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Cacilda Becker

101 ANOS em 2022

Fotos do acervo do estado de SP – Coleção Aplauso

“Minhas insatisfações, minhas angústias, esta fé em meio ao caos, foram vitais para a minha arte. Essas coisas fazem os poetas, as atrizes, os devassos e as prostitutas”

Cacilda Becker Yáconis nasceu em 6 de abril de 1921 em Pirassununga. Se estivesse entre nós, teria 101 anos hoje. 

Ela iniciou sua carreira nos anos 40, com os comediantes e na Companhia de Raul Roulien e tornou-se, pela força do seu talento, a primeira atriz do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC. 

Foi dirigida, no início de carreira, por Adolfo Celi, Luciano Salce, Ruggero Jacobbi e Zimbienski. 

Cacilda Becker, na rádio Difusora de Pirassununga, pode ser vista nesta foto de Acácio Honda (Foto Rigor), de 27 de janeiro de 1957, o radialista Moacyr Ravanini entrevista Cacilda Becker no palco do auditório da ZYI-3 – Rádio Difusora de Pirassununga, então instalada à rua José Bonifácio, onde hoje está o Magazine Luiza.

No teatro, no cinema e na TV

Cacilda Becker começou no teatro como atriz amadora e se profissionalizou em 1948. 

Neste ano, Nydia Lícia recusou um papel na peça “Mulher do Próximo”, de Abílio Pereira de Almeida, para não ter que beijar nem dizer a palavra “amante” em cena. Isto podia lhe custar o emprego numa importante loja. 

Cacilda, que a substituiu, exigiu ser contratada como profissional, acabando com o velho preconceito de que artista sério deveria ser diletante.

Em 30 anos de carreira encenou 68 peças, fez dois filmes, Luz dos Meus Olhos (1947) e Floradas na Serra (1954), e uma telenovela, Ciúmes (1966) na TV Tupi, além de participações em teleteatros na televisão.

Sugiro que assistam alguns de seus teleteatros, são aulas de interpretação:

Cacilda, grande guerreira

Os efeitos da ditadura militar sobre a atividade teatral fizeram surgir uma Cacilda Becker militante das causas de sua classe. 

Demitida da TV Bandeirantes, sob a alegação de que suas interpretações eram subversivas, a atriz assume a presidência da Comissão Estadual de Teatro, onde enfrentou repressão em defesa dos direitos dos artistas e produtores. 

Em 1968, o espetáculo “Primeira Feira Paulista de Opinião” sofreu 71 cortes de censura no dia de seu lançamento. 

Isso mesmo, 71 cortes. Inacreditável. Num ato de rebeldia e desobediência civil, diante dos censores que estavam no teatro, Cacilda assumiu sozinha a responsabilidade pela apresentação do texto na íntegra. 

Sua convicção fez com que os censores e agentes federais, presentes no teatro, acatassem sua decisão e assistissem, caladinhos, ao espetáculo.

O ESPETÁCULO QUE NÃO ACABOU: STREGON NÃO VOLTOU

Durante a peça “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, que encenava com o marido Walmôr Chagas, em São Paulo, no dia 6 de maio de 1969, Cacilda Becker sofreu um derrame cerebral em consequência do rompimento de um aneurisma. 

Foi levada ao hospital, ainda com as roupas de seu personagem. Morreu em São Paulo no dia 14 de junho de 1969, aos 48 anos. 

Frases célebres de Cacilda:

“Todos os teatros são o meu teatro”

“Existem empresários que enriquecem com o teatro – dizem. 

Não fizeram teatro, fizeram negócio. 

Quem faz teatro, seja empresa, seja governo, estará sempre perdendo dinheiro. 

Mas asseguro-lhe que quem faz teatro não se importa muito com isso.”

Fonte: https://citacoes.in/autores/cacilda-becker/

Mil Cacildas em Cacilda 

Perdeu o teatro brasileiro não apenas a grande dama da cena brasileira. Perdeu mais. 

Fotos da:

Atriz: Cacilda Becker se tornou um mito | VEJA SÃO PAULO (abril.com.br),

Cacilda Becker – Biografia – InfoEscola

Adeus a Cacilda

Perdeu a maior liderança que a classe teatral já possuiu e que se ressente até os dias atuais. 

Medindo 1,62m, magra e dona de uma voz fraca, Cacilda encantava as plateias e virava um gigante nos palcos. 

Por ocasião de seu falecimento, sobre ela se expressou o poeta Carlos Drummond de Andrade: 

“A morte emendou a gramática / Morreram Cacilda Becker / Não era uma só / Era tantas”. Professorinha pobre de Pirassununga / Cleópatra e Antígona / Maria Stuart / Mary Tyrone / Marta de Albee / Margarida Gauthier e Alma Winemiller / Hannah Jelkes a solteira / A velha senhora Clara Zahanassian / Adorável Júlia / Outras muitas, modernas e futuras / irreveladas. Era também um garoto descarinhado e astuto: Pinga-Fogo / E um mendigo esperando eternamente Godot / Era principalmente a voz de martelo sensível martelando e doendo e descascando/ a casca podre da vida / para mostrar o miolo da sombra / a verdade de cada um nos mitos cênicos. Era uma pessoa e era um teatro. Morrem mil Cacildas em Cacilda.”

O diretor e ator Luiz Carlos Martinez Correa também disse: 

“Que nasçam mil Cacildas em Cacilda. Vamos invocar a força dos atores, técnicos e público para estabelecer um pacto de paixão e luta por um segundo ato para o teatro brasileiro”. 

Eu, que por razões cronológicas não pude desfrutar dos áureos tempos do Teatro Brasileiro, daria tudo para ver CINCO MINUTINHOS E NADA MAIS essa grande mulher reinar absoluta no palco. 

Em outro plano, se Deus quiser, esse ardente desejo será concretizado. 

Parabéns, Cacilda Becker! Muito obrigado pelo seu extraordinário legado de talento. 

Persona em foco

Se quer ouvir histórias incríveis sobre Cacilda assista o vídeo abaixo:

Cacilda Becker | Persona em Foco | 26/07/2016 – YouTube