Skip to content

Antes de escolher seu candidato, investigue

Durante muito tempo, escolher um candidato significava assistir ao horário eleitoral, ouvir um comício, ler um jornal, conversar com amigos e tentar decidir.

Hoje temos uma situação completamente diferente.

Carregamos no bolso uma quantidade de informações que um eleitor de algumas décadas atrás jamais imaginaria possuir.

Podemos descobrir o que um deputado propôs.

Como votou.

Quanto recebeu para sua campanha.

Quem financiou.

A qual partido pertence.

O que seu partido defende.

Como se declarou anos atrás.

O que publica atualmente.

E até acompanhar se determinado projeto realmente virou lei.

O problema é que, junto com essa extraordinária quantidade de informação, veio outra coisa: a extraordinária quantidade de desinformação.

Vídeos cortados.

Frases retiradas do contexto.

Fotografias antigas apresentadas como atuais.

Pesquisas inexistentes.

Sites que imitam jornais.

Áudios sem origem.

Imagens produzidas ou alteradas por Inteligência Artificial.

Perfis falsos.

E aquela velha mensagem: “Repasse antes que apaguem!”

Talvez justamente por termos tanta informação disponível, nunca tenha sido tão importante aprender a pesquisar.

Este artigo não pretende dizer em quem você deve votar.

Muito menos dizer quem é de direita, esquerda ou centro, quem é bom ou ruim.

A proposta é outra: ajudar você a fazer sua própria investigação.

Porque voto consciente não começa na urna.

Começa na pergunta.

1. Recebeu uma notícia? Não compartilhe ainda

Imagine que você receba pelo WhatsApp:

“URGENTE! Candidato X acaba de anunciar que vai acabar com determinado benefício. A imprensa está escondendo.”

Pare.

Não porque seja necessariamente mentira.

Mas porque você ainda não sabe se é verdade.

Uma das características da desinformação é tentar eliminar o tempo necessário para pensar.

“URGENTE.”

“Compartilhe imediatamente.”

“Estão tentando apagar.”

“A mídia não vai mostrar.”

“Todo mundo precisa saber.”

Essas expressões não provam que uma notícia seja falsa, mas devem aumentar sua atenção.

O TSE criou para as Eleições 2026 a websérie “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”, justamente para ajudar eleitores a identificar e questionar conteúdos potencialmente falsos.

Central oficial das Eleições 2026 do TSE

Antes de compartilhar, faça uma pequena investigação:

  1. Quem publicou originalmente? Não pergunte quem encaminhou para você. Procure a origem.
  2. Existe data? Uma notícia verdadeira de 2022 pode produzir uma mentira em 2026 se apresentada como atual.
  3. Existe matéria completa ou apenas print? Procure o título no site original.
  4. Outros veículos confiáveis publicaram? Um acontecimento extraordinariamente importante dificilmente estará apenas em uma página desconhecida.
  5. O vídeo está completo? Procure a entrevista, discurso ou debate original. Dez segundos podem mudar completamente o sentido de uma fala de vinte minutos.
  6. A fotografia realmente pertence àquele acontecimento? Pesquisa reversa de imagem pode mostrar que ela foi publicada anos antes ou em outro país.
  7. O endereço do site está correto? Golpistas e propagadores de desinformação podem usar nomes e endereços parecidos com veículos conhecidos.
  8. Há fonte identificável? “Especialistas afirmam”, “fontes garantem” ou “estudos comprovam” sem indicar quem, onde e qual estudo exigem cautela.
  9. A notícia desperta raiva ou medo instantaneamente? Emoção não torna uma informação falsa, mas conteúdos manipulativos frequentemente exploram exatamente nossa reação emocional.
  10. A informação parece boa demais para quem você apoia ou terrível demais para quem você rejeita? Redobre a checagem.

Essa última talvez seja a mais difícil.

Precisamos aprender a verificar também aquilo em que gostaríamos de acreditar.

2. Onde procurar informações confiáveis?

Não existe um único “site da verdade”.

Uma boa verificação utiliza fontes diferentes para perguntas diferentes.

Para informações eleitorais, candidaturas, partidos, registros e contas, comece pela Justiça Eleitoral — Eleições 2026.

Para verificar quem efetivamente pediu registro como candidato, existe o DivulgaCandContas.

Ali o eleitor encontra informações oficiais sobre candidaturas e contas eleitorais e pode consultar também doadores, fornecedores, gastos e outros dados financeiros de campanha.

Se o assunto for um deputado federal, consulte a Câmara dos Deputados.

