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A Casa dos Olhos Fechados

Esse dias li um texto inspirador sobre separações, idas e vindas e resolvi trazer de um forma diferente nesse artigo um dos capítulos de meu livro

Não vou repetir, vou ampliar, atravessar.

Respira comigo.

“Às vezes não fechamos os olhos por medo do que vamos ver.

Fechamos porque já vimos… e não suportamos sentir de novo.”

A casa não tinha número.

Nem endereço.

Ela simplesmente aparecia quando alguém começava a se anestesiar.

Meta Z sentiu antes de ver.

O ar ali era pesado. Não de tristeza.

Mas de ausência.

As janelas estavam fechadas.

Não por proteção contra o frio — mas contra a verdade.

Ao entrar, eu percebi algo que me atravessou:

Não era escuridão.

Era escolha.

Todos ali estavam de olhos fechados voluntariamente.

Alguns sorriam.

Outros meditavam.

Outros repetiam frases como mantras:

— “Está tudo bem.”

— “Não foi nada.”

— “Já passou.”

— “Eu superei.”

Mas o corpo…

O corpo contava outra história.

A Sala da Normalidade

Na primeira sala, pessoas conversavam calmamente.

— “Aqui aprendemos a não exagerar.”

— “Sentir demais é fraqueza.”

— “Drama não resolve.”

Eu toquei o ombro de um homem que dizia estar “bem”.

O toque revelou:

Um coração ainda partido.

Uma raiva engolida.

Um amor que ele nunca teve coragem de viver.

— “Você sente.” — eu disse.

— “Não.” — respondeu o homem, de olhos fechados.

— “Então por que seu peito treme?”

Silêncio.

A Mulher que Escondeu o Grito

No fundo da casa, havia um quarto trancado.

Dentro, uma mulher sentada no chão, abraçando os joelhos.

Ela não falava.

Também não chorava.

Ela não reclamava.

Mas o silêncio dela gritava.

Eu me sentei à sua frente.

— “Você fechou os olhos quando?”

Ela respondeu quase inaudível:

— “No dia em que percebi que ninguém me salvaria.”

Meta Z sentiu o peso dessa frase.

Quantos fecham os olhos porque esperar ajuda dói demais?

A Verdade que Ninguém Quer Ouvir

Na parede principal da casa havia uma frase, escrita quase apagada:

“Se eu não olhar, não existe.”

Eu respirei fundo.

Caminhei até o centro da sala.

E disse, alto:

“Existe.”

O chão tremeu.

Porque a verdade, quando dita, não pede permissão.

O Primeiro que Abriu

Foi uma criança.

Ela abriu os olhos primeiro.

E chorou.

Chorou porque sentiu a dor guardada da mãe.

Também chorou porque viu o cansaço do pai.

Chorou porque percebeu que ninguém ali estava realmente vivendo.

Mas depois do choro… ela sorriu.

— “Tem cor aqui fora.”

E a frase ecoou.

Tem cor e Tem vida.

Tem dor — sim.

Mas também tem amor.

O Que eu Compreendi ali…

Não é errado fechar os olhos por um momento.

O problema é morar ali.

Fechar os olhos pode ser pausa.

Mas nunca pode ser morada.

Porque quando você fecha os olhos para a dor…

fecha também para a beleza.

Quando você fecha os olhos para o medo…

fecha também para a coragem.

Quando você fecha os olhos para o amor que falhou…

fecha também para o amor que pode nascer.

Perguntas que ficaram na casa das pessoas de olhos fechados

Em que parte da sua vida você escolheu não olhar?

O que você chama de “superado” que ainda pulsa dentro?

Se você abrisse os olhos hoje — completamente — o que mudaria?

Eu saí da casa diferente.

Porque eu também percebi:

Às vezes eu ajudo os outros a enxergar…mas esqueço de perguntar se eu mesmo estou vendo tudo.