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Bem e o Mal

livrai-nos do Mal

O ser humano, desde que iniciou a refletir, tem procurado definir os conceitos do Bem e do Mal. 

Filósofos e pensadores ao longo da história expuseram teorias, às vezes complexas e opostas, nem sempre claras. 

Diferentemente da ciência, que considera as origens hipoteticamente, a Bíblia, que é um livro de Deus e sobre Deus, mas é também um grande livro sobre o ser humano, diz que todo o mundo foi criado essencialmente bom (Gn 1,31). 

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”

Inclusive, o ser humano desde a origem é especial, criado como “imagem e semelhança de Deus” (Gn1,26), isto é, dotado de racionalidade, de inteligência e livre vontade. 

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”

Pode-se dizer que há um só princípio de tudo o que existe, e esse, vem de uma fonte boa, o Criador. 

Então o ser humano, como tal, é bom, sem mistura de bem e de mal, por isso, é bom ser homem, é bom ser mulher, a vida é boa e viver é um bem. 

No entanto, não dá para negar que, na vida, aparece também a realidade sombria do mal. Considerando que Deus é bom e tudo o que Ele criou era bom, evidentemente, 

Ele não pode, de forma alguma, direta e indiretamente, ser a origem ou a causa do mal.

Então, o sujeito da escolha entre o bem e o mal, só pode ser naturalmente o homem, que pode rejeitar os ditames de sua própria consciência, fazer livremente a escolha com o indevido uso de suas faculdades. 

A essência do mal vem de uma liberdade criada e de uma liberdade abusada. 

O gesto insano e nefasto de escolher e praticar o mal, permanece um mistério, mas por outro lado, adquire maior significado negativo quando visto no contexto da relação homem-criatura com Deus-Criador, que a bíblia chama de pecado. 

Esse termo, do grego, pode ser pode ser traduzido preferencialmente como ‘errar o alvo’. 

É como alguém que atira uma flecha e erra descaradamente o centro, falha, portanto, peca. 

A partir da ideia que Deus é bom, e fonte de vida, o pecado é um mal em si; mais do que mau comportamento ou fraqueza psicológica pois, é a rejeição da fonte de vida, é optar por administrar a vida sem envolver a fonte criadora, é dizer ‘não’ ao amor e, é claro… o risco é de fracasso total. 

Neste tempo de grande liberdade, em que cada um decide o que é bom e o que é mau, que se tenta negar Deus, como origem e fonte de vida, o homem moderno tenta rejeitar o conceito de pecado, consome-se com sentimentos inúteis de culpa, apenas para reclamar que não encontra felicidade em si mesmo, e, ironia… o ser criado pelo Amor e para o Amor, se afasta da fonte do puro bem e o rejeita, erra o alvo e consequentemente, não é mais feliz. 

O cristianismo não impõe, mas propõe…

O cristianismo não impõe, mas propõe e espera que a humanidade tenha, em algum momento um vislumbre de fé, para perceber o que perde por manter Deus fora da sua vida.

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  • Quando Jesus, o Filho de Deus Criador, veio ao mundo,
  • se fez um de nós,
  • mas inocente,
  • foi atingido e ferido por todas as maldades dos homens,
  • não se vingou,
  • não retrucou,
  • não respondeu à violência com a violência,
  • não pagou o mal com o mal,
  • mas fez o mal morrer em si mesmo,
  • doando sua vida e o perdão a todos na cruz.

O Bem venceu o Mal, então a realidade mudou, pois Ele opôs uma fonte de bem puro, presente e forte, à fonte permanente do mal no mundo. 

Como ainda hoje existem poderes que pesam sobre nós e tentam nos arrastar para as armadilhas difíceis de escapar, é preciso confirmar nossa adesão à nossa origem divina, a sermos mais sensíveis à prática do Bem, que é capaz de colocar um limite nas tribulações e males que assolam o mundo e nossa vida nesses tempos turbulentos.

Jesus ensinou seus discípulos a sempre preferir o Bem e a rezarem ao Pai Criador. 

Na oração do Pai Nosso, nós dizemos ‘livrai-nos do mal’ e não há mais nada que devamos pedir além disso, para obtermos a proteção necessária contra o mal, que está dentro de nós e ao nosso redor, para afugentar o medo e não ficarmos reféns do que não convém a filhos do Deus que é Amor.

Padre religioso, trabalha na paróquia São João Batista do Brás.