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Depois de…

Eu aprendi que o “depois” não mora no relógio.

Ele mora na coragem.

Porque, veja bem…quem muito espera, às vezes cansa 

e quem não arrisca, não petisca… nem vive.

Eu já fui do tipo que deixava tudo para depois.

Depois eu falo.

Amanhã eu sinto.

Um dia eu mudo.

Mas o depois… esse danado…

vive pregando peça.

Quando vi, o tempo voou e como dizem por aí,

o tempo não para, nem espera quem fica parado.

Depois da chuva…

Ah, depois da chuva sempre vem o sol 

mas ninguém fala da lama no caminho,

do sapato sujo,

do escorregão inesperado.

E eu escorreguei.

Caí.

Levantei meio torto… mas levantei.

Porque, no fim das contas,

quem cai sete vezes, levanta oito.

E se não levanta sozinho,

a vida dá um empurrãozinho 

porque Deus ajuda quem cedo madruga,

mas também dá colo pra quem chora escondido.

Depois do erro…

Errar é humano — já dizia o mundo inteiro.

Mas persistir no erro… ah, isso é apego disfarçado.

Eu já quis tapar o sol com a peneira,

fingir que estava tudo bem,

quando o coração gritava o contrário.

Mas não adianta: 

a verdade sempre dá um jeito de aparecer,

nem que seja pela fresta da alma.

E quando ela aparece…

ou você encara,

ou ela te encara.

Depois do medo…

Dizem que quem tem medo não vive.

Eu digo que quem não enfrenta o medo…

vive pela metade.

Porque o medo é bicho esperto faz tempestade em copo d’água,

faz montanha virar abismo,

faz silêncio virar prisão.

Mas quando a gente atravessa…

percebe que

nem tudo que reluz é ouro —e nem tudo que assusta é perigo.

Às vezes é só mudança… pedindo passagem.

Depois das despedidas…

Quem nunca chorou por alguém que partiu,

não sabe o peso de um silêncio cheio de nome.

Mas a vida…

essa velha sábia…

sempre encontra um jeito de seguir.

Porque, no fundo,

não há mal que dure para sempre,

nem bem que nunca se transforme.

E o que é verdadeiro… fica.

Nem que seja em forma de lembrança,

de cheiro,

ou de saudade boa.

Depois de tudo…

Depois de cair,

de tentar,

errar,

de amar demais,

calar quando queria gritar

e gritar quando precisava silenciar…

Depois de tudo…

eu entendi:

água mole em pedra dura, tanto bate até que fura 

mas não é sobre furar a pedra. 

É sobre não desistir de ser água.

E agora?

Agora eu não deixo mais para depois.

Eu sinto.

Eu digo.

Agora eu vivo.

Porque, no fim das contas…

mais vale um hoje vivido com verdade
do que mil “depois” cheios de intenção.

E você…

O que está deixando para depois?

O que sua alma já sabe…

mas você ainda não teve coragem de viver?

Porque, se tem uma coisa que aprendi nessa travessia, é:

depois… pode ser tarde.

Mas agora… ainda é tempo.