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A natureza

A casa comum

Inspirado nas primeiras palavras do famoso “Cântico das criaturas” de Francisco de Assis (1181-1226), patrono da ecologia e da fraternidade universal, o outro Francisco, o Papa de Roma, em 2015, lançou o documento intitulado ‘Laudato si’. 

Uma carta circular (Encíclica) destinada, não somente aos católicos, cujos deveres para com a Natureza e o seu Criador, são partes integrantes da fé, mas a todas as pessoas do nosso vasto mundo.

O documento provoca uma reflexão sobre o cuidado com a nossa terra, maltratada e saqueada, com a degradação do meio ambiente, a poluição, mudanças climáticas, com graves consequências sobre a vida humana. Propõe uma ‘mudança de rumo’, uma ‘conversão ecológica’, para que cada um assuma a responsabilidade de um compromisso de cuidar do planeta, da natureza, ‘nossa casa comum’.

A Realidade 

Todos os anos, milhares de espécies vegetais e animais, estão desaparecendo.

As alterações climáticas têm constituído um problema global, que põe em risco real a sobrevivência humana. 

Precisamos, juntos, colocar limites à injustificável destruição da biodiversidade, à crescente devastação das florestas, à exploração fundiária, à grilagem, à emissão descontrolada de poluentes e à mentalidade do descarte, dos desperdícios, que parecem estar transformando nossa terra num imenso lixão, acarretando efeitos negativos à vida, como uma tragédia anunciada. 

Faz-se, pois, urgente a adoção de diferentes modelos de preservação, começando pela proteção e acesso universal à água potável, que é um direito essencial, enraizado na inalienável dignidade humana.

Justiça Social

Uma imagem contendo pessoa, olhando, água, jovem

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Falar da preservação da Natureza, da justiça climática, para uma verdadeira abordagem ecológica, temos que levar em conta, imprescindivelmente a questão social

A Justiça social, é que considera a luta pela igualdade de acesso aos recursos do planeta, o esforço para a extinção da miséria, a atenção aos pobres e aos povos indígenas que estão na linha de frente contra as mudanças climáticas e a defesa da terra. 

O Papa propõe um antropomorfismo moderno que reconheça a Natureza como norma e, o Ser Humano como administrador responsável do universo, preocupado com o controle do consumismo extremo e seletivo de parte da população mundial, com a concentração de renda e de terras produtivas nas mãos de alguns e com a insistência de não se investir nas pessoas em nome do lucro, que tem se mostrado um mau negócio

Não se pode subestimar a ideia de autorregulamentação do mercado, que segue a mesma lógica de muitas “máfias’, semelhantes às do narcotráfico, na escravização e exploração dos outros, no abandono de crianças, dos idosos, no desprezo dos mais vulneráveis, no genocídio de povos originários.

Satélite no espaço com planeta ao fundo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Para que todos possam, realmente, se beneficiar da liberdade econômica, é urgente colocar limites aos que detém grandes recursos e poder financeiro. É verdade que o progresso tecnológico traz muito benefícios para o desenvolvimento sustentável, por outro lado, a tecnologia também tem dado aos detentores de conhecimento e poder econômico, um domínio injusto sobre o mundo inteiro. 

Embora se constate uma preocupação com a dívida externa dos países pobres, o mesmo não se verifica em relação à nossa dívida ecológica, ligada aos desequilíbrios comerciais que afetam diretamente o meio ambiente, a sociedade, sobretudo, os mais fracos do planeta, considerado apenas como um dano colateral.

Cúpulas Mundiais sobre o Meio Ambiente, não têm, infelizmente, correspondido às expectativas de melhorias, pois, os poderes econômicos têm outros interesses. 

Consequentemente, novas injustiças se somam aos países que mais precisam de desenvolvimento, enquanto que o domínio absoluto das finanças e o socorro aos bancos a qualquer custo não têm futuro e só geram novas crises, em que, é a população que paga o preço. No plano Nacional, a política e a economia ainda precisam sair da lógica do curto prazo e do sucesso eleitoral, de conchavos corruptos que ocultam os verdadeiros impactos ambientais, para dar espaço a processo decisórios honestos e transparentes. 

Políticas ambientais deveriam defender o principio de identidade, o estilo de vida e o direito à terra, das comunidades indígenas, garantido pela Constituição Federal (art.231). 

Direitos esses que têm sido constantemente ameaçados pela grilagem, exploração florestal, agronegócio, pastoril e de mineração ilegal. Crescente é também, o número de assassinatos no campo, de ativistas da proteção ambiental, sem contar as vítimas de ameaças, abusos e prisões não especificadas. 

Revolução Cultural

Essencial seria uma nova regulamentação da atividade financeira especulativa, atenta aos princípios éticos, em um ritmo mais lento de produção e consumo, para redefinir o progresso, vinculado à melhoria da qualidade e à proteção da vida de todos. 

Pessoas na frente de um prédio

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Bastariam pequenos gestos diários como a coleta seletiva de lixo, a redução do consumo desnecessário, a economia consciente do uso de água e de luz, a quebra da lógica da violência, da exploração e do egoísmo para a construção e preservação da nossa casa comum.

As Religiões

Para as religiões, em diálogo com as ciências, sabem que o ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador, é um aliado especial na responsabilidade de cuidar da natureza, na defesa os pobres, na construção de uma rede de respeito e de fraternidade. 

Na espiritualidade cristã, não só a natureza, mas toda a Criação, pertence à ordem do Amor de Deus, da qual nenhuma criatura está excluída. 

Uma imagem contendo grama, ovelha, grupo, rebanho

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A Igreja católica incentiva o esforço de conversão, para a superação do consumismo, ligado ao egoísmo e individualismo. Sua abordagem ecológica não se limita a leis e regulamentos, mas envolve a família, a educação, a defesa dos direitos humanos para que todos amadureçam, admirem, respeitem e preservem a beleza da natureza criada. 

A contribuição do catolicismo ao mundo, está no seu esforço de propor a conversão e renovação ao ser humano, em vista da sua vocação de guardião de toda a obra de Deus, que leva em consideração os direitos de todos, especialmente, dos mais desfavorecidos. 

No ensino cristão, o menos é mais, o excesso distrai, a sobriedade liberta, a humildade e a paz permitem vida melhor.  Não se pode perder a oportunidade de praticar nem mesmo os pequenos gestos contra a degradação, do desperdício, em vista do respeito, cuidado e preservação do nosso Planeta. 

Propósito

A propósito, os católicos comemoram o domingo, primeiro dia do descanso semanal, para partilhar a refeição, celebrar a Eucaristia, contemplar a beleza de Deus, da natureza, do universo e da vida fraterna. 

No esforço de colocar em ato o espírito dos dois “Franciscos”, que chamam a terra de irmã e mãe, que tudo nos , e da irrupção do Novo Éden, do paraíso terrestre, a Igreja mantém o sonho de uma fraternidade planetária, baseada no Amor do Criador e na consciência de que todos temos uma única casa comum, que precisa do nosso cuidado, sem mais maus-tratos, como temos feito, a ponto de ela nos mandar ataques de vírus perigosos. 

Desenho de homem com óculos de grau

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Cuidemos e respeitemos a nossa casa comum, na luta contra a degradação do planeta, onde todos podemos viver em paz e felizes.

Desenho de uma pessoa

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Padre religioso, trabalha na paróquia São João Batista do Brás.