de dezembro de 1966, quando o Teatro Oficina era um dos principais palcos da resistência cultural à ditadura militar.
O fogo consumiu o cenário, os figurinos e os equipamentos da peça “O Rei da Vela”, uma adaptação da obra de Oswald de Andrade que satirizava a elite brasileira.
A suspeita é que o incêndio tenha sido criminoso, provocado por agentes do regime ou por grupos de extrema-direita.
Em 1983, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat), por sua importância histórica ao teatro brasileiro.
O segundo incêndio aconteceu em 14 de agosto de 1984, quando o Teatro Oficina estava em processo de reconstrução, após anos de abandono e disputas judiciais.
O fogo começou na madrugada e se alastrou rapidamente pelo prédio, que tinha uma estrutura precária e inflamável.
As causas do incêndio nunca foram esclarecidas, mas há indícios de que tenha sido acidental, causado por um curto-circuito ou por um cigarro aceso.
Em ambos os casos, José Celso Martinez não se deixou abater pela tragédia e continuou sua luta pela arte e pela liberdade.
Ele reconstruiu o Teatro Oficina com a ajuda de amigos, artistas e admiradores, e criou novas obras, que desafiaram os limites da linguagem teatral.
Em 1992, a reforma pós incêndio ganhou a assinatura de Lina Bo Bardi e Edson Elito, em 2015, o Teatro Oficina foi eleito pelo jornal The Guardian, como o melhor teatro do mundo, na categoria projeto arquitetônico.
Espero que tenham gostado, minha intenção era te fazer pesquisar mais sobre Zé Celso e o Oficina.
Leia sobre suas peças: Vento Forte para um Papagaio Subir, Cacilda e Incubadeira, ou leia sobre suas adaptações de Hamlet e Os Sertões, ou sua direção em O rei da vela, Roda Viva, Galileu Galilei.
Venceu várias vezes os maiores prêmios da arte de interpretar no teatro e no cinema brasileiro, como Moliere, APCT, SACI, Shell, Mambembe entre outros.,
Vídeos
Para finalizar indico que vocês assistam o grande Abujamra no Provocações com Zé Celso, uma dupla que sabia o que era teatro,
Ou no Roda Viva:
e agora no Persona:
Finalmente, vamos assistir um filme que traz muito de Zé Celso.
Espero que eu tenha te animado a pesquisar mais e descobrir mais sobre os palcos brasileiros!
