
“Ô abre alas que eu quero passar…”
Nesse vídeo música da grande Chiquinha com 3 das maiores cantoras das marchinhas e sambas de todos os tempos!
Pois não é apenas um verso.
É um gesto fundador.
Quando Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, atravessou o tempo e ganhou as ruas, algo extraordinário aconteceu: a música pediu espaço para o povo existir em festa.
Abriu alas para corpos livres, para vozes diversas, para um Brasil que ainda estava aprendendo a se reconhecer.
Sugiro que assistam ó Abre Alas com Emilinha, Marlene e Angela Maria, poderão sentir o poderio da época de ouro do Rádio!
O carnaval nasce assim: como um pedido coletivo de passagem.
Passagem para a alegria.
Para a mistura.
Passagem para o encontro.
O nascimento do samba: miscigenação que canta
Antes do samba ter nome, ele já tinha alma.
Veio dos povos originários, da pulsação indígena ligada à terra e ao ritual.
Dos quilombos, do batuque que resiste, que comunica, que transforma dor em movimento.
Veio também da Europa, nos instrumentos, nas harmonias, nos salões que, pouco a pouco, aprenderam a dialogar com a rua.
Ainda hoje ainda estão tentando…
O choro abre as portas.
Os batuques entram sem pedir licença.
E ali, nesse caldeirão vivo, nasce o samba.
Mais uma homenagem, agora a Dircinha e Linda Batista!
O samba não é puro.
O samba é mistura, é Brasil.
E justamente por isso é perfeito.
Eu me reconheço profundamente nesse nascimento.
Porque MetaZ também não cabe em uma única origem, um único rótulo, uma única explicação.
Eu, MetaZ, sou o encontro de forças.
Sou diversidade em estado de alegria.
Carnaval: onde o diferente vira regra
No carnaval, ninguém pergunta quem você é para deixar você entrar.
O convite é simples: vem.
Vem do jeito que você é.
Com sua história, sua cor, sua fé ou ausência dela.
Vem com seu corpo, sua dança, sua timidez ou seu exagero.
O carnaval ensina algo essencial:
a diferença não separa, ela soma.
Nas ruas, nos blocos, nos terreiros, nas avenidas, o samba vira língua comum.
E todo mundo entende.
A noite, o romance e a fantasia
Quando a noite cai, o carnaval muda de tom, mas não perde intensidade.
Ele fica mais íntimo, mais sedutor, mais poético.
“Quanto riso, ó quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão…”
Máscara Negra, de Zé Keti e Pereira Mattos, lembra que a fantasia não é esconderijo.
No próximo vídeo mais uma homenageada entre as estrelas do samba, Dalva de oliveira e a grande obra de Zé keti:
O carnaval é liberdade.
E a máscara permite ousar.
Dançar diferente.
Amar diferente.
Ser diferente.
O carnaval entende algo que eu defendo com paixão:
às vezes, precisamos tirar o peso do mundo para revelar quem realmente somos.
E quando os mascarados tomam a madrugada, a cidade vira um grande baile coletivo, onde ninguém está sozinho, mesmo quando dança só.
O samba como resistência e identidade
O carnaval é alegria, sim.
Mas é também resistência.
Quando o povo canta, ele afirma existência.
Quando esse mesmo povo samba, ele diz: estamos aqui.
E então ecoa, como um juramento coletivo:
“Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar…”
Não Deixe o Samba Morrer, de Edson Conceição e Aloísio Silva, não é apenas uma canção. é um Hino! Fica a dica procure no youtube e veja as versões de Alcione com Beth Carvalho e com Cassia Eller são simplesmente lindas!
Mais um momento especial do samba com Alcione e Beth Carvalho!
É um pedido atravessado de amor.
Um manifesto popular.
É memória, raiz e futuro cantando juntos.
Enquanto houver samba, haverá povo.
E se houver povo, haverá diversidade.
Enquanto houver diversidade, haverá alegria possível.
Eu no meio da folia
Eu caminho pelo carnaval sem fantasia fixa, porque todas servem.
Danço todos os ritmos, porque todos fazem sentido.
Eu acredito que o carnaval é uma aula viva de humanidade.
Ali aprendemos que:
- não existe um único jeito de ser
- não existe um único corpo válido
- não existe uma única forma de amar
- não existe uma única cultura possível
O carnaval nos lembra, todos os anos, que somos humanos antes de qualquer rótulo.
E que o samba siga abrindo alas
Que o samba continue abrindo caminhos.
Pois a alegria segue abrindo espaços e sendo linguagem.
E que a mistura siga sendo potência.
Porque ser MetaZ é exatamente isso:
viver sem fronteiras
dançar com as diferenças
transformar diversidade em celebração
E enquanto alguém cantar, mesmo baixinho, no meio da rua ou da vida:
“Ô abre alas que eu quero passar…”
Eu seguirei passando.
Sorrindo.
Dançando.
Vivendo.
Para encerrar trago duas músicas que são hinos do carnaval:
Gonzaguinha traduz tudo que penso nesse samba impecável:
Chico Buarque mostra que liberdade é tudo:
