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Seu Pet Nunca Foi ao Campo ou à Praia?

Novos cheiros, novas aventuras e alguns cuidados que fazem toda a diferença!

Imagine a cena.

Você prepara as malas para passar alguns dias na praia ou no campo e decide levar aquele companheiro que está sempre ao seu lado.

Para você, o destino já é conhecido.

Mas para ele?

Talvez seja a primeira vez que veja o mar, sinta a areia nas patas, escute o barulho das ondas ou descubra o cheiro de uma floresta.

Tudo é novidade!

E, dependendo da personalidade do seu pet, essa experiência pode despertar curiosidade, alegria, medo ou até um pouco de tudo isso ao mesmo tempo.

Como veterinária, gosto de lembrar que um passeio maravilhoso para o tutor precisa ser seguro e agradável para o animal também.

Por isso, antes de colocar a coleira e sair para essa aventura, vamos conversar sobre alguns cuidados importantes?

Antes de viajar: seu pet está preparado?

O primeiro cuidado começa antes de sair de casa.

Não basta colocar comida, água e brinquedos na mala.

É importante verificar se seu animal está em condições de saúde adequadas para viajar.

Considere especialmente:

  • Vacinação atualizada conforme orientação veterinária.
  • Prevenção contra pulgas, carrapatos e outros parasitas.
  • Vermifugação e exames quando indicados.
  • Identificação com telefone atualizado.
  • Medicamentos de uso contínuo, se necessários.
  • Caixa de transporte ou dispositivo de contenção apropriado.
  • Alimentação habitual para o período da viagem.

Se o destino for uma região com ocorrência de leishmaniose, dirofilariose ou outras doenças transmitidas por vetores, converse antecipadamente com o veterinário sobre a prevenção específica.

E atenção aos animais idosos, filhotes e pets com doenças cardíacas, respiratórias ou outras condições que possam limitar a viagem.

Nem todo animal está preparado para qualquer aventura.

A primeira vez na praia: que lugar estranho é esse?

Imagine seu cachorro chegando à praia.

O chão é diferente.

O vento traz cheiros desconhecidos.

Existe um barulho constante vindo daquela imensidão azul.

E, de repente, uma onda se aproxima!

Alguns cães correm alegremente em direção à água.

Outros fogem assustados.

As duas reações são naturais.

Não force seu pet a entrar no mar.

Permita que ele conheça a areia, observe as ondas e se aproxime da água no próprio ritmo.

Se demonstrar medo, respeite.

O objetivo não é fazer seu cachorro gostar do mar. É permitir que ele tenha uma experiência positiva e segura.

Antes de entrar na areia

Verifique se a praia permite a presença de animais.

Alguns municípios possuem regras específicas, restrições de horários ou áreas destinadas aos pets.

Mesmo onde a presença é permitida, utilize guia quando exigido e respeite as demais pessoas e animais.

Seu cachorro pode entrar no mar?

Pode, desde que tenha condições físicas, demonstre conforto com a água e o local ofereça segurança.

Mas existem cuidados importantes.

Ao entrar na água, atenção aos cães braquiocefálicos, que no geral tem menos folega para atividades físicas e podem se afogar com maior facilidade.

Ondas e correntes

O mar não é uma piscina.

Mesmo cães que nadam bem podem enfrentar dificuldades com ondas fortes, correntes e mudanças de profundidade.

Evite locais perigosos e mantenha supervisão constante.

Colete salva-vidas

Em atividades aquáticas, especialmente com cães pouco experientes, um colete apropriado pode oferecer proteção adicional.

Ele não substitui a supervisão.

Água salgada

Não permita que o cachorro beba água do mar.

A ingestão pode provocar vômitos, diarreia e, em grandes quantidades, intoxicação por sal, uma condição potencialmente grave.

Leve sempre água potável e ofereça frequentemente.

Depois do banho de mar

Enxágue a pelagem e a pele com água doce para retirar o excesso de sal e areia, secando adequadamente o animal, principalmente as dobras da pele e as orelhas.

Isso ajuda a reduzir irritações e desconfortos.

Sol e areia: cuidado com o calor!

