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Benzimentos

Um dos mistérios mais atraentes e respeitados da cultura popular são os benzimentos.  

Benzer significa abençoar. 

E o ato de benzer acompanha a humanidade desde os seus primórdios, quando, por meio do benzimento, se pedia à proteção dos deuses. 

Benzer uma pessoa é o ato de rezá-la, pedindo que dela se afastem todos os males ou o mal específico, que lhe esteja afligindo. 

A benzedeira olha para criança e diz: “é mal olhado”. Um ramo de arruda, palavras cantadas: reza feita.  O choro acaba e a mãe vai embora com a criança dormindo nos braços.  

Durante anos, a saúde das pessoas era deixada nas mãos das benzedeiras. E ainda hoje, muitos buscam este tipo de atendimento. 

A prática remonta às épocas antigas, em que as pessoas não compreendiam direito as causas da maioria das doenças, quando o acesso à medicina era privilégio dos moradores da cidade, que podiam pagar por uma consulta médica. 

Os mais pobres, longe dos centros urbanos, de algum jeito tinham que se virar. Diante das necessidades recorriam às benzedeiras, que na maioria das vezes supriam a ausência dos médicos.  Verdade.

O ritual e as orações foram, tradicionalmente, transmitidos de mãe para filha, fazendo com que tais práticas resistissem até os tempos atuais.

O que se benze

As benzedeiras benzem doenças, enfermidades, machucaduras e mantém vivo um diferenciado “catolicismo popular”.  

São “benzeções” de cobreiro, lombriga, bichas, espinhela caída, susto, mordeduras de cachorro e de cobra, quebrante, mau olhado e “zóio ruim”, dor de dente, tosse cumprida, vento virado, rasgadura ou carne rasgada, mal de míngua ou doença de macaco ou mal de simioto, cobreiro, osso quebrado, nervo torcido, pé desmentido, rendidura, entre outros males.   

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Para curar Mau olhado, Quebrante e Zóio Ruim.

Para afastar “mau olhado, quebrante e zóio ruim”, a “benzeção” é a seguinte: 

“Com dois eu te vejo, três eu quebro encanto, a palavra de Deus e a Virgem Maria é quem cura quebranto, mau-oiado e zóio ruim. Leve o que trouxe Deus, benza (fulano de tal) com a Santíssima Cruz. Quem está fazendo ferro? Eu sou aço. Quem está fazendo é o demônio e eu vos embaraço com os poderes de Deus, Jesus e a Virgem Maria.” 

Vamos homenagear os benzedores de Pirassununga e assim estaremos homenageando todos os benzedores do Brasil.

Nesta Terra Curimbatá, desde sua fundação, as benzedeiras e os benzedores sempre foram muito queridos e respeitados pela população. Impossível lembrarmos de todos. Eram muitos. 

A maioria já não está mais entre nós, entre elas Dona Adelaide Longo (bairro da Raia), Dona Elvira Vick (rua D. Pedro II), Dona Madalena (rua dos Andradas), Dona Lila (vila Pinheiro), Dona Gersei (Cachoeira de Emas), entre outros benzedores.

“Seo” Totico é um dos mais conhecidos e respeitados por aqui. Existiram outros, claro.  Você se lembra de mais algum?

Entre as benzedeiras que em atividade destacamos Dona Olímpia (foto), 76 anos (2020). Neta e filha de benzedeiras é a única viva de 15 irmãos. Sempre sorridente, não existe quem não a conheça na vila Pinheiro, onde reside.

Em Pirassununga há mais 50 anos, descobriu o dom de benzer aos 7 anos de idade, em sua terra natal, Novo Cruzeiro-MG.   Até médicos procuram Dona Olímpia. 

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Olha que lista! Bonito de se ver… 

Difícil lembrar-mo-nos de todos os benzedores vivos ou falecidos. Com um pouco de esforço, conversando com nossos pais e avós, os nomes acabam surgindo…

“Seo” Rafael, que tinha uma casinha muito humilde nas proximidades do antigo lixão. 

“Seo” Aparício, que morava na rua Siqueira Campos.

Tio “Seo” Joaquim Barnabé, que morava no bairro rural do Roque.  

Dona Jandira (vila Brasil), que benze com Nossa Senhora nas mãos. 

Dona Maria Benzedeira, que mora no bairro da Raia. 

