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Homenagem a Grande Otelo

Um artista muito especial

O ator e humorista Grande Otelo em foto de seu acervo, que passou a ser restaurado a partir de 2004. Foto: Programa Petrobras Cultural / Divulgação

Roubando a cena tem o prazer de falar um pouco sobre um ator maravilhoso, Grande Otelo, que em 1942 foi apontado por Orson Welles como o melhor ator brasileiro e tendo sido premiado e ovacionado dentro e fora do Brasil.

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Nasceu em 1915, em Uberlândia, e morreu em Paris, na França, em 1993.

Foi mais que ator: foi comediante, cantor, produtor e compositor. Encantou os cassinos cariocas e o teatro de revista.

Com certeza, Grande Otelo pode ser colocado entre os mais importantes atores do Brasil. A Comud quer que muitos aspirantes à dramaturgia pesquisem sobre esse exemplo de ator e possam assistir muitos de seus filmes.

Grande Otelo ao lado de Oscarito, morto em 1970, em cena do filme 'Matar ou Correr' (1954).

Grande Otelo ao lado de Oscarito, morto em 1970, em cena do filme ‘Matar ou Correr’ (1954). Foto: Arquivo / Estadão

Grande Otelo é um símbolo de superação e um exemplo para todos. Apesar de seu pai ter morrido esfaqueado e a mãe ser alcoólatra, esse menino decidiu ser um sucesso e lutou por seu objetivo. Durante a vida ainda enfrentou o suicídio de sua esposa, que matou o enteado antes de se envenenar.

Seu sonho começou numa companhia de teatro mambembe, depois participando da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro. Em seguida, foi para Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do teatro de revista. Foi nessa época que surgiu o apelido de Grande Otelo.

Sua parceria com Oscarito e, em seguida, com Ankito foram fundamentais, estando em inúmeras obras, entre 1940 e 50 e iluminava as chamadas chanchadas.

Nos anos 50, sua parceria com Vera Regina cria uma dupla imbatível, ela era alta e lembrava a dançarina Josephine Baker, fazendo da dupla algo muito divertido. 

Em 1969, Macunaíma atinge o público com irreverência e liberdade. Ao lado de Marília Pera, provoca o público. Mario de Andrade teve sua obra desvendada.

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Em 1974, se uniu a Miriam Batucada e fizeram muito sucesso com o espetáculo Samba, produção de Haroldo Costa

Nos anos 60, foi contratado pela Rede Globo e esteve em novelas de sucesso e também na Escolinha do Professor Raimundo. 

Participou de novelas como Bandeira 2, Bravo, Shazan Xerife e Cia, Uma Rosa com Amor, Maria Maria, Feijão Maravilha, A gata comeu, Sinhá Moça, Mandala, República e Renascer, além de diversas participações especiais em casos especiais.

No cinema, parece estranho listar todos seus filmes, mas é inacreditável a quantidade de filmes que ele participou e o quanto era respeitado.

O site Senta aí elencou 5 títulos que podem garantir que vocês conheçam e admirem esse grande ator. Eu concordo com essas escolhas e assino embaixo. Assistam quando puderem!

  • 1950 – Aviso aos Navegantes
  • 1957 – Rio, Zona Norte
  • 1962 – O assalto ao trem pagador
  • 1969 – Macunaíma
  • 1971 – O Barão Otelo no barato dos milhões.

Tudo é Brasil, Boca de Ouro, Jardim de Alah, Fronteiras, Seu Napoleão, Running Out of Luck, Jubiabá, Brasa Adormecida, Nem Tudo É Verdade, Quilombo, Macunaíma, Parahyba, Mulher Macho, Fitzcarraldo, O Homem do Pau-Brasil, Asa Branca, A Noite dos Duros, As Aventuras de Robinson Crusoé, Agonia, A Noiva da Cidade, Saltimbancos,  Ladrões de Cinema, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, A Força de Xangô, Ouro Sangrento, Tem Alguém na Minha Cama, Os Pastores da Noite, A Fera Carioca, Aventuras d’um Detetive Português, Deixa Amorzinho… Deixa, Assim Era a Atlântida, O Flagrante, Ladrão de Bagdá,  A Estrela Sobe, A Transa do Turf, O Negrinho do Pastoreio, O Rei do Baralho, Cassy Jones, o Magnífico Sedutor, Porteiro, O Barão Otelo no Barato dos Bilhões, O Donzelo, Família do Barulho, Se Meu Dólar Falasse, Os Herdeiros, Macunaíma, Não Aperta, L’alibi Tranviere, A Doce Mulher Amada, Em Ritmo Jovem, Por Um Amor Distante, Enfim Sós…. Com o Outro, Massacre no Supermercado, Os Marginais, Una rosa per tutti, Samba, Arrastão, Crônica da Cidade Amada, O Homem que Roubou a Copa do Mundo, Assalto ao Trem Pagador, Os Cosmonautas, Quero essa Mulher Assim Mesmo, O Dono da Bola, Os Três Cangaceiros, Pistoleiro Bossa Nova, Vai que É Mole, Um Candango na Belacap, Entrei de Gaiato, Mulheres à Vista, Garota Enxuta, Pé na Tábua, E o Bicho não Deu, É de Chuá!, Mulher de Fogo, A Baronesa Transviada, Metido a Bacana, De Pernas pro Ar, Com Jeito Vai, Rio Zona Norte, Brasiliana, Depois Eu Conto, Paixão nas Selvas, Malandros em Quarta Dimensão, Matar ou Correr, Dupla do Barulho, Amei um Bicheiro, Três Vagabundos, Carnaval Atlântida, Tu És Meu, Aviso aos Navegantes, Não É Nada Disso, Caçula do Barulho, Também Somos Irmãos, Carnaval no Fogo, Terra Violenta, É com Este que Eu Vou, …E o Mundo se Diverte, Luz dos Meus Olhos,  Este Mundo É um Pandeiro, Segura Esta Mulher, Um Fantasma por Acaso, Gol da Vitória, Não Adianta Chorar, Tristezas não Pagam Dívidas, Dono da gafieira, Romance Proibido, Berlim da Batucada, Caminho do Céu, Samba em Berlim, Astros em Desfile, It’s All True (Inacabado), Sedução do Garimpo, Entra na Farra, Céu Azul, Laranja da China, Pega Ladrão, Onde Estás Felicidade?, Futebol em Família, João Ninguém, Noites Cariocas.

Grande Otelo ao lado de Jorge Amado 

Grande Otelo ao lado de Jorge Amado  Foto: Ana Stewart / Estadão

É muito triste saber que, em 1993, ele estava indo ao Festival de Nantes para ser homenageado e morreu antes de chegar ao destino. 

Queremos agradecer a FGO (Fundação Grande Otelo), detentora dos direitos sobre o nome, imagem, obra e acervo do ator, após doação dos direitos por seus herdeiros. Graças a qual pudemos pesquisar e levar aos leitores da COMUD tantas informações valiosas. Agradecemos a FUNARTE pela conservação de parte desse acervo histórico e ao escritor Sergio Cabral pela biografia do artista.