
Uma reflexão de Meta Z sobre aquelas pessoas que tiram a nossa paz
Outro dia li uma frase atribuída ao mestre Zen Wú Dǎo que ficou passeando dentro de mim:
“Quando você encontra uma pessoa desagradável, você imediatamente ergue uma montanha em sua mente.”
E pensei:
Meu Deus… quantas montanhas eu já construí por causa dos outros?
Porque vamos combinar uma coisa?
Existem pessoas difíceis.
Pessoas inconvenientes.
Pessoas arrogantes, desagradáveis, barulhentas, egoístas e aquelas que possuem um talento quase artístico para apertar exatamente o botão que não deveriam.
Meta Z não vai romantizar isso.
Nem toda pessoa difícil é um “ser de luz enviado para sua evolução”.
Às vezes ela é apenas… difícil mesmo.
A questão é outra:
Por que damos a ela tanto espaço dentro de nós?
A pessoa faz um comentário.
Nós ficamos irritados.
Ela vai embora.
Mas levamos o comentário conosco.
Repetimos mentalmente.
Contamos para alguém.
Recriamos a conversa.
Inventamos respostas melhores que deveríamos ter dado.
Ficamos indignados novamente.
À noite, lembramos.
No dia seguinte, ainda estamos pensando.
Olha que coisa curiosa:
a pessoa foi embora há horas, mas nós continuamos hospedando-a gratuitamente dentro da cabeça.
E ainda servimos café.
Talvez seja essa a montanha.
Não necessariamente aquilo que aconteceu, mas tudo aquilo que construímos depois que aconteceu.
Mas espere…
Também não gosto daquela conversa de que “se algo incomodou você, o problema está em você”.
Calma lá.
Às vezes incomodou porque foi desrespeitoso.
Outras vezes doeu porque ultrapassaram um limite.
Às vezes sua indignação está absolutamente correta.
Autoconhecimento não significa transformar abuso em aprendizado poético.
Respeito continua sendo respeito. Limite continua sendo limite.
Você pode dizer não.
Pode se afastar.
Até pode encerrar uma conversa.
Ou até decidir que determinada pessoa não terá mais espaço em sua vida.
O que talvez não precise fazer é continuar carregando essa pessoa depois que ela já saiu.
E se aquela pessoa for um espelho?
Essa parte é mais incômoda.
Algumas pessoas nos irritam porque revelam alguma coisa nossa.
O arrogante pode tocar no nosso orgulho.
A pessoa controladora pode revelar nossa dificuldade de dizer não.
Quem deseja sempre aparecer talvez desperte uma necessidade de reconhecimento que escondemos.
Quem pensa completamente diferente pode revelar o quanto nossa suposta tolerância funciona maravilhosamente… desde que todo mundo concorde conosco.
Ai.
Essa doeu até em Meta Z.
Mas é justamente aí que começa uma pergunta interessante:
O que essa pessoa desperta em mim?
Não: “Por que ela é assim?”
Mas: “Por que isso tem tanto poder sobre mim?”
Essa pergunta muda tudo.
Porque não tenta mudar o outro.
Devolve a você aquilo sobre o qual realmente possui algum poder: você.
Talvez o contrário do ódio não seja o amor
Talvez seja a liberdade.
A liberdade de olhar para alguém e pensar:
“Eu não gosto da maneira como você age.”
“Não concordo com você.”
“Não quero conviver com determinadas atitudes suas.”
“Mas também não vou transformar você em uma prisão dentro de mim.”
Isso é muito diferente de perdoar tudo.
É parar de alimentar aquilo que nos destrói.
Compreender sem necessariamente concordar.
Estabelecer limites sem cultivar ódio.
Seguir adiante sem precisar carregar pedras.
Porque talvez o outro nunca mude.
E essa é uma possibilidade que também precisamos aceitar.
Mas você pode mudar a quantidade de espaço que entrega a ele dentro de você.
Meta Z olhou para a montanha…
…e percebeu algo engraçado.
A montanha não estava no caminho.
Estava em suas costas.
Então colocou-a no chão.
Não porque o outro estivesse certo.
Não porque aquilo que aconteceu tivesse deixado de importar.
Mas porque finalmente compreendeu:
“Eu posso aprender com aquilo que você despertou em mim sem precisar carregar você comigo.”
E continuou caminhando.
Mais leve.
Não porque o mundo tivesse ficado mais fácil.
Mas porque havia uma montanha a menos para carregar.
Para levar com você
Da próxima vez que alguém conseguir tirar você do sério, antes de construir a montanha inteira, experimente três perguntas:
Primeira: O que essa pessoa realmente fez?
Segunda: O que fui eu que acrescentei à história?
Terceira: O que preciso aprender, resolver ou simplesmente deixar ir?
Talvez você descubra que algumas pessoas difíceis realmente precisam sair da sua vida.
Outras precisam apenas sair da sua cabeça.
E algumas…
vieram mostrar uma parte sua que você ainda não conhecia.
