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Quem decidiu o significado das cores?

Quando você olha para o vermelho…

O que sente?

Paixão?
Perigo?
Pecado?
Violência?

Curioso…

Porque o vermelho nunca disse que era nenhuma dessas coisas.

Ele apenas existe.

Foi alguém, em algum momento da história, que resolveu lhe dar esses significados.

Depois fizeram o mesmo com o preto.

Transformaram a elegância em medo.

A profundidade em luto.

O mistério em escuridão.

E o preto… continuou apenas sendo preto.

Depois veio o branco.

Disseram que era pureza.

Paz.

Perfeição.

Mas, curiosamente, na Física, o branco é a união de todas as cores da luz. Em outros contextos, pode até ser entendido como ausência de pigmento. Ou seja, nem a ciência confirma uma única interpretação para aquilo que insistimos em transformar em símbolo absoluto.

As cores nunca brigaram entre si.

Quem brigou fomos nós.

Elas convivem na natureza.

No pôr do sol.

Nas flores.

Nos pássaros.

Nos minerais.

Nas galáxias.

É o nosso olhar que cria separações.

Então comecei a pensar…

Se fizemos isso com as cores…

Quantas outras coisas também receberam significados que nunca lhes pertenceram?

Já penseou, quantas pessoas foram julgadas por sua aparência?

Quantas religiões foram condenadas sem serem conhecidas?

Quantos povos?

Quantas culturas?

Quantos sentimentos?

Quantas formas de amar?

Quantas maneiras de existir?

Talvez o maior problema da humanidade não seja o preconceito.

Talvez seja o pré-conceito. A decisão tomada antes do conhecimento.

A sentença dada antes da escuta.

O julgamento antes do encontro.

Vivemos repetindo ideias que nem sabemos quem criou.

Aceitamos interpretações como se fossem verdades eternas.

E, sem perceber, deixamos de enxergar com nossos próprios olhos.

Deus…

Ou o Grande Mistério da Vida, como cada um prefere chamar…

Nunca pareceu gostar de repetições.

Criou bilhões de estrelas.

Bilhões de pessoas.

Milhares de flores.

Milhões de espécies.

Nenhuma igual à outra.

A diversidade não é um acidente.

Ela é a assinatura da criação.

Quem criou padrões para limitar o amor não foi Deus.

Foram homens.

Homens que desejaram organizar o mundo segundo seus medos, interesses e necessidades de poder.

Enquanto isso…A natureza continua dando sua aula silenciosa.

O vermelho floresce.

O preto veste a noite.

O branco ilumina as nuvens.

O azul colore o oceano.

O amarelo aquece o sol.

Nenhuma cor tenta ser maior que a outra.

Todas simplesmente cumprem sua missão.

Talvez seja essa a liberdade.

Olhar novamente.

Sentir novamente.

Conhecer antes de julgar.

Descobrir antes de repetir.

Porque uma mente livre não é aquela que acredita em tudo.

É aquela que tem coragem de perguntar:

“Isso é realmente verdade… ou apenas uma ideia que alguém me ensinou a repetir?”

E talvez, nesse instante…

Você descubra que nunca foi a cor que precisava mudar.

Era apenas o olhar.

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