Dona Nica, já falecida, também benzia.   

Dona Dulce, de Santa Cruz da Estrela, que ajudou milhares de pessoas. 

Dona Luiza Celina, filha da saudosa Carolina Bichof, que era benzedeira na Vila Brasil. Incansável na sua missão atende a todos.

Dona Lurdes que mora no Jardim Eldorado, perto da Clínica Tozzi. Benzeu por mais de 20 anos. No momento não está benzendo.

“Seo” Américo Maciel, que morava na Vila Santa Terezinha também benzia

Dona Lila, além de benzer, aconselhava.  

Dona Josefa, da vila Belmiro, Dona Rosa e Dona Rosinha, ambas da vila Pinheiro.

João Serra, que morava na Vila Industrial, perto da Cerâmica Tupi (Juca Costa), era aposentado da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Ele fazia simpatias de bronquite, benzia quebranto, bucho virado de tudo.  

Mané Serra, que morava na avenida Prudente de Moraes, ao lado da Casa das Aves, também benzia. Aliás, na família Serra quase todo mundo benzia: em Pirassununga, Porto Ferreira e Rio Claro. Eram todos funcionários da Companhia Paulista/FEPASA.

Dona Assunta, e Dona Adelaide, que depois passou o dom de rezar as pessoas, para Dona Jandira.

 “Seo” Benedito, que morava com o tio, o borracheiro Xerife, na rua XV de Novembro. 

Dona Zefa, na rua D. Pedro II, Dona Laurinda, da família de Dona Olímpia;

Dona Zuleika, benzedeira por 62 anos. Milhares de crianças, jovens e adultos passaram pelos benzimentos dela em Pirassununga

Dona Maria Bonvechio, da Vila Steola, de saudosa memória. Grande benzedeira. 

José Maciel, também benzia. Ele morava na rua Duque de Caxias. 

 “Seo” Joaquim Manivela (aposentado da AFA) marido de Dona Maria Baixinha, que moravam rua XV de novembro. 

 “Seo” Lucien benzedor, que morava na Vila Rina (Santa Terezinha), atrás da Doceria da Pedra.   

Dona Celina, da Vila Malaquias, esposa do índio. Na última rua do Jardim Margarida. 

Dona Dita, senhora de muita fé, faz suas orações a Nossa Senhora.

Dona Cida na rua Visconde do Rio Banco. 

Dona Maria Benzedeira, falecida faz mais de 70 anos.  Morava perto do cemitério, e também benzia as pragas da lavoura.

Zé Gava, que era benzedor. Benzia simioto. Com uma linha ele tirava as medidas da criança, da nuca ao tornozelo e do dedo médio de uma mão a outra, formando uma cruz.  Aquela linha ia para um quadro de Jesus e dali era retirada só depois de alguns dias com uma vassoura, porque a linha não podia ser tocada. “As crianças e curavam, realmente”. 

A Vó Clara, morava na Vila Pinheiro e depois se mudou para a vila Guilhermina. “Era uma benzedeira maravilhosa”.

Dona Rosa Tramontina, morava na rua XV de novembro, quase em frente a pracinha da Estação. “Seo” João Tramontina, que benziam em italiano com uma Nossa Senhora nas mãos.  Dona Rosa fazia garrafadas para as mulheres engravidarem.  O sucesso era tão grande, que algumas a procuravam para ver se tinha algo para parar de engravidar.   Benziam quebranto, cobreiro, mal olhado, lombriga, íngua com cinzas e faca.   

A pessoa colocava o pé sobre as cinzas e Dona Rosa falava: “o quê que eu corto?” A pessoa dizia: “íngua”. Rezando em italiano, com a faca riscava cruzes sobre as cinzas. Fez muitas crianças perderem o medo de andar. Rezando, com uma vassoura, atravessava a rua varrendo atrás da mãe e do bebê. 

Dona Rosa rezava cobreiro com um ramo verde e água da fonte. Receitava inúmeros chás e unguentos com fitoterápicos: poejo, erva-cidreira, capim-limão, hortelã, alecrim, arnica, guaçatonga, etc.

“Seo” João Tramontina, avô do jornalista e apresentador da Rede Globo, Carlos Tramontina, era muito famoso como massagista e ortopedista. Recebia em Pirassununga inúmeros jogadores dos principais clubes brasileiros.