Você já caminhou descalço sobre uma areia muito quente?

Então sabe como pode ser desconfortável!

Agora imagine seu pet caminhando sobre ela sem poder escolher um calçado.

A areia e o asfalto podem atingir temperaturas capazes de causar queimaduras nas patas.

Prefira os horários mais frescos do dia.

Ofereça sombra, água e pausas frequentes.

E cuidado especial com os cães de focinho curto!

Pugs, Bulldogs Franceses, Bulldogs Ingleses e outras raças braquicefálicas podem apresentar maior dificuldade para respirar e controlar a temperatura corporal.

Esses animais possuem maior risco de superaquecimento, especialmente durante exercícios e em ambientes quentes.

Se o dia estiver muito quente, talvez o melhor passeio seja permanecer em um ambiente fresco.

Protetores solares devem ser específicos e seguros para animais, utilizados conforme orientação veterinária.

E se ele comer areia ou encontrar alguma coisa na praia?

Cães são curiosos.

Farejam, cavam e, algumas vezes, tentam colocar na boca tudo aquilo que encontram.

Na praia, fique atento a:

  • Restos de alimentos e ossos.
  • Anzóis e linhas de pesca.
  • Conchas e objetos pontiagudos.
  • Peixes mortos.
  • Águas-vivas e outros animais marinhos.
  • Lixo e embalagens.
  • Areia ingerida durante brincadeiras.

A ingestão de areia em quantidade significativa pode provocar problemas gastrointestinais, incluindo obstruções.

Evite brincadeiras que façam o cachorro engolir grandes quantidades de areia.

Se houver vômitos repetidos, dor abdominal, dificuldade para evacuar ou alterações importantes após o passeio, procure atendimento veterinário.

Agora vamos ao campo: um mundo de novos cheiros!

Se a praia surpreende pelas ondas e pela areia, o campo oferece outro universo de descobertas.

  • Grama.
  • Terra.
  • Folhas.
  • Árvores.
  • Insetos.
  • Animais diferentes.
  • Sons que seu pet talvez nunca tenha ouvido.

Para muitos cães, explorar esses ambientes pode ser uma atividade maravilhosa.

Mas o campo também apresenta riscos específicos.

E alguns deles são praticamente invisíveis.

Carrapatos, pulgas e outros parasitas

Áreas rurais, gramados, pastagens e locais com circulação de animais podem favorecer a exposição a parasitas.

Carrapatos podem transmitir doenças importantes aos cães.

Além disso, determinados ambientes podem oferecer risco de contato com pulgas, mosquitos e outros vetores.

Antes da viagem, converse com o veterinário sobre os produtos preventivos adequados para a espécie, idade, peso e região visitada.

Nunca utilize medicamentos destinados a cães em gatos sem orientação profissional.

Alguns produtos podem ser extremamente tóxicos para eles.

Ao retornar dos passeios, examine cuidadosamente:

  • Orelhas.
  • Pescoço.
  • Axilas.
  • Barriga.
  • Entre os dedos.
  • Região da cauda.

Se encontrar carrapatos, remova-os corretamente e observe possíveis sinais de doença nos dias seguintes.

Atenção às cobras, aranhas e outros animais

Em áreas rurais e de mata, pode haver serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais capazes de causar acidentes.

Mantenha seu pet sob supervisão.

Evite que ele explore buracos, montes de madeira, entulhos ou vegetação densa sem controle.

Se houver suspeita de picada por animal peçonhento, procure atendimento veterinário imediatamente.

  • Não faça torniquetes.
  • Não corte o local.
  • Não tente sugar o veneno.
  • E não aplique substâncias caseiras.

O atendimento rápido pode fazer toda a diferença.

Rios, lagos e cachoeiras: água doce também exige atenção!

Seu cachorro encontrou um rio e quer entrar?

Antes, observe as condições da água.

Rios e lagos podem apresentar correntes, pedras escorregadias, profundidades inesperadas e contaminação.

Evite locais com água parada, esgoto, aspecto suspeito ou presença de florações de algas.

Algumas cianobactérias presentes em ambientes aquáticos podem produzir toxinas perigosas para os animais.