Se for senador, consulte o Senado Federal.

Para legislação, Executivo e políticas públicas federais, procure os portais oficiais do governo.

E use também jornalismo profissional e agências especializadas de checagem.

Mas mantenha uma regra: fonte oficial também precisa ser interpretada, e discurso político também precisa ser confrontado com fatos.

Não troque pensamento crítico por confiança automática em uma única fonte.

3. “Meu candidato apresentou 200 projetos.” E daí?

Essa frase aparece muito em campanhas.

O número sozinho diz pouco.

Imagine um deputado que diga: “Apresentei 150 projetos durante meu mandato.”

Ótimo.

Agora começam as perguntas.

  • Quais projetos?
  • Sobre quais assuntos?
  • Foram realmente de autoria dele?
  • Em que estágio estão?
  • Foram aprovados?
  • Viraram lei?
  • Produziram algum resultado?
  • Alguns foram apenas requerimentos ou homenagens?
  • Foram relevantes para aquilo que ele prometeu na eleição anterior?

A própria Câmara permite consultar as proposições apresentadas e relatadas por cada deputado e identificar aquelas que foram transformadas em norma jurídica. Há dados disponíveis desde 2001.

Pesquise a atividade legislativa na Câmara dos Deputados

No Senado também é possível pesquisar matérias, autoria, relatoria, pareceres, emendas, votação, sanção, veto, promulgação e publicação.

Consulte votações nominais no Senado

Portanto: não conte apenas projetos. Investigue o caminho deles.

4. Projeto apresentado não é projeto aprovado. E projeto aprovado não é necessariamente resultado

Essa diferença é fundamental.

Um político pode ter apresentado uma proposta.

Ela pode ter sido discutida.

Pode ter sido alterada, aprovada, vetada,ter virado lei.

E uma lei pode existir sem ter produzido exatamente o resultado anunciado.

São coisas diferentes.

Por isso, quando um candidato disser: “Eu fiz…” transforme imediatamente a frase em perguntas:

  • O que exatamente você fez?
  • Existe documento?
  • Qual foi sua participação?
  • Foi iniciativa individual ou coletiva?
  • Foi aprovado?
  • Foi executado?
  • Quanto custou?
  • Qual resultado produziu?

É uma pequena mudança de comportamento que pode melhorar muito a qualidade da escolha eleitoral.

5. E se o candidato já foi prefeito, governador, ministro ou secretário?

Aqui a investigação muda.

Um integrante do Executivo não deve ser avaliado apenas por projetos de lei.

Precisamos procurar políticas efetivamente executadas.

Se alguém diz:

“Construí 30 escolas.” Não pare na propaganda.

Procure.

  • Foram construídas?
  • Onde?
  • Quando?
  • Estão funcionando?
  • Qual foi o investimento?
  • O dinheiro foi empenhado, pago ou a obra foi efetivamente entregue?

Se promete reduzir determinada fila, procure saber qual era a fila quando assumiu e qual era quando deixou o cargo.

Se fala de segurança, educação, saúde ou emprego, procure indicadores comparáveis, não apenas números escolhidos pela campanha.

E tome cuidado com uma armadilha comum: correlação não é automaticamente autoria.

A economia melhorou durante determinado governo? Isso não prova sozinho que aquele governante causou toda a melhora.

Piorou? Também não significa automaticamente que ele seja responsável por tudo.

Políticas públicas convivem com economia nacional, decisões estaduais e municipais, Congresso, Judiciário, cenário internacional, eventos inesperados e políticas iniciadas por governos anteriores.

O eleitor precisa procurar contexto.

6. Descubra a qual partido o candidato pertence — e o que esse partido diz defender

Às vezes escolhemos uma pessoa e esquecemos que, no sistema político brasileiro, partidos importam.

Por isso eu não indicaria apenas os sites dos maiores partidos.

Isso poderia parecer uma seleção editorial nossa.

Faria melhor: indicaria todos por meio do TSE.

Atualmente o TSE relaciona 30 partidos políticos registrados, e ao clicar em cada sigla é possível acessar dados do diretório nacional, site, estatuto, alterações estatutárias e normas complementares.

Consulte todos os partidos registrados no TSE

Isso permite que cada leitor pesquise PT, PL, MDB, PSD, União Brasil, Republicanos, PSOL, Novo, PSB, PDT ou qualquer outra legenda pela mesma fonte oficial, sem que este artigo escolha quais merecem aparecer.

E existe outro detalhe importante em 2026: federações partidárias.

