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O fornecedor ofereceu um ótimo preço. Mas a importação realmente vale a pena?

Hoje, durante uma aula, comentei sobre uma situação bastante comum nas importações marítimas.

A empresa encontra um fornecedor internacional, negocia um bom preço para o produto e ainda recebe a possibilidade de embarcar a mercadoria com o frete pago na origem.

O valor do frete parece muito competitivo. Em alguns casos, chega a ser bem menor do que as cotações obtidas pelo próprio importador no Brasil.

A proposta parece ótima: produto com preço interessante, frete internacional barato e menos uma contratação para administrar.

Mas será que essa é realmente a opção mais econômica?

Nem sempre.

Em muitas operações, principalmente nas importações marítimas de cargas consolidadas, o frete mais barato apresentado na origem pode resultar em despesas muito maiores quando a mercadoria chega ao Brasil.

E é justamente aí que o importador descobre que não basta analisar quanto custa trazer a carga. É necessário entender quanto custará toda a operação, desde a saída do fornecedor até a chegada da mercadoria ao seu estabelecimento.

Frete pago não significa operação totalmente paga

Quando o fornecedor informa que o frete será pago na origem, é comum o comprador imaginar que a principal despesa logística já está resolvida.

Entretanto, o valor apresentado normalmente está relacionado ao transporte internacional contratado pelo vendedor. Isso não significa que todas as despesas no destino estejam incluídas.

Quando a carga chega ao Brasil, podem surgir cobranças relacionadas a:

  • Desconsolidação da carga;
  • Movimentação no terminal;
  • Emissão e liberação de documentos;
  • Taxas administrativas;
  • Armazenagem;
  • Manuseio da mercadoria;
  • Serviços do agente responsável pela carga no destino;
  • Transporte da carga até o estabelecimento do importador.

Algumas dessas despesas fazem parte da operação. O problema não é simplesmente a existência da cobrança, mas a falta de visibilidade antes do embarque e a pouca possibilidade de negociação depois que a carga já chegou.

Nessa etapa, a carga já está vinculada à estrutura logística contratada na origem, e não temos abertura para negociação dos valores que ocorrem após a chegada da carga no Brasil.

Por que isso acontece com frequência na carga consolidada?

Na modalidade conhecida como LCL — Less than Container Load — a mercadoria do importador não ocupa um contêiner inteiro.

Diferentes cargas, pertencentes a diferentes empresas, são reunidas no mesmo contêiner. Isso permite que cada importador pague apenas pelo espaço utilizado, tornando o transporte marítimo acessível para operações com volumes menores.

Em princípio, parece uma solução bastante econômica.

Mas essa operação exige uma estrutura de consolidação na origem e de desconsolidação no destino. O agente que reúne as cargas no exterior trabalha com um parceiro no Brasil, responsável por receber o contêiner, separar as mercadorias e realizar os procedimentos necessários para liberar cada embarque.

Quando o fornecedor contrata essa operação na origem, o importador brasileiro normalmente não participa da escolha do agente responsável pela carga no destino.

Consequentemente, também perde parte de seu poder de negociação sobre as despesas que serão cobradas na chegada.

É possível, portanto, que alguém esteja oferecendo um frete internacional muito barato porque parte da remuneração da operação será recuperada por meio das taxas cobradas no destino.

O que parecia economia na origem reaparece — algumas vezes multiplicado — na chegada da mercadoria.

O problema não está no LCL

É importante deixar isso claro: a carga consolidada não é uma modalidade ruim.

Ao contrário, ela pode ser a melhor alternativa para empresas que estão começando a importar, realizando pedidos menores ou testando um produto no mercado brasileiro.

O problema está em escolher a modalidade ou aceitar a proposta do fornecedor sem conhecer previamente todos os custos envolvidos.

Antes de autorizar o embarque, o importador precisa solicitar uma estimativa detalhada das despesas no Brasil e verificar quem será responsável pela desconsolidação e pela liberação da carga.

