
Existe um lugar no mundo onde a moda não nasce apenas do tecido. ela nasce da pele.
Eu estive pensando nisso ao olhar para o Rio de Janeiro, não como cidade, mas como um organismo vivo.
O Rio não veste moda ele é moda em movimento.
A luz que bate em Ipanema, o vento que atravessa Copacabana, o ritmo quase coreografado dos corpos na areia, tudo isso constrói uma estética que nenhuma passarela do mundo consegue copiar.
E então vem o Rio Fashion Week não apenas como evento, mas como tradução dessa energia.
Ali, o biquíni deixa de ser peça e vira manifesto. O corpo deixa de ser padrão e vira expressão. E a moda, deixa de ser tendência para se tornar identidade.
Nos grandes salões cariocas, entre luzes, tecidos fluidos e trilhas sonoras que parecem respirar junto com o público, o que se vê não é apenas desfile é um encontro entre o luxo e o natural, entre o urbano e o orgânico.
O Rio não dita regras ele as provoca. A volta depois de anos do Rio Fashion week é fundamental para a moda brasileira e acho legal que vcs acompanhem a Blue Man nas redes sociais.
Obrigado pelo trabalho de todos os profissionais envolvidos!
Marcas que se destacaram, ontem e hoje
Blue Man
A Blue Man arrasou ao trazer duas mulheres mais que poderosas: Helô Pinheiro, eterna Garota de Ipanema, e Deborah Secco, uma verdadeira musa, que brilharam na passarela. Suas personalidades entregaram mais que carismam revelaram uma moda praia impecável.
Como destaca a revista Elle, poucas marcas narram a história da moda praia brasileira como a Blue Man. O desfile percorreu toda a trajetória da marca ao longo do tempo, desde o jeans até as estampas icônicas e os diversos formatos de biquínis.
Foi possível ver modelos cortininha, amarração lateral, maiôs com decotes profundos, asa-delta, além de aplicações de strass e pedrarias, franjas e macramê, uma celebração completa da estética e da evolução da moda praia no Brasil.
Ao longo das edições, algumas marcas não apenas participaram, elas ajudaram a construir a identidade da moda carioca. Seria difícil falar de todas, por isso destaquei apenas algumas, para te incentivar a explorar mais em seus sites e no YouTube.
Farm Rio,
Tropical, vibrante, quase uma pintura viva. A Farm traduz o Brasil em cores e estampas como poucos. Existe algo no Rio de Janeiro que não se explica, se sente. E é exatamente esse sentir que a FARM Rio captura com a coleção Carioca.
A FARM olhou para trás, para suas raízes e, fez poesia com a moda, colocou o Rio como protagonista de uma história que nunca deixa de ser contada. Mas o que chama atenção é que as peças parecem ter vida própria.
O Rio não aparece como cenário, ele é linguagem, A praia de Copacabana deixa de ser paisagem e se transforma em tecido. O samba pulsa nas estampas. Santa Teresa sobe as peças na forma de boemia.
Nessa marca a estamparia, não é detalhe, é discurso. E talvez aqui esteja o ponto mais bonito: a FARM não vende roupa, ela traduz um estado de espírito. O “ser carioca” deixa de ser geografia e passa a ser moda.
Silks que contam histórias. Transparências que provocam. Biquínis que se recusam a ficar restritos à areia.
Porque o Rio, para quem o ama, nunca foi linear.
Osklen,
A Osklen abriu o Rio Fashion Week como quem não pede licença, apenas ocupa o lugar que sempre foi seu. Quando Carol Trentini surgiu em um branco absoluto: alfaiataria precisa, camisa de smoking com punhos exagerados, quase um gesto artístico. No pé, uma rasteira preta, simples, direta, inteligente. Ali já estava o recado: menos excesso, mais identidade.
Isso é artístico e estratégico, a moda mudou, o público mudou, mas identidade de marca é fundamento, A volta da Osklen, depois de anos longe das passarelas, não é só um retorno. É um reposicionamento silencioso.
Os tecidos parecen falar: linho, ráfia, juta. A construção só confirma: alfaiataria com design funcional.
E o styling provoca: o fio-dental à mostra, quase como um manifesto de liberdade estética.
Áqui cabe uma visão estratégica, moda, como negócio e expressão, exige coragem de seguir em frente e deixar o passado. Entender isso talvez seja o verdadeiro luxo hoje.
No fim, a Osklen faz o que poucas conseguem: ela não desfila apenas roupas… ela provoca reflexão.
Lenny Niemeyer
O fechamento do Rio Fashion Week foi mais que um desfile, foi um legado em movimento.
Lenny Niemeyer, ao lado de Bel Niemeyer, celebrou 35 anos de história no Museu do Amanhã com Tramas do Tempo: uma retrospectiva elegante, viva e coerente.
Na passarela, nomes como Isabeli Fontana e Raica Oliveira reforçaram o peso dessa trajetória. Peças icônicas, da África ao Japão, reaparecem com força: quimonos, shibari, paetês, ráfia, crochê. Tudo com a assinatura que nunca muda: arte, natureza e Brasil.
