
Em 1994, um filme se tornou uma bilheteria incrível e inesperada: era “Priscilla, a Rainha do Deserto”, filme australiano, que combina comédia, drama e um toque musical animadíssimo.
A história possui 3 personagens centrais, duas drag queens, Tick (Mitzi Del Bra) e Adam (Felicia Jollygoodfellow), e uma mulher trans, Bernadette, que atravessam o deserto australiano em um ônibus chamado “Priscilla” para realizar um show em um resort remoto.
Uma aventura, pois durante a viagem, eles enfrentam desafios, preconceitos e autoaceitação, enquanto exibem performances extravagantes e constroem amizades improváveis.
O filme é cheio de significados e questionamentos.
Ficha Técnica
Título Original: The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert
Com direção de Stephan Elliott, roteiro de Stephan Elliott e produção de Al Clark e Michael Hamlyn
Seu elenco Principal foi consolidado em 3 personagens: Hugo Weaving (Tick/Mitzi), Guy Pearce (Adam/Felicia) e Terence Stamp (Bernadette).
Com música de Guy Gross, cinematografia de Brian J. Breheny e edição de Sue Blainey
Público e Recepção
Um filme australiano de 104 minutos, com um orçamento de US$ 2 milhões e uma bilheteria de US$ 29,7 milhões! Imagina o sucesso!
Podemos afirmar que foi um sucesso de bilheteria e crítica, as performances foram muito acima do esperado que, individualmente, eram muito apaixonadas e, unidas a uma trilha sonora de muitos sucessos da dance music, foi uma combinação que explodiu pelo mundo e gerou milhares de fãs. Inclusive eu!
Os figurinos não eram somente coloridos e cheios de brilho, eu os chamaria de inspiradores. É, sem dúvida, um marco no movimento LGBTQIA+, tanto no cinema como em toda mudança que provocou na sociedade.
O mais importante foi o quanto o filme gerou de debates e o quanto serviu de inspiração para que essa parcela da sociedade enfrentasse medos e desrespeitos. Foi fundamental na visibilidade da comunidade.
Histórias de Vida dos Atores
Pensem em escolhas muito inesperadas para o elenco:
Hugo Weaving (Tick/Mitzi)
Esse ator britânico-australiano sempre marcou por performances versáteis. Antes de “Priscilla”, era um sucesso em produções australianas.
Depois, ganhou peso de ator internacional e fez papéis emblemáticos como Elrond em “O Senhor dos Anéis” e Agente Smith em “Matrix”.
Guy Pearce (Adam/Felicia)
Nascido na Inglaterra e criado na Austrália, começou sua carreira em telenovelas australianas. Depois de Priscilla, virou uma estrela internacional.
Terence Stamp (Bernadette)
Ator inglês veterano, com uma carreira vasta, quando aceitou o desafio. Nos anos 60 e 70 fez grandes filmes como “Far from the Madding Crowd” e “Superman”. Mas como Bernadette, em “Priscilla”, foi elogiado por demonstrar sua capacidade de assumir papéis complexos e desafiadores. Um papel denso, com um humor diferenciado e uma força no olhar.
Locais de Filmagem
Sem dúvida, os lugares são um dos grandes pontos do filme. A maioria das cenas foi filmada na Austrália, onde as paisagens são deslumbrantes, levando o deserto australiano para ser visto pelo mundo.
Algumas das localidades principais incluem Sydney e áreas remotas do deserto de Alice Springs.
As locações não foram apenas um pano de fundo muito vibrante, mas quase podem ser consideradas um personagem por si só, pois conforme o filme caminha, as paisagens mudam e os personagens também.
Impacto Cultural
Em 1994, “Priscilla, a Rainha do Deserto” causou comoção.
Um dos primeiros filmes a trazer a cultura drag e questões transgênero para o grande público, ali os debates sobre diversidade e aceitação eclodiram.
A obra ganhou o Oscar de Melhor Figurino e muitos prêmios internacionais, solidificando seu status de clássico cult.
O filme também gerou um musical de sucesso e temos atualmente uma versão em cartaz em Sampa.
“Priscilla, a Rainha do Deserto” não é um filme: é mudança, é protagonismo, crítica, questionamento e debate público.
Isso se deve a um roteiro bem-feito, atores entregues, um figurino aliado a um cenário muito forte e impactante, que ultrapassou a linha do “Belo” para o de um marco cultural capaz de provocar transformações sociais.
Junto a “Gaiola das Loucas” e “Para Wong Foo”, podemos dizer que mudanças de comportamento aconteceram.