O TSE registra atualmente cinco federações: Brasil da Esperança, PSDB Cidadania, PSOL REDE, Renovação Solidária e União Progressista.

Conheça as federações partidárias registradas no TSE

Depois de conhecer o partido, faça uma comparação interessante: o candidato realmente defende aquilo que seu partido declara defender?

As diferenças podem revelar muito.

7. Compare o candidato de hoje com o candidato de ontem

Essa talvez seja uma das pesquisas mais interessantes.

Abra o perfil oficial do candidato.

Leia o que ele diz defender hoje.

Depois pesquise suas redes sociais antigas.

  • Entrevistas.
  • Discursos.
  • Debates.
  • Projetos.
  • Votações.
  • Campanhas anteriores.

Não faça isso para procurar uma frase antiga e condenar alguém eternamente por ela.

Pessoas podem mudar de opinião. Políticos também.

Aliás, mudar de opinião diante de novas evidências pode ser uma virtude.

A pergunta interessante é: houve evolução explicada ou apenas conveniência eleitoral?

Se alguém defendia A durante anos e agora defende B, procure entrevistas em que explique a mudança.

Digamos que ele diz que educação sempre foi prioridade, procure sua atuação anterior sobre educação.

Se afirma defender determinado grupo, veja como votou quando propostas relacionadas a esse grupo chegaram ao Legislativo.

Se diz combater privilégios, pesquise seu comportamento diante de benefícios que atingiam a própria classe política.

Não procure apenas contradições.

Procure coerência.

8. Não confunda rede social com currículo

Instagram é excelente para descobrir como um candidato quer ser visto.

Não necessariamente para descobrir tudo o que ele fez.

Uma fotografia entregando uma escola não prova que aquela escola foi construída por ele.

Um vídeo em hospital não prova que melhorou a saúde.

Uma visita a uma comunidade não comprova uma política social.

E um discurso emocionante não é uma política pública.

Use as redes sociais como uma das fontes, nunca como a única.

Faça algo simples:

O candidato promete? Procure o documento.

Diz que fez? Procure a ação.

Afirma que funcionou? Procure o resultado.

Essa sequência poderia ser uma das imagens do artigo.

9. Como encontrar as redes sociais verdadeiras de um candidato?

Não confie automaticamente no primeiro perfil que aparecer.

Perfis falsos, páginas de apoiadores e contas com nomes semelhantes podem causar confusão.

Comece pelo nome completo registrado na candidatura.

O DivulgaCandContas é uma boa referência inicial para confirmar identidade, partido e candidatura. A Justiça Eleitoral torna públicas diversas informações do registro justamente porque são relevantes para a escolha do eleitor.

Depois procure:

  • nome completo + partido + Instagram
  • nome completo + partido + Facebook
  • nome completo + partido + YouTube
  • nome completo + partido + TikTok

Confira se o perfil está ligado ao site oficial, ao partido ou a outros perfis oficiais.

Observe histórico da conta, publicações antigas e consistência.

E cuidado: selo, quantidade de seguidores e aparência profissional não substituem verificação.

10. Quem está pagando pela campanha?

Esse é um assunto que o eleitor deveria observar muito mais.

Campanha custa dinheiro.

  • De onde ele veio?
  • Quanto o candidato recebeu?
  • Quanto gastou?
  • Quem são os fornecedores?
  • Como os recursos estão sendo utilizados?

O DivulgaCandContas oferece consultas de doadores, fornecedores, financiamento coletivo, dívidas e sobras de campanha e permite inclusive comparar arrecadação e gastos entre candidatos.

Pesquise candidatos e contas eleitorais no DivulgaCandContas

Isso não significa presumir irregularidade porque alguém recebeu determinada doação permitida pela legislação.

Significa conhecer melhor como uma candidatura está sendo financiada.

Transparência também faz parte da escolha.

11. Cuidado com pesquisas eleitorais

“Pesquisa mostra candidato X disparando.”

  • Qual pesquisa?
  • Qual instituto?
  • Quando foi realizada?
  • Quantas pessoas foram entrevistadas?
  • Qual metodologia?
  • Qual margem de erro?
  • Qual abrangência geográfica?
  • Quem contratou?
  • Está registrada na Justiça Eleitoral?

A central das Eleições 2026 do TSE possui área específica para pesquisas eleitorais.

Uma imagem com percentuais circulando no WhatsApp não é uma pesquisa eleitoral.

É uma imagem com percentuais.

12. E agora existe a Inteligência Artificial

Em 2026, essa pergunta tornou-se indispensável.Eu estou vendo algo que realmente aconteceu?

IA pode produzir imagem, voz e vídeo extremamente convincentes.

Isso não significa desconfiar de tudo. Significa aumentar o rigor.

Se aparecer um vídeo bombástico de um candidato dizendo algo absurdo, procure:

a gravação completa; a fonte original; o evento em que teria ocorrido; outras câmeras registrando o mesmo momento; cobertura jornalística independente; manifestações oficiais e eventuais checagens.

13. Não pesquise apenas o candidato de quem você desconfia

Aqui talvez esteja o exercício democrático mais difícil.

Se você já decidiu que determinado candidato é péssimo, provavelmente pesquisará tudo contra ele.

Se ama outro candidato, talvez aceite qualquer coisa favorável.

Isso tem relação com nosso conhecido viés de confirmação.

Por isso proponho uma regra simples: use exatamente o mesmo método para todos.

Escolha três candidatos?

Faça as mesmas perguntas aos três.

Compare propostas, passado, resultados, partido, coerência, fontes, financiamento, capacidade de executar aquilo que prometem.

Democracia melhora quando deixamos de investigar apenas “o outro lado”.

Minha ficha de investigação eleitoral

Eu inclusive criaria uma pequena ficha para o leitor preencher antes de decidir seu voto:

PerguntaCandidato ACandidato BCandidato C
Qual experiência possui?
O que promete?
A promessa cabe no cargo disputado?
Quanto custaria?
Explicou de onde virão os recursos?
Já exerceu cargo público?
Quais resultados comprováveis entregou?
Quais projetos apresentou?
Como votou em temas que considero importantes?
Qual é seu partido/federação?
O discurso combina com sua atuação anterior?
Quem financia sua campanha?
As informações que encontrei possuem fontes independentes?

E acrescentaria uma pergunta que considero fundamental: Ele está prometendo algo que o cargo permite fazer?

Tenho visto, pessoas prometerem coisas que não dependem do cargo para o qual estão disputando! FIQUE DE OLHO E COBRE MUITO NO FUTURO

Um candidato a deputado não governa como prefeito.

Um senador não possui as mesmas atribuições de um governador.

Um presidente não pode simplesmente decidir sozinho tudo aquilo que deseja.

Prometer aquilo que juridicamente não depende do cargo disputado pode ser uma das formas mais eficientes de produzir uma promessa eleitoral impossível.

O candidato também precisa sobreviver à sua pesquisa

Talvez durante muitos anos tenhamos perguntado: “Em quem você vai votar?”

Para mim existe uma pergunta anterior: “Como você chegou a essa decisão?”

Se a resposta for:

  • “Vi um vídeo.”
  • “Meu amigo mandou.”
  • “Todo mundo está falando.”
  • “Ele parece honesto.”
  • “Gostei dela.”
  • “Meu grupo apoia.”

Talvez ainda falte alguma coisa.

Não precisamos nos transformar em cientistas políticos, nem precisamos ler milhares de páginas.

Não precisamos concordar uns com os outros.

Aliás, democracia pressupõe justamente que pessoas inteligentes, bem-intencionadas e informadas possam chegar a conclusões diferentes.

O que podemos fazer é melhorar a qualidade da pergunta.

  • Pesquisar.
  • Comparar.
  • Duvidar.
  • Confirmar.
  • Ler.
  • Voltar à fonte.

E, principalmente, aceitar descobrir que uma informação favorável ao nosso candidato também pode ser falsa — e que uma informação verdadeira pode ser desconfortável.

Voto consciente não é votar em quem alguém nos ensinou a escolher.

É possuir informação suficiente para assumir a responsabilidade pela própria escolha.

No dia da eleição, estaremos sozinhos diante da urna.

Talvez seja justamente por isso que, antes desse momento, devamos conversar com muita gente.

Mas pesquisar por nós mesmos.

Para começar sua pesquisa

O melhor ponto de partida é a Central Eleições 2026 do Tribunal Superior Eleitoral. Dali o eleitor consegue chegar às candidaturas, contas, partidos, federações, pesquisas eleitorais, legislação e conteúdos de combate à desinformação. Para quem já exerceu mandato federal, complemente a pesquisa nos portais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Antes de acreditar, verifique.
Por favor, antes de compartilhar, confirme.
Antes de escolher, pesquise.
E antes de votar, pense.

O destino de todos depende de cada um de nós

Esse artigo deve estruturação de Cosmo Fuzaro e ajuda da IA para trazer kinks que depois forma testados. Espero ajudar voce num momento tão importante!