Não permita que seu pet beba água de procedência desconhecida.

Outro risco importante em ambientes úmidos é a leptospirose, uma doença que pode ser transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados.

A vacinação e a prevenção ambiental ajudam a reduzir riscos, mas não eliminam todas as possibilidades de exposição.

Plantas e frutas: nem tudo que é natural é seguro!

No campo, é comum encontrarmos plantas, sementes, cogumelos e frutas caídas no chão.

Mas atenção!

Natural não significa inofensivo.

Algumas plantas e cogumelos podem provocar intoxicações graves.

Evite que seu pet mastigue vegetação desconhecida ou consuma frutas encontradas no ambiente.

Se suspeitar de ingestão de uma substância tóxica, procure atendimento veterinário.

Quando possível, registre uma fotografia da planta ou do material envolvido para auxiliar na identificação.

Não provoque vômito sem orientação profissional.

E os outros animais da fazenda?

Vacas, cavalos, galinhas, ovelhas e outros animais podem despertar enorme curiosidade.

Mas não devemos permitir aproximações sem controle.

  • Um cavalo assustado pode dar um coice.
  • Uma vaca protegendo seu filhote pode reagir.
  • E um cachorro muito excitado pode perseguir animais de criação.

Além dos riscos físicos, o contato com outros animais e seus ambientes pode aumentar a exposição a agentes infecciosos e parasitas.

Mantenha seu pet sob controle e respeite os espaços dos animais que vivem na propriedade.

Atenção às cercas, portões e estradas

No campo, os espaços costumam ser maiores.

E justamente por isso, alguns tutores acreditam que podem deixar seus cães correr livremente.

Mas um animal que nunca esteve naquele ambiente pode se desorientar, perseguir outros animais ou se afastar demais.

Verifique cercas e portões.

Observe a presença de estradas, máquinas agrícolas, poços, piscinas e outros perigos.

Utilize identificação e mantenha supervisão.

Um cachorro acostumado ao apartamento pode não reconhecer os riscos de uma propriedade rural.

E os gatos? Também podem conhecer o campo ou a praia?

Podem, mas isso não significa que todos devam participar desse tipo de passeio.

Gatos são muito sensíveis às mudanças de ambiente.

Alguns se adaptam a viagens e passeios com peitoral e guia, quando acostumados gradualmente e de maneira positiva.

Outros ficam extremamente estressados fora de seu território.

Para esses animais, permanecer em um ambiente familiar, com cuidados adequados durante a ausência dos tutores, pode ser a melhor opção.

Se decidir viajar com seu gato, utilize uma caixa de transporte segura.

No destino, prepare inicialmente um cômodo tranquilo, com água, alimentação, caixa de areia, esconderijos e objetos familiares.

Nunca permita acesso livre a áreas externas desconhecidas.

O risco de fuga pode ser elevado.

Importante ressaltar que estresse deles não consiste em ficar bravo, mas uma cadeia de reações que ocorre no organismo e pode refletir em funções vitais, que pode gerar em sistemas urinário, digestivo e imunológico, principalmente.

E os outros pets?

Coelhos, porquinhos-da-índia, aves, hamsters e outros animais não devem ser levados automaticamente para passeios no campo ou na praia.

Muitas dessas espécies são sensíveis a mudanças de temperatura, transporte, ruídos e manipulação.

Coelhos e pequenos roedores, por exemplo, podem sofrer com calor excessivo e estresse.

Aves também possuem necessidades ambientais e de transporte muito específicas.

Antes de planejar qualquer deslocamento, converse com um veterinário especializado na espécie.

Nem todo pet precisa viajar para ser feliz.

Alimentação durante a viagem

Uma mudança de ambiente já representa bastante novidade.

Por isso, evite mudar bruscamente a alimentação do seu pet durante a viagem.

Leve a ração ou dieta habitual em quantidade suficiente.

Armazene os alimentos corretamente e respeite os horários das refeições.

Evite oferecer churrasco, alimentos temperados, restos de comida e petiscos desconhecidos.

E lembre-se de que alguns alimentos humanos podem ser tóxicos para cães e gatos.

O passeio não precisa virar uma aventura gastronômica para seu pet!

