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Rita Lee, não consigo pensar em me despedir…

Rita Lee me fez ver que ser a ovelha negra da família não é ruim, pois depende do ponto de vista de cada um!

Uma mulher que inspira

Hoje cedo ouvi na TV sobre a morte de Rita Lee, me bateu uma coisa ruim no peito, um aperto como se perdesse alguém muito próximo. 

Mas Rita era mesmo muito próxima de todos que na minha geração, se achavam ovelha negra da família, um pouco irreverente, diferente e inovador.

Não gosto de usar palavras como ousados, mas éramos ousadia. Prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ser um normal como diria Raul!

Uma das coisas mais presentes na minha vida, sempre foi a música, de todos os gêneros, Rita era isso, pois foi a rainha do rock nacional, mas suas músicas tinham um pouco de tudo, bossa nova, bolero, samba, era MPB na pura essência da palavra.

Senti uma necessidade enorme de escrever esse artigo, não para dar dados de idade, cidade, número de músicas, mas para simplesmente guardar na COMUD um pouco dessa estrela cujas músicas me acompanharam sempre.

Para isso vou trazer alguns versos que ela e seus parceiros me fizeram cantar, sorrir, chorar e viver.

Minha paixão por suas músicas começou quando eu ouvi:

  • “Meu bem, você me dá água na boca
  • Vestindo fantasias, tirando a roupa
  • Molhada de suor de tanto a gente se beijar
  • De tanto imaginar loucuras

Eu era adolescente, era tímido, mas a libido já estava a mil, não tinha descoberto o sexo, mas o desejo já estava ali e essa música parecia dizer tudo o que eu sentia e escondia.

Indico que todos ouçam Mania de Você e me compreendam.

Nessa mesma adolescência veio outra que me marcou, afinal amo carnaval e o lança perfume era muito ligado a festas, bailes e noites…

Quem naqueles tempos tão conservadores não sonhou ser feito de gato e sapato ou só sossegar com um beijo. 

Eram outros tempos, as pessoas não eram tão explícitas, ainda existia a paquera, os olhares, os desejos contidos.

Em seguida Ney Matogrosso cantou Balada do Louco e eu me vi ali, pois eu tinha necessidade de ser feliz e não me importava com os outros. Como era difícil!

Essa música era dos Mutantes e mais uma vez olha a Rita presente, essa composição foi com Arnaldo Baptista.

Quando puderem assistam a gravação em acústico, pois é muito ela!

Mas quando a novela começava lá nos anos 90 e vinha aquela música e falava do “escurinho do cinema”, era muito bom.

Juro que quando saiu Flagra, a gente ainda era flagrado no escurinho do cinema, kkkkk!

Pasmem, a gente ia no cinema namorar!

Era um momento de felicidade incrível!

Vou listar só mais um momento inesquecível e trazer a letra quando a Rita pegou a crônica do Jabour e criou Amor e Sexo.

Eu já não era tão jovem, mas a música dela me fazia companhia, pois eu era cúmplice do que eu ouvia.

Vou pedir a cada um de vocês que assistam suas apresentações com artistas incríveis como: Zelia Duncan

, Pitty, Paula Toller e Cassia Eller.

A Rita era mais que compositora, cantora e instrumentista, ela rompia com padrões com sua postura, com suas frases, entrevistas e reações.

Algumas de suas entrevistas são necessárias: 

  1. Falando sobre o fim dos mutantes, com o título “Machismo puro”
  2. No fantástico onde fala com Celibeli: “Fiquei com vontade de viver a velhice fora dos palcos”
  3. Com Bial, onde ela afirma “Fiz um monte de gente feliz” como a letra da música

Acho que essa homenagem é rapidinha, pois foi feita hoje que ela seguiu para a eternidade, mas tenho um pedido:

Fale de Rita, Toque as Música da Rita para os amigos, filhos, netos, bisnetos kkkk, “sem culpa nenhuma”.

Vou finalizar com pedindo a todos que pesquisem e ouçam “Os mutantes”, eles foram um marco na música brasileira.

Obrigado Rita! E porque não dizer obrigado Rita e Roberto!