Skip to content

A arte perde mestres, eles farão muita falta!

Paulo Flavio Sergio Tarcísio Eva Nicete e Luís

Hoje não vou escrever para apresentar apenas algum dos mestres das artes cênicas.

Vou escrever como fã, espectador, como apaixonado que sou pela telinha e pelos palcos.

A diferença não está só na minha emoção que deixa de ser somente de admiração e passa para o nível da perda, da dor, da ausência.

Estou falando de lendas da TV, cinema e do teatro que se foram recentemente. 

Muitas delas marcaram época e nossas vidas, pelo menos marcou a minha! 

Suas interpretações me fizeram sonhar, criar, acreditar, torcer e até vivenciar experiências através de sua atuação.

Neste meu artigo irei reverenciar: 

Paulo José, Flavio Migliaccio, Sergio Mamberti, Tarcísio Meira, Eva Wilma, Nicete Bruno e Luís Gustavo. 

Mestres que partiram e deixaram um lindo rastro de luz!

Paulo José e Flavio Migliaccio

Eu poderia fazer uma lista de peças, novelas, filmes desses dois atores, ou ainda falar do pioneirismo, da vanguarda, das defesas de opiniões. 

Ambos foram enormes em todos esses sentidos. 

Foto em preto e branco de grupo de pessoas posando para foto

Descrição gerada automaticamente

Mas vou falar de apenas duas atuações que resumem muito bem o todo:

Shazan, Xerife & Cia

Os dois atores deram vida a personagens que fizeram parte da minha infância, eram verdadeiros heróis e, ao mesmo tempo, palhaços. Eram a doçura e a sutileza para falar de valores, comportamentos e ética, tudo isso de forma descontraída e focada na criança: Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio)

A dualidade entre o Bem e o Mal era a tônica, mas não tinha peso, era real!

Eles surgiram nos tempos da Vila Sésamo, onde as crianças ainda brincavam de pic-esconde, stop e queimada nas ruas.

Qualquer dia desse vou escrever especificamente sobre a Vila Sésamo, onde o Garibaldo, Gugu, Enio e Beto nos faziam rir e chorar. Tempo também do Sítio do Pica-Pau Amarelo, ainda com Zilka Salaberry e Rosana Garcia, e das primeiras novelas que retratavam os grandes romances como Senhora, Helena, a Moreninha e a Escrava Isaura.

Infelizmente, as novas gerações perderam a chance de serem felizes de um jeito simples e espontâneo.

Poucos amigos da minha época irão se lembrar que os personagens do seriado foram criados para uma novela, “O Primeiro Amor”, mas fizeram tanto sucesso que viraram seriado.

Os atores viviam suas aventuras dentro da “camicleta” e se tornaram nossos heróis atrapalhados e divertidos.

Filme “O palhaço”

Vale a pena assistir a um filme onde Paulo José e Selton Mello fazem pai e filho, ambos palhaços de um circo mambembe, onde o mais novo resolve buscar novas oportunidades.

Somente essas duas obras já trazem muito do que perdemos com a “partida” dessa dupla incrível.

Sergio Mamberti

Muitos dos que eram crianças na década de 90 e dos adultos dessa época choraram ao saber que o Dr. Vitor do Castelo Ra-tim-bum se foi…

O mestre Mamberti teve inúmeros papéis de destaque na vida, mas o Dr.Vitor faz parte do imaginário popular.

Um homem, ator, diretor, produtor, autor, dramaturgo, atuante na política e na sociedade, foi acima de tudo pai e companheiro.

Atuante no cinema e na TV, fez a diferença no Teatro brasileiro ao lado de Antonio Abujamra, José Possi Neto, Mauro Rasi, Cassio Scapin, entre tantos outros.

Por sinal, essa lista que esteve ao lado de Sergio merece ser estudada por todo estudante de artes cênicas, pois temos aí uma boa parte da história da dramaturgia brasileira.

Tarcísio Meira

Eu tive a oportunidade de vê-lo no teatro em sua última peça, “O camareiro”. Um monstro na atuação, preenchia o palco com sua força e expressão.

Quando eu era criança, via nele um herói. Quem assistiu Irmãos Coragem sabe o que eu quero dizer. Mas pouco tempo depois o vi se tornar um herói nacional, D. Pedro I, e depois o Capitão Rodrigo Cambará, em O tempo e o Vento.

Muitos viam em Tarcísio a estampa do Clarck Gable brasileiro, só que isso se transformou quando ele fez dois papéis marcantes: Hermógenes, do Grande Sertão Veredas e Dom Jerônimo, em “A muralha”, Não estou limitando sua carreira, estou apenas dando dicas para os mais jovens, para procurar esses trabalhos e assim entender muito do que é “interpretar” e se entregar a um personagem.

No cinema, os jovens atores poderiam aprender muito como “Boca de Ouro” e “Beijo no asfalto”. 

Seu casamento e parceria com Gloria Menezes foi um marco da TV brasileira. 

Eva Wilma

Eu vejo Eva como a bailarina das emoções, pois ela veio do ballet para o teatro. 

Uma mulher forte que desbravou com atuação empoderada.

Quando puder, pesquise todas as suas atuações na TV e no teatro, vale a pena.

Agora, se você quiser entender sua força, veja alguns capítulos de “A viagem” ou “Mulheres de areia” da extinta TV Tupi.

Na foto, ela interpretava uma das vilãs mais famosas da TV brasileira: Dona Altiva. Uma mulher capaz de invocar a Deus e ao demônio na novela “A indomada”. Entre frases que misturavam inglês ao português, criou uma enorme quantidade de cacos famosos. Viveu em Greenville, cidade da trama, um dos grandes momentos de sua carreira.

Também podemos lhe atribuir sucessos como Alô doçura, Barba-azul, O direito de nascer, Elas por Elas, Sassaricando, Páginas da Vida, entre tantos outros trabalhos. 

Se você quiser ver uma grande atuação, assista a séria “Mulher”, onde ela e Patrícia Pilar foram médicas fortes e dedicadas.

Foi casada com dois atores muito conhecidos, John Herbert e Carlos Zara. 

No teatro, esteve no início do Arena, do TBC, foi dirigida por Antunes Filho, ganhou números prêmios e atuou até pouco tempo atrás. No cinema, também possui uma atuação invejável.

Mas ela nos deixou um marco incrível: no hospital, em seus últimos dias de vida, ela andava agarrada a um texto, decorando-o com a vontade de uma criança e preparava-se para atuar assim que possível, mesmo aos 87 anos e muito doente. 

Amava o que fazia e o fazia com todas as suas forças.   

Nicete Bruno

Perdemos Nicete, mas já tínhamos perdido Paulo e não dá para pensar num sem pensar no outro.

Um casal que transmitia paz, verdade e plenitude. Uma família admirável, filhos tão competentes quanto os pais.

Eu os vi pessoalmente quando fui ao teatro, mas eles eram expectadores também, chamava atenção a diferença de tamanho entre eles, ele um homem enorme e ela tão pequena e delicada, mas a harmonia entre eles era tanta que a diferença na altura desaparecia.

Nicete e Eva Wilma atuaram juntas a pouco tempo e partiram quase que juntas, após muito ensinar a todos que amam o palco.

Gosto de lembrar dela como a vovó do Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas ela esteve na TV desde o começo e atuou até o fim, em Órfãos da Terra e Éramos seis. 

Uma mulher muito espiritualizada que me transmitia paz, mesmo quando seu personagem não fosse assim. Talvez fosse ela mesma. Da sua alegria de viver!

Luís Gustavo

No dia que a Comud ia publicar este artigo, mais uma perda muito grande, faleceu Luís Gustavo e, com ele, alguns dos personagens mais deliciosos da TV brasileira.

Lá se vão o detetive Mario Fofoca, o estilista Victor Valentim, o Vavá do seriado Sai de Baixo e o famoso Beto Rockfeller.

Na realidade, são tantos os personagens marcantes que eu poderia escrever páginas, mas vou me limitar neste artigo.

Saibam que faço isso com muito pesar, pois esse ator realmente fez a diferença, pois sua espontaneidade era demais. 

Infelizmente perdemos muitos outros nos últimos tempos e não quero produzir um texto triste, pois eles se foram apenas fisicamente, mas o legado é enorme, suas dicas, entrevistas, posicionamentos na vida são eternos.

Escolhi alguns para representar muitos, não fiz textos longos e nem citei todos seus personagens. Se quiserem mais informações, sugiro pesquisa na Google ou qualquer outro buscador. A internet se abre com um mundo de opções! 

Minha intenção aqui é apenas trazer aos jovens a vontade de pesquisar sobre quem fez muito pelo teatro, cinema e TV. É lançar a semente, é pedir para que visitem nossa filmografia e a história dos nossos bastidores 

Pesquise.

Assista.

Aprenda.

Não perca tempo! 

Faça a diferença na sua vida e na vida de quem está à sua volta.