Quais sinais indicam que devemos interromper o passeio?

Observe seu animal durante toda a experiência.

Alguns sinais merecem atenção:

  • Cansaço excessivo: dificuldade para acompanhar o passeio, fraqueza ou recusa em continuar.
  • Respiração anormal: esforço respiratório, respiração muito intensa que não melhora com descanso ou dificuldade para respirar.
  • Alterações comportamentais: medo intenso, desorientação, agitação incomum ou apatia.
  • Problemas digestivos: vômitos repetidos, diarreia intensa ou sinais de dor abdominal.
  • Alterações de temperatura: sinais de superaquecimento, fraqueza, cambaleio ou colapso.

Se suspeitar de insolação ou golpe de calor, retire imediatamente o animal do ambiente quente, inicie resfriamento com água fresca, sem gelo, e procure atendimento veterinário de emergência.

Não espere que os sinais graves desapareçam sozinhos.

O que levar na mala do seu pet?

Além das suas roupas e objetos pessoais, reserve espaço para os itens do seu companheiro.

Checklist para a viagem

  • Alimentação habitual e petiscos apropriados.
  • Água potável e recipientes.
  • Guia, peitoral e identificação.
  • Caixa de transporte ou sistema de retenção adequado.
  • Cama ou manta conhecida.
  • Brinquedos favoritos.
  • Saquinhos para recolher as fezes.
  • Medicamentos de uso contínuo.
  • Produtos preventivos recomendados pelo veterinário.
  • Toalhas para secagem.
  • Documentação sanitária exigida para o deslocamento.
  • Contatos de clínicas veterinárias próximas ao destino.

Antes de sair, procure identificar um serviço veterinário de emergência na região.

Acho que deveria ter uma caixa média: Antiemético veterinário (para casos de enjoo), Analgésico veterinário (para casos de pancadas, quedas, etc), Probióticos (em casos de desarranjo intestinal, seja por outros alimento que não o de costume ou por estresse), Anti-histamínico (para evitar choques anafiláticos ou mesmo reações alérgicas simples, seja a picada ou contato com novas substancias), Medicamento de uso contínuo (já citados), Ansiolítico ou medicamento para viagem (se necessário ou indicado pelo comportamento do pet ou período de viagem); a carteira de vacinação é também um importate documento.

Pode parecer exagero, mas em uma situação inesperada essa informação será muito importante.

A volta para casa também merece cuidados

Depois de um fim de semana cheio de aventuras, seu pet provavelmente estará cansado.

E talvez muito feliz!

Mas antes de encerrar o passeio, faça uma pequena avaliação.

Observe a pele, as patas e a pelagem.

Procure carrapatos, ferimentos, espinhos ou objetos presos entre os dedos.

Depois da praia, retire o excesso de areia e sal.

Se houver mudanças no apetite, comportamento, urina, fezes ou disposição, acompanhe com atenção e procure orientação veterinária quando necessário.

Algumas doenças transmitidas por parasitas ou adquiridas durante a viagem podem apresentar sinais apenas dias depois da exposição.

Conclusão

Levar seu pet para conhecer o campo ou o mar pode proporcionar experiências inesquecíveis.

Talvez ele descubra que adora correr pela grama.

E talvez fique encantado com os cheiros da natureza.

Talvez se aproxime das ondas com curiosidade.

Ou talvez olhe para aquela imensidão de água e decida que prefere continuar bem longe dela!

E está tudo bem.

O mais importante não é a quantidade de lugares que seu pet conhece.

É a qualidade das experiências que oferecemos a ele.

Respeite seus limites.

Observe seu comportamento.

Previna acidentes.

Cuide de sua saúde.

E permita que cada descoberta aconteça no seu próprio ritmo.

Para nós, uma viagem pode ser uma mudança de paisagem. Para nossos pets, pode ser a descoberta de um mundo completamente novo.

E não existe aventura mais bonita do que aquela em que todos voltam para casa felizes, saudáveis e seguros!

Sou a Beatriz, jovem estudante de medicina veterinária. Nascida e residente em São Paulo, sou apaixonada por animais, música e literatura. 💖