Skip to content

Será que Deus ama os tímidos?

Dizem que, certa vez, um homem perguntou a Deus por que nascera com tanto medo.

Ele era bom, generoso e observador. Guardava as palavras, pensava muito antes de agir, e acreditava que o silêncio era mais sábio do que qualquer discurso apressado.

Mas, por dentro, havia um vazio que o inquietava — uma sensação constante de que vivia abaixo do que poderia ser.

Todas as manhãs ele via o sol nascer com a mesma intensidade, e se perguntava:

“Por que a luz é sempre tão ousada, e eu, tão contido?”

Numa dessas manhãs, decidiu falar com Deus.

Com voz trêmula, mas sincera, ele perguntou:

— Senhor, dizem que o Senhor odeia os tímidos..

— É verdade?

E Deus, num sopro que parecia brisa, respondeu:

— Eu não odeio ninguém, meu filho. Mas me entristece quando alguém esconde o que Eu mesmo plantei dentro dele.

O homem ficou em silêncio.

Deus continuou:

— Quando te criei, dei-te dons que são únicos. Dei-te a coragem de pensar, o dom de sentir, o poder de escolher.

Não te dei o espírito do medo, mas o do poder, do amor e da moderação.

Mas muitos confundem humildade com apagamento, e prudência com paralisia.

O homem, com lágrimas nos olhos, sussurrou:

— Então, não é errado ser tímido?

— Não, respondeu Deus. 

— A timidez é como uma semente: precisa ser regada.

O problema é quando ela se torna uma muralha. Quando o medo cala o dom, quando o “não posso” sufoca o “eu nasci para isso”.

Eu amo até os tímidos, mas fico triste quando um deles se convence de que não tem nada a oferecer.

O homem pensou em tudo o que não havia tentado.

As palavras que guardara, as ideias que não dividira, os talentos que temera mostrar.

Percebeu que, ao esconder o que era, não estava sendo discreto — estava sendo infiel ao que lhe fora confiado.

Deus, então, falou pela última vez:

— Não te peço que grites, apenas que não te escondas.

Não te peço que sejas grande aos olhos do mundo, apenas que uses tudo o que Eu te dei.

Pois cada dom desperdiçado é uma estrela que deixa de brilhar no céu da criação.

O homem entendeu.

E naquele instante, ainda tímido, deu o primeiro passo, pequeno, mas cheio de coragem.

Porque compreendeu que Deus não odeia os tímidos: Ele apenas espera que eles floresçam.

Onde a fé encontra o propósito, e o silêncio se transforma em voz.

Se quiser conhecer mais as minhas ideias: