
As novas gerações não conhecem o talento e a grandiosidade desse mito da cultura brasileira
Conhecido como Rei do Rádio, Nelson Gonçalves foi um dos cantores mais populares dos anos 1950.
Foi o segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, ficando atrás apenas de Roberto Carlos.
Até a morte, em 18 de abril de 1998, aos 78 anos, lançou 183 discos em 78 rpm (rotações por minuto), 128 LPs e 300 compactos.
Vendeu mais de 81 milhões de discos e ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina. Deixou um legado muito grande, com 2740 músicas gravadas para que todo o país possa ouvir.
Seu maior sucesso foi a canção “A Volta do Boêmio” (composição de Adelino Moreira)

A música “Fica comigo essa noite “ marcou época:
Outra famosa foi, “Naquela Mesa” (composição de Sérgio Bittencourt)
Na década de 50, chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.
Após a apresentação, Frank Sinatra disse: “sua voz é uma das melhores vozes que ouvi até hoje”.
Assisti em Pirassununga
Na época de ouro do rádio, Nelson Gonçalves passou diversas vezes por Pirassununga, apresentando-se nos cinemas da cidade.
O último show que realizou lá ocorreu no início dos anos 70, na Exposição Agropecuária de Pirassununga, promovida no CIZIP, hoje Campus Fernando Costa da USP.
Após o show, tive o privilégio de entrevistá-lo.
Naquela oportunidade, Nelson se fazia acompanhar do seu compositor predileto, Adelino Moreira, autor de grandes sucessos.
Aqui, nessa extraordinária interpretação, Nelson canta o tango “Carlos Gardel”, composição de David Nasser e Herivelto Martins
Lindo demais. Impossível ouvir uma vez só.
Resumo de sua Vida e Carreira
Minha base foram dados da Wikipédia.
Nelson Gonçalves nasceu em Sobral (Sant’Ana do Livramento) em 21 de junho de 1919, filho de portugueses e faleceu no Rio Janeiro em abril de 1998.
Cantor e compositor brasileiro, segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 79 milhões de cópias vendidas até março de 1998. Foi também, o artista que mais tempo ficou em uma mesma gravadora: foram 59 anos com a RCA Victor/BMG Brasil.
Parece incrível, mas ele tinha dificuldades em falar, por isso passou por bullying de colegas e dificuldades com uma professora, sendo expulso por jogar um tinteiro na professora.
Seu pai tocava violino nas feiras e ele passou a acompanhá-lo, nesse momento começa a cantar e encantar. Foi também jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Começou a lutar boxe, inclusive se tornando campeão paulista, mas seu sonho era ser artista.
A carreira, como cantor, começou em 1960, e teve impulso pelo apoio do irmão que abriu restaurante na Avenida São João em São Paulo. Por causa da gagueira ganhou apelido de “Metralha”, os preconceitos nunca o impediram.
Casou-se com Sra Elvira e sua família apresentou à cantora Sônia Carvalho, que lhe sugeriu o nome artístico Nelson Gonçalves e lhe entregou uma carta de recomendação para a Rádio São Paulo, onde tudo começou a acontecer.
Teve momentos de altos e baixos na carreira e na vida, mudou-se para o Rio, na busca de algo melhor. Mesmo não se dando bem nos programas de calouros, continuou insistindo, passou por muita dificuldade e voltou a São Paulo. Após cantar na noite, foi chamado para gravar pela primeira vez com a RCA Victor, gravou disco de 78 rotações, pelas mãos de Carlos Galhardo, Nelson entrou na Rádio Mayrink Veiga, começava finalmente a carreira do ídolo das décadas de 40 e 50, seus ídolos eram Orlando Silva e Francisco Alves. Ainda vamos escrever sobre eles! Mas o sucesso demorou e ele mais momentos de instabilidade.
Sucessos
Alguns de seus grandes sucessos foram
- “Maria Bethânia” (Capiba),
- “Normalista” (Benedito Lacerda / Davi Nasser),
- “Caminhemos” (Herivelto Martins),
- “Renúncia” (Roberto Martins / Mário Rossi)
- “Última Seresta” (Adelino Moreira / Sebastião Santana),
- “Meu Vício É Você”
Chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos.
Nos anos 70, 80 e 90, veio com novidades através de jovens talentos como:
- Ângela Rô Rô (“Simples Carinho”),
- Kid Abelha (“Nada por Mim”),
- Legião Urbana (“Ainda É Cedo”) e
- Lulu Santos (“Como uma Onda”).
Além de parcerias de sucesso com “A Deusa do Amor” com Lobão e um dueto com Chico Buarque, na música “Valsinha”.
Sua vida pessoal também foi afetada pelo vício, por más companhias e romances conturbados.
Com o apoio da última esposa e dos filhos reverteu o quadro de dificuldades que já prejudicava sua saúde e acabou por falecer num infarto.
Imagem de capa: https://shre.ink/cwCq
