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ESPECIAL COMUD – A nova geração da música brasileira – Tim Bernardes

Quatro compositores que merecem ser ouvidos

Durante muito tempo ouvimos que a música brasileira já não era mais a mesma. Que as grandes letras haviam ficado nas décadas de 1960, 70 e 80. como se a poesia tivesse perdido espaço para o consumo rápido. Que os novos artistas não escreviam mais canções capazes de atravessar gerações.

Na Comud, gostamos de desconfiar das certezas.

Acreditamos que o conhecimento também nasce da curiosidade. E foi justamente essa curiosidade que me levou a descobrir uma geração de compositores que talvez ainda não ocupe diariamente as rádios comerciais, mas que já conquistou algo muito mais importante: o respeito de músicos consagrados, da crítica especializada e de milhares de pessoas que ainda procuram emoção antes do algoritmo.

São artistas que escrevem com calma em um tempo acelerado.

Que transformam silêncio em melodia e que fazem da simplicidade uma forma de profundidade.

Neste primeiro especial da Comud, convido você a conhecer quatro nomes que representam essa nova safra da música brasileira contemporânea. Talvez você já tenha ouvido alguma de suas canções sem perceber. Talvez nunca tenha escutado falar deles.

Mas tenho a impressão de que, depois desta leitura, seus nomes passarão a fazer parte da sua playlist.

Começamos por aquele que considero um dos compositores mais sensíveis de sua geração.

Tim Bernardes – O poeta que transformou o silêncio em música

Existem artistas que impressionam pela técnica. Outros pela potência da voz. Alguns pela presença de palco.

Tim Bernardes pertence a uma categoria mais rara. Ele emociona pela sinceridade.

Filho do músico Maurício Pereira, Tim cresceu cercado por música, mas construiu sua identidade sem atalhos.

Tornou-se conhecido inicialmente como vocalista da banda O Terno e, pouco depois, revelou uma faceta ainda mais íntima em sua carreira solo, na qual passou a explorar temas como amor, perdas, amadurecimento e transformação.

Seu álbum Recomeçar foi indicado ao Grammy Latino e abriu caminho para uma carreira reconhecida dentro e fora do Brasil.

Ouvir Tim Bernardes é perceber que ainda existem compositores que acreditam no tempo da música. Suas canções não procuram chamar atenção com excessos; elas convidam o ouvinte a permanecer, a ouvir novamente e descobrir novos significados a cada escuta.

Talvez seja justamente por isso que grandes nomes da música brasileira passaram a olhar para sua obra.

Gal Costa gravou a composição “Realmente Lindo”, dividiu palco com Tim em apresentações marcantes e registrou com ele uma delicada releitura de “Baby”, de Caetano Veloso.

Maria Bethânia também levou uma composição sua para o repertório do álbum Noturno.

Fora do Brasil, Tim colaborou com artistas como David Byrne, Tom Zé e a banda Fleet Foxes, um reconhecimento raro para um compositor brasileiro contemporâneo.

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Três canções para começar

Recomeçar

Talvez a música que melhor represente sua trajetória artística. Uma reflexão delicada sobre aceitar mudanças e seguir em frente.

Nascer, Viver, Morrer

Uma composição que trata dos grandes ciclos da existência com uma simplicidade quase desarmante. É impossível ouvi-la sem refletir sobre o tempo, a finitude e a beleza do cotidiano.

Mil Coisas Invisíveis

A faixa-título de um álbum que consolidou Tim Bernardes como um dos grandes compositores brasileiros de sua geração. A canção nos lembra que aquilo que realmente transforma nossa vida nem sempre pode ser visto.

Um pequeno verso que resume sua sensibilidade:

“Mil coisas invisíveis…”

Às vezes, poucas palavras bastam para abrir espaço para inúmeras interpretações. Essa é uma das marcas da escrita de Tim: sugerir mais do que explicar.

O reconhecimento dos mestres

Mais do que elogios, Tim conquistou confiança.

Gal Costa escolheu gravar suas composições.

Maria Bethânia incluiu uma obra sua em um de seus discos.

Milton Nascimento sempre manifestou admiração pela nova geração que preserva a essência da canção brasileira, contexto no qual Tim passou a ser frequentemente citado pela crítica especializada. Além disso, sua colaboração com David Byrne e Fleet Foxes mostrou que sua música também encontrou espaço no cenário internacional.

Onde ouvir Tim Bernardes

YouTube (oficial)
Canal oficial de Tim Bernardes no YouTube

Instagram
https://www.instagram.com/timbernardes/?hl=pt-br

Site oficial
Tim Bernardes

O olhar do Cosmo

Sempre gostei de artistas que não têm medo do silêncio.

Vivemos um tempo em que tudo parece precisar acontecer depressa: músicas mais curtas, vídeos mais rápidos, opiniões instantâneas. Tim Bernardes segue na direção oposta. Ele escreve para quem ainda aceita caminhar devagar.

Talvez seja justamente essa coragem que torne sua obra tão necessária.

Quando um compositor consegue emocionar Gal Costa, ser gravado por Maria Bethânia, colaborar com David Byrne e Fleet Foxes e, ao mesmo tempo, permanecer fiel à própria essência, percebemos que estamos diante de algo especial.

Não acredito que Tim Bernardes represente apenas uma promessa.

Acredito que ele já faz parte da história da música brasileira.

No próximo capítulo desta série, conheceremos Zé Ibarra, um artista cuja sofisticação musical levou Milton Nascimento a convidá-lo para dividir uma de suas turnês mais simbólicas.