Uma cotação não deveria mostrar somente o valor do frete internacional. Ela precisa deixar claro:

  • O que está incluído;
  • O que não está incluído;
  • Quais despesas serão pagas no Brasil;
  • Quem definirá essas despesas;
  • Quais serviços poderão ser contratados diretamente pelo importador;
  • Por quanto tempo os valores apresentados permanecerão válidos.

Sem essas informações, comparar propostas torna-se praticamente impossível.

E quando a carga ocupa um contêiner completo?

Na modalidade FCL — Full Container Load — a carga ocupa um contêiner destinado a um único embarque.

Nessa configuração, especialmente quando o transporte é contratado pelo próprio importador, existe maior possibilidade de escolher os prestadores de serviços, planejar a retirada do contêiner e contratar o transporte rodoviário até o destino final.

Mas existe uma ressalva importante: não é apenas o fato de a carga estar em um contêiner fechado que garante esse poder de negociação.

Se o vendedor continuar responsável pela contratação do transporte internacional, determinadas despesas no destino também poderão ser definidas pelo armador ou pelo agente indicado na origem.

Por isso, a pergunta principal não deve ser apenas:

“Minha carga será LCL ou FCL?”

O importador também precisa perguntar:

“Quem está contratando o transporte e quem controlará os serviços no destino?”

Essa resposta pode mudar completamente o custo final da operação.

Colocar na ponta do lápis significa comparar o custo total

Imagine duas propostas:

Na primeira, o fornecedor apresenta um frete internacional de US$ 500, mas o importador não sabe exatamente quais despesas serão cobradas no Brasil.

Na segunda, o frete custa US$ 800, porém todas as taxas estão previamente detalhadas e o importador pode negociar parte dos serviços no destino.

Qual é a proposta mais barata?

Ainda não sabemos.

Para responder, será necessário somar todos os custos até que a mercadoria esteja efetivamente disponível para uso ou comercialização.

Essa análise deve considerar, entre outros valores:

  • Preço da mercadoria;
  • Coleta e despesas na origem;
  • Frete internacional;
  • Seguro;
  • Despesas do agente e do transportador no destino;
  • Movimentação e armazenagem;
  • Despacho aduaneiro;
  • Tributos;
  • Transporte rodoviário;
  • Custos cambiais e bancários;
  • Possíveis despesas decorrentes de atrasos.

É por isso que comparar somente o preço do produto ou o valor do frete pode levar a uma decisão equivocada.

O barato pode ficar caro depois do embarque

Enquanto a carga ainda está no fornecedor, o importador tem tempo para pedir informações, comparar propostas, negociar condições e alterar a estratégia logística.

Depois que a mercadoria é embarcada, as alternativas diminuem.

Com a carga no porto, qualquer pendência começa a gerar pressão. Existem prazos, armazenagem, documentos, compromissos comerciais e, muitas vezes, clientes aguardando a mercadoria.

Nesse momento, o importador deixa de decidir com tranquilidade e passa a pagar para resolver o problema.

Por isso, o melhor momento para buscar orientação não é quando a carga chega ao Brasil. É antes de fechar a compra e, principalmente, antes de autorizar o embarque.

O fornecedor pode conhecer muito bem o produto que vende, mas isso não significa que conheça todas as particularidades, custos e exigências de uma importação no Brasil.

Tenha ao seu lado profissionais que possam analisar a operação de forma completa e indicar as alternativas mais adequadas para cada situação.

Nem sempre a melhor escolha será a mais barata na cotação inicial. A melhor escolha será aquela que apresentar o melhor custo total, com previsibilidade, segurança e controle dos riscos.

Sua empresa está avaliando uma importação ou recebeu uma proposta com frete incluído?

Antes de autorizar o embarque, coloque todos os custos na ponta do lápis. Se ainda não estiver claro quem controlará a carga no destino ou quais despesas serão cobradas no Brasil, procure orientação.

Uma análise realizada antes do embarque custa muito menos do que tentar corrigir uma operação quando a mercadoria já está no porto.

Se você conhece uma empresa que está planejando importar, compartilhe este artigo. E, se já enfrentou cobranças inesperadas na chegada de uma carga, conte sua experiência nos comentários. Essa troca pode ajudar outros empresários a fazer escolhas mais seguras.