Lenny não encerra um evento. Ela reafirma o que poucos conseguem: transformar tempo em identidade.
Cia. Marítima
Quando a Cia.Marítima entra no Rio Fashion Week, ela não vem apenas para desfilar, vem para vender ideia, desejo e presença. E faz isso com inteligência e foco.
Para isso, um casting poderoso, com nomes como Izabel Goulart, Aline Weber e Ana Claudia Michels, reforça a força da marca. Mas o ponto não é só quem veste, é o que se comunica.
A Cia.Marítima entende o jogo do mercado da moda, possui uma estratégia comercial sem ser óbvia.
É forte sem perder feminilidade. E, principalmente, é conectada ao corpo real e ao desejo de quem compra.
Aqui não existe distância entre passarela e consumidor. E no fim, isso é o que sustenta uma marca:
não apenas estética, mas conexão verdadeira com quem veste.
Hisha
Há marcas que seguem o tempo. E há aquelas que têm coragem de contrariá-lo.
A Hisha, sob o olhar sensível de Giovanna Resende, fez exatamente isso no Rio Fashion Week.
Enquanto tudo corre… ela desacelera. Doura não é apenas uma coleção. É um manifesto silencioso sobre o valor do fazer.
O barroco mineiro retorna, não como repetição, mas como evolução. E, para dar vida aos 40 looks, Giovanna escolhe a matéria-prima mais rara da moda contemporânea: o tempo.
Tempo bordado. Tempo costurado. Tempo estruturado. E então vem o ápice… Um vestido de noiva que levou 400 horas para existir.
Não é só uma peça, é dedicação transformada em arte, admiro muito quem respeita e valoriza o processo.
A Hisha não apresentou apenas roupas. Apresentou um posicionamento.
E em um mundo que valoriza o rápido, ela nos lembra, com elegância e firmeza: o verdadeiro luxo ainda é aquilo que leva tempo para nascer.
Todas essas marcas ajudaram a construir algo raro: uma moda que não copia o mundo, mas influencia o mundo.
Novidades desta edição
O que mais me chama atenção nas edições de moda recentes no Brasil é a maturidade das nossas marcas, dos nossos profissionais e do mercado:
Sustentabilidade real (não discurso)
Tecidos reciclados, processos conscientes e cadeias produtivas mais transparentes.
Corpos reais na passarela
Diversidade deixou de ser tendência, virou obrigação estética e ética.
Tecnologia nos tecidos
Biquínis com proteção UV avançada, secagem ultrarrápida e conforto térmico.
Moda sem gênero
Peças fluidas, cortes amplos, liberdade total de interpretação.
O Brasil está deixando de ser apenas criativo
para ser também relevante globalmente em inovação.
Estilistas que surgem e inovam
O que mais me encanta, e sei que vai te encantar, são os novos criadores.
Eles não pedem licença. Eles chegam com linguagem própria. Estilistas que misturam arte, performance e moda, coleções que parecem instalações vivas
Uso de materiais inesperados: redes, fibras naturais, resíduos ressignificados.
Narrativas fortes: ancestralidade, diversidade, identidade brasileira
O novo estilista brasileiro não quer apenas vender roupa. Ele quer contar história, provocar reflexão e construir cultura.
O que o Rio ensina para a moda (e para os negócios)
Vou te dizer como estrategista, mas também como alguém que está claramente apaixonado por esse universo: O Rio mostra que: Marca forte nasce de identidade, não de tendência.
Estética vem de contexto cultural e os produtos precisam ter alma além de função. E principalmente, o corpo do cliente é parte do produto
A moda carioca não veste pessoas. Ela dialoga com quem elas são.
As cores que se destacaram
Se existe algo que o Rio nunca perde, é a coragem de ser cor. Nesta edição, percebi uma paleta que conversa diretamente com a natureza, mas com uma leitura mais madura:
- Verdes profundos (oliva, militar, floresta)
- Azul oceano e azul céu lavado
- Amarelo solar (menos gritante, mais sofisticado)
- Tons terrosos e areia
- Toques vibrantes de pink e laranja queimado

O que muda não é a cor, é a intenção. O Rio saiu do “exagero tropical” e entrou em um equilíbrio estético mais consciente, quase como se estivesse amadurecendo junto com o mundo. E isso conversa diretamente com um dos pilares que eu defendo: Amor, Equilíbrio e Respeito, não só nas relações, mas também na estética.
Formatos inovadores de roupas
Aqui está algo que vai te interessar muito como estrategista: A forma está deixando de obedecer e passando a dialogar.
Principais movimentos:
- Recortes estratégicos (cut-outs) Valorizam o corpo sem expor de forma óbvia
- Peças multifuncionais Biquíni que vira top, saída que vira vestido
- Modelagens amplas e fluidas Conforto virou luxo
- Transparências inteligentes Sensualidade mais sugerida do que explícita
- Assimetria como linguagem Nada precisa ser perfeitamente igual para ser bonito
O desfile das novelas, quando a ficção encontra a passarela
Um dos momentos mais interessantes e estratégicos, foi o diálogo com a televisão.