“Seo” Mistieri. rezava pra chover, chovia. 

“Seo“ Rubens Aldrigueti, que mora na vila Pinheiro, que benze feridas na perna. 

Dona Neide, benzia sapinho, quebranto e cobreiro. 

“Seo” Fiori, aposentado da Cia Paulista de Estradas de Ferro, que morava na rua Coronel Franco, nas imediações do Grupo Escolar.

Dona Madalena, que morava na rua dos Andradas.Benzia, benzia quebranto colocando três brasas acesas num copo com água.  As brasas descendo no fundo do copo era sinal de que a criança estava com quebranto. Após o benzimento, dava a água para a criança beber. “Resolvia mesmo”, conta.

Dona Dina (Claudina), da família Barbirato, que também benzia com brasa. Mãe de seis filhos, morava na rua do Sapo (rua D. Pedro II). Benzeu por anos e anos dores de coluna e outras dores no corpo. 

Dona Rosa Devitte Grüninger, fazia simpatia para esporão com a folha (palma) do figo-da-índia e orações durante três sextas-feiras seguidas. Na quarta sexta-feira, a pessoa pegava as folhas e as jogava em um rio. Vinha gente de várias cidades. 

Dona Adelaide Longo, que morava na rua José Bonifácio, bairro da Raia, na altura do Colégio Kennedy. Pra benzer ela usava água e óleo. Enquanto benzia, a água e o óleo se misturavam por completo no copo, sem ninguém tocar naquele recipiente.  

Dona Benedita Clara, que morava na rua Major Feliciano. Ela andava totalmente curvada devido a um sério problema na coluna. Costumava benzer com galhinhos verdes.

“Seo” Pedro Saidel, que morava na vila Brás. Era um homem de muita fé. 

Dona Geni Porto benzia quebranto, bucho virado, mau olhado entre outros. Ela morou muitos anos na vila Santa Terezinha. 

“Seo” Benedito (Benedito Santos), que morava na rua Bento Dix, perto do Depósito da Skol, no bairro da Raia. 

“Seo” Lupércio de Freitas rezou e benzeu por mais de 55 anos. Ele morava numa chácara, hoje rua Joaquim Procópio de Araújo.  

Dona Ditinha, da vila Paulista/vila Brasil, e “Seo” João Bichoff, benzia dor de dente com um canivete. “A dor passava na hora”, conta ele. 

Dona Berta (Albertina)

Dona Benedita Bido, 

Tia Ditinha, era ótima para criança que tinha medo e andar. Cortava o medo com um cipó e machado, morava na saída da cidade.

Dona Sevília Bronzela Marostegan. Todos a chamavam de Dona Cecília. Morava na rua 13 de maio, benzia crianças e às vezes adulto, usando os princípios da espiritualidade e da caridade.

Dona Augusta Ungaretti, também era benzedeira. Morava na rua Major Pereira, descendo o Posto São Jose.  Até hoje rezo para minhas filhas sua oração. 

“Seo” José, da Vila Santa Fé. Ele ainda benze e mora na rua São Marcos.  Mesmo não enxergando direto, no auge do benzimento, só de sentir a pessoa ele já diz o que estava acontecendo. 

Dona Adelina Mendonça, também benzia. Ela morava na vila Redenção.  

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Quando criança, Cidinha Souza Pinto conta que se recusava a andar. Preocupada, sua mãe a levou à Dona Júlia Benzedeira, que cortou o seu medo com um machado. Ela morava na rua do Sapo (D. Pedro II). A partir desse feito Cidinha passou a tê-la como sua “gurua” de fé.

Dona Olivia, do bairro Arraial, nas proximidades de Cachoeira de Emas.

“Seo” José Posela.

“Seo Brasilino” segundo Leandro Oliveira. “Era criança, mas me lembro muito bem daquele ser de luz que morava no Arraial, nas proximidades de Cachoeira de Emas”, conta.  Segundo Leandro, “Seo” Brasilino previu a data exata de sua própria morte, que muitos anos depois se confirmou.

Dona Maria, uma portuguesa que morava na vila Malaquias e depois se mudou para vila Redenção.

Dona Maria Medeira (ou Medeiros), que morava na rua General Luiz Barbedo em frente a Retifica Marangoni. 

Dona Ana Bragagnollo, que morava na rua José Pozzi, na vila Guilhermina. Além dos remédios caseiros que curavam feridas e machucados, Dona Ana era ótima no benzimento de quebranto e “bucho virado”.

Dona Luísa Celina ainda benze. “Uma grande mulher. Ela mora na Vila Guilhermina”.

Dona Zela, que morava na rua D. Pedro II. Era uma ótima benzedeira, conta.

Carlos Braz conta que sua avó e a irmã dela – benzedeiras – se chamavam Galdina. Galdina Braz Pinto e Galdina Raunaimer.  Eram alemãs.

Dona Cecilia também tinha esse maravilhoso dom de benzer.  Atendia mais a crianças que adultos. Só faz por amor, ainda benze e continua morando na Vila Guilhermina.

“Seo” Luiz. Ele morava na rua Amador Bueno perto do Bar Brasil. Benzia muito. Era vidente.

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Dona Julia, além de parteira também benzia. Morava na rua. D. Pedro, entre as ruas dos Andradas e José Bonifácio. 

Dona Araci Amente era uma benzedeira de “mãos cheias”. Mulher de muita fé, benzia de tudo e funcionava. Antes de morrer teria passado o dom para Tânia Naressi.

Dona Bernardina Becker, benzeu durante muitos anos.  

Dona Luzia, a avó de Sandra Gregorio também benzeu quase todas as crianças da Vila São Pedro.  Um anjo que Deus já  levou!

Cida é atuante, uma excelente benzedeira. Mora no Jardim Santa Rita. Ela herdou o dom do benzimento da bisavó Mariinha e da avó Ditinha.  Cida benze quebranto, mal olhado, bucho virado, sapinho, cobreiro, mal jeito, erisipela, lombrigas e outros males.

“Seo” João Benzedor. Negro, magro e alto e vestia-se de branco.  Tinha uma pequena venda (pastelaria?) entre a Mercearia do Procópio e o Bar do Toninho Borges, na Avenida 6 de Agosto. Benzia crianças e adultos – de tudo -utilizando-se de galhos de arruda.  Com o pouco que tinha, ajudava as pessoas. Fazia festa de Cosme e Damião na Vila São Pedro.

Dona Araci Ament também era benzedeira.  Rezava quebrante, cobreiro, hérnia umbilical de crianças, entre outras benzeções.  

Dona Cecília C. B. Canteli até a pouco tempo benzia esporão e torcicolo.

Dona Malvina, que mora na Vila Esperança, nas proximidades da EMAIC Prof. Daniel Caetano do Carmo.

Dona Leontina.  Ela morava na rua Rafael Rogati, na Vila Paulista.

Dona Mariquinha também era benzedeira.  Morava na Rua Coronel Franco.  Era muito devota de Nossa Senhora Aparecida.  Ela faleceu no dia 12 de outubro, Dia da Rainha Padroeira do Brasil.

Dona Conceição na lista das grandes benzedeiras de Pirassununga.  Ela morava na rua Siqueira Campos, proximidades da UBS do Jardim Roma.  Benzia com galhinhos de arruda.

Dona Sebastiana, esposa de Joaquim Bento – rezador da parte alta da cidade -, e a tia paterna, Dona Siana. Muitos se lembram dela. Tia Siana tinha um braço e  uma mão de madeira, perdidos quando era moça, numa serraria.  Ambas benziam com galhinhos de plantas que colhiam. Também jogavam brasas (carvão aceso) num copo com água, que podiam afundar ou não caracterizando o tipo de doença. Acompanhavam a benzedura orações especiais conforme o caso. Atendiam principalmente mães e filhos adoentados. “Pena que não passaram isto a ninguém da família”. Moravam perto da Cerâmica Tupi, atual Covabra Supermercados.

Religion, Faith, Cross, Light, Hand

Contando com a colaboração de muita gente, é surpreendente constatarmos o grande número de benzedores que conseguimos registrar neste artigo, que foi baseado numa publicação do face. 

Mais que isso, é saber que jamais iremos nos esquecer dessas criaturas especiais que, espalhando o bem, fizeram parte de tantas vidas e serão sempre lembradas com muito carinho e gratidão. 

Obrigado a todos que ajudaram, mandando suas memórias, provando todo o bem realizado por pessoas maravilhosas.

Muito obrigado a todos que se dedicaram aos benzimentos, e a todos que mantém viva essa tradição no interior desse país.