Agradeço a @Ireneparoentrevista cujo vídeo me trouxe esse momento com uma qualidade muito especial, leiam a descrição no vídeo.
A presença de figurinos inspirados em novelas mostrou algo poderoso:
A moda não vive só da passarela, ela vive do imaginário coletivo.
Quando personagens ganham vida, suas roupas também ganham:
- Identidade
- Desejo
- Reconhecimento imediato
Esse tipo de desfile aproxima a moda do público real.
É aqui que nasce o que você sempre analisa nos negócios:
escala + conexão emocional
A novela entrega narrativa. A moda entrega materialização.
E juntas, vendem muito mais do que roupa. Vendem estilo de vida.
Outro ponto incrível, onde TV, cinema e moda se encontram, tomou conta da primeira fila: várias versões de Miranda Priestly surgiram recriando com precisão o visual e, principalmente, a postura icônica da personagem.
A ação faz parte da campanha de lançamento de O Diabo Veste Prada 2, que estreia nos cinemas no fim do mês. Mais do que presença, foi conceito em cena.
Os padrões corporais mudaram?
Aqui está talvez a maior transformação de todas. Sim, mudou.
E não é tendência, é ruptura.
Hoje vemos:
- Corpos mais diversos (curvas, alturas, idades)
- Presença maior de identidades diferentes
- Menos rigidez estética
- Mais verdade na passarela
Mas vou ser direto com você: Ainda não é o suficiente.
O mercado entendeu que precisa mudar, mas ainda está aprendendo até onde pode ir sem perder o controle comercial.
Mesmo assim, já é possível afirmar: O corpo deixou de ser padrão. E passou a ser história.
Esse conceito conversa profundamente com o que eu escrevo e vivo: O ser humano não é forma, é essência. E quando a moda entende isso… ela evolui.
Quero que todos assistam esses vídeos de pessoas que realmente foram para ser parceiros da moda brasileira e do Rio, obrigado Ewerton Medeiros e Mariana Campos do Correio Brasiliense.
Fechamento, do meu jeito
A moda do Rio continua linda. Mas agora, ela está mais consciente.
Não é mais sobre o corpo perfeito. É sobre o corpo verdadeiro.
Não é mais sobre a peça ideal. É sobre a identidade revelada.
E talvez, pela primeira vez, a moda esteja se aproximando do que sempre deveria ter sido: humana. A moda no Rio não é sobre o que se veste, é sobre o que se revela. E talvez por isso ela seja tão verdadeira porque começa na pele e termina na alma.
Existe algo curioso no nosso tempo…
A internet me permite estar em um desfile sem estar lá. Posso assistir, rever, analisar. Posso ler especialistas, curiosos, apaixonados. Posso construir repertório e isso é valioso. Mas sejamos honestos: não é a mesma coisa.
O presencial tem vida. Tem energia. Tem silêncio que fala e aplauso que arrepia.
Ainda assim, mesmo à distância, consigo olhar para o Rio Fashion Week com o meu jeito, o jeito Cosmo de ser: estratégico, negocial, atento ao que transforma negócio.
E é isso que quero deixar como reflexão final para quem vive da moda:
Observe além da passarela.
As cores não são apenas bonitas, são sinais.
As escolhas não são apenas estéticas, são respostas ao comportamento do público.
Há reforços importantes acontecendo:
Conforto e praticidade deixaram de ser tendência, são base.
A beleza já não mora na simetria, mas na verdade.
Os corpos não pedem mais permissão, exigem respeito, todos eles.
A transparência precisa encantar, nunca constranger.
E o processo, criação, produção, história, precisa ser valorizado, contado, sentido.
Porque no fim…
Não somos apenas fazedores de roupas. Somos tradutores de desejos.
Criamos vestimentas que habitam o encontro entre sonho e realidade de outros seres humanos.
E quem entende isso, não acompanha a moda. Constrói futuro.

Acho importante valorizar os estilistas brasileiros, para isso contei com a Veja que publicou os princiais destaques de 2026:
Principais estilistas e marcas no Rio Fashion Week 2026:
- Osklen: Abriu o evento no Palácio da Cidade.
- Lenny Niemeyer: Sofisticação em moda praia.
- Isabela Capeto: Estilo artesanal e boho.
- André Namitala (Handred): Alfaiataria e tecidos naturais.
- Karoline Vitto: Estreia com moda inclusiva e recortes.
- Dendezeiro: Moda autoral e cultural, focada em “ballroom”.
- Airon Martin (Misci): Desfile na Praça da Apoteose.
- Patricia Viera: Especialista em couro.
- Aluf (Ana Luisa Fernandes): Volume e forma.
- Angela Brito: Formas geométricas e alfaiataria.
- Blueman: Moda praia com Brasilcore.
- Salinas: Beachwear clássico.
- Lucas Leão: Glamour e tecnologia.
- Normando: Alfaiataria estruturada.
- Hisha: Bordados e trabalhos